Tico Menezes

Antes do Depois vem o Agora

Nos falamos ontem? Então já não te conheço mais.


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Já teve a sensação de que é tarde ou cedo demais para primeiras vezes?

Digo, há dias em que nos perguntamos como seríamos se tivéssemos aceitado tomar êxtase naquela festa ou se tivéssemos assumido que, às vezes, preferimos nossa própria companhia num sábado de noite ao invés de nos sentirmos sós numa noite cheia de rostos felizes. E essa reflexão pode parecer tardia se acordarmos nos perguntando por qual razão nunca nos entorpecemos, assim como pode parecer precoce quando assumimos que não fugimos à nossa geração e que temos dias de depressões efêmeras. Nunca parece tarde demais quando o riso vem sem lágrimas, entende? Se não sentimos falta ou vontade do que não vivemos, arrisco dizer que estamos bem. Mesmo que apenas naquele momento.

Afinal, ainda é cedo para tanta coisa. Crise de meia-idade? Tivemos várias, mas não a que conta para os avós. Arrependimentos? Desde que comemos o batom da nossa mãe começamos a colecioná-los. Desilusões? Alguém já te disse que o Papai Noel não existe ou que a Vovó Mafalda era um homem? Vontade de amar? Somos apaixonados por Jack e Rose em “Titanic” porque eles ficaram só três dias juntos. Raiva de quem nos subestimou por causa de nossa idade? Não importa o que digamos ou façamos, só seremos prodígios ou equivocados aos olhos do mestre acomodado. Tristeza sem motivo? Quantas noites em claro ou banhos de mais de cinco minutos onde as lágrimas se perderam na água do chuveiro, não é mesmo? – sem falar quando o chuveiro tá queimado e o banho é gelado e nós ficamos lá mesmo assim porque ficar no escuro do quarto pode ser sufocante.

Tudo isso já aconteceu. Um monte de vezes.

Vai muito de para onde e por onde você está olhando. Também somos macacos velhos em diversos campos de atuação. Por exemplo: Se você se oferecer para brincar de esconde-esconde com a galerinha do condomínio, eles vão rir e achar injusto se você ganhar, porque você é mais velho. “Bananas de Pijama” parece super repetitivo, não é? Você ainda tem como meta de romantismo ser convidado pelo sorriso mais bonito da sala para tomar sorvete no McDonalds? E o estranhamento daquelas luzes brilhantes nas festas ou a sensação de rebeldia ao chegar em casa depois das três da manhã? Não são a mesma coisa. E o que dizer dos ídolos adolescentes? De repente todos parecem tão criança ou forçados, né? E quando você se pega dizendo “quando eu tinha a sua idade...” para alguém mais novo que presta muita atenção no que você está dizendo?

Pois é. O tempo tá passando. E por mais que ainda vejamos algumas situações com olhos de criança e sejamos inexperientes em tantos aspectos, já vivemos bastante coisa. Mas nunca parece o suficiente, porque incrivelmente ainda há espaço para tantos erros e a esperança do acerto continua viva. Como pode o fluxo natural do espaço-tempo parecer tanto um paradoxo? Que bruxaria é essa que nos faz sentir mais velhos em alguns lugares e, em tantos outros, crianças que não conhecem os conceitos de Ego e Superego? Como se definir, então?

É dito que somos a soma do que nos aconteceu, mas eu diria mais, acredito que somos o que escolhemos ser depois de todos esses acontecimentos. Somos incertos de tudo porque não há certeza alguma fora de nós, os únicos problemas que podemos resolver são os nossos e até nisso podemos errar. Então como se define qual o tempo certo para viver algo? Como alguém diz sem titubear que é algo além de si mesmo? Como alguém afirma que não é uma bagunça ambulante procurando desesperadamente por alguém que tenha paciência e vontade de arrumar as coisas? E como tantos outros são malucos de assumir essas incertezas?

Vish. A vida é maluquinha, né? Digo isso porque conheço-a bastante, quase tanto como a palma da minha mão. Mas, epa, eu sempre tive essa pinta perto do dedão?


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