Tico Menezes

Questionadores, Uni-Vos!

Quem quer mudar o mundo põe o dedo aqui, porque a sociedade já vai te fechar, não adianta chorar!


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Para passar em Cinema, você precisa tirar 8 em Química. Para falar sobre Literatura, você precisa gostar de Dom Casmurro. Para torcer para um time, você precisa gritar “Gol”. Para ser adulto, você precisa ter um carro. Para ser responsável, você não pode gastar nada além do que pode. Para ingressar no mercado de trabalho, você precisa ter uma formação. Para dirigir, não pode se estressar. Para não passar vergonha, não faça tudo o que tem vontade. Para não perder a amizade, não faça brincadeiras. Para não ficar climão, não vá contra a opinião geral nos almoços de família. Para não ter problemas, voe abaixo do radar. Para ser feliz, pare de ouvir música triste. Para ser hétero, não pode falar que homem é bonito. Para ser uma boa namorada, tem que ser recatada. Para ser um bom namorado, não pode esquecer as datas. Para entender essas crises existenciais, fale com um médico, amigo é fácil de arranjar. Para não ser otário, esnobe. Para não ter gente falando de você pelas costas no trabalho, não se manifeste suas opiniões. Para sua segurança, siga a multidão. Para isso, aquilo. Para aquilo, isso.

Ô, CALA A BOCA, AÍ!

Que saco de mundo cheio de regras e comportamentos padronizados, amontoado de convenções castradoras tentando nos inibir de descobrir quem somos. Pô, chega. O que é que vocês estão tentando fazer com a gente? Nos colocar num aquário e exibir pros seus clientes? Nos robotizar? Que saco. Isso não é aceitável em século nenhum, nunca foi, sempre existiram os diferentes e, pensa um pouco, foram os nomes deles que entraram para a História. Einstein, DaVinci, Darwin, Foucault, Curie, Quitéria de Jesus, Sagan, Austen, Bronté, Fitzgerald, Hemingway, D’Arc, de Beauvoir, Hawking, Hipácia, Aristóteles, Galilei, geral inconformada, sentou na frente da fogueira, matutou um pouco sobre quais regras ditavam os próximos passos de quem os rodeava e entraram para a história.

Numa dessas de dar aquela estudada em tudo o que já foi pensado, descobrir se concordamos e quais nossos adendos ou contra-argumentos, é que vem a revolta por causa do famoso “mas tem que ser assim, do contrário, não está certo!”. Quantos não encontraram formas consideradas marginais para disseminar seu conhecimento? Quantos não foram silenciados por preconceito, religião, ameaças, temor do desconhecido e ditaduras? Os que pensam por si mesmos não são especiais ou superiores, não são seres de uma clareza anormal ou intocáveis que nada têm em comum com meros mortais, não. Eles só venceram o medo. Estamos a uma decisão ousada de nos igualarmos a estes nomes tão conhecidos.

Escolha a vida. Não a conhecida e padronizada dos comerciais de margarina nos intervalos da novela das seis, mas aquela que você sonhou quando era criança e olhou para as estrelas, se perguntando seu lugar no mundo. Escolha os questionamentos e deixe de lado as já citadas convenções sociais, não as esqueça, apenas tenha a sabedoria de usá-las para se situar no hoje e, daí em diante, iniciar seu próprio caminho.

O que você significa? Eu também não sei ainda, mas tá decidido que vou descobrir. Cê vem?


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