Tico Menezes

Sentimento Curvilíneo

Uma proposta que, honestamente, demorou para nos ser feita.


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Quero propor um projeto: Vamos todos parar de regrar a felicidade. Que tal? Nós sabemos que a versão correta de felicidade é a minha. Mas é a sua também. E a do João da marcenaria também não tá errada. Sabe a Luisa que vende salgados? Ela também é feliz do jeito certo. E quem se identifica com a felicidade cantada nas músicas do Tiago Iorc e do Jeneci? Eles estão certíssimos. A gótica que é feliz com suas maquiagens, coturnos e sobretudos? Não poderia estar mais certa. O Zeca, que trabalha a semana inteira e fica feliz com o futebol seguido do churrasco no domingo, poxa… Esse cara é feliz do jeito certo. Quem chora quando ri porque não contém a felicidade tá corretíssimo, tem que chorar mesmo. Quem sorri pouco, mas sorri de verdade também tá certo. Felicíssimos, todos nós.

Eu entrei numa de ser feliz agora, de me atentar ainda mais às coisas pequenas que parecem um aviso do dia para nos fazer rir, de gostar da correria da vida, de me permitir planejar meu casamento e minhas férias de 2025, de sorrir comendo melancia, de ler os livros de adolescente no meio do metrô, de assistir filme trash quando der vontade, de abraçar mais, de levar o meu mundo lá pra fora e não trazer as energias de lá pra dentro de casa. Entrei numa de fazer o que me faz bem. E eu tô certo. Não tenho dúvidas, grito minha certeza. Certeza essa que daqui a pouco pode mudar, mas porque talvez eu descubra algo novo que me faça feliz e aí vou estar certo de novo.

E passei a deixar de ficar chateado quando alguém diz que fica feliz fazendo algo que eu considerava fútil ou sem sentido. Que besteira a minha de tentar regrar a felicidade dos outros de acordo com a minha opinião! Eu sempre serei um moleque e todas as minhas certezas estão sujeitas a mudanças, se descaracterizando sem culpa nenhuma. Tem certezas demais por aí e a certeza, meu amigo, é líquida, então filtre antes de beber e não esqueça de fazer xixi antes de ir dormir, assim ela se renova diariamente.

Partindo do ponto que todos somos de verdade, não há porquê desmerecer a dor e o sorriso de alguém, tudo é real, mas mutável. Então seja feliz do jeito que parece certo no momento e, daqui a pouco, se esse jeito mudar, se permita a mudança, se permita ser feliz sozinho, mas considere a felicidade de estar junto.

Seja feliz com um papel e uma caneta, seja feliz subindo uma árvore no parque, seja feliz com um tênis novo, seja feliz com o beijo que recebeu, seja feliz com seu trabalho voluntário, seja feliz almoçando com seus avós, seja feliz reagindo ao que te deixa triste, seja feliz correndo, seja feliz dormindo, seja feliz no dia do pagamento, seja feliz quando só tem vinagre e meia cebola cortada na porta da geladeira no dia 26 do mês, seja feliz gritando que ama, seja feliz com o frio na barriga de ter que conhecer o pai da sua namorada, seja feliz com medo do dentista, seja feliz rindo do tropeção que você tomou na entrada da faculdade, seja feliz porque Star Wars está de volta, seja feliz ao terminar de ler um artigo sobre algo que você não conhecia, seja feliz ajudando as pessoas, seja feliz ajudando a si mesmo, seja feliz discutindo política, seja feliz porque seu amigo tá feliz, seja feliz quando chover, seja feliz na segunda-feira — exagero? –, seja feliz fazendo parágrafos intermináveis sobre como ser feliz, mas, meu velho, seja feliz.


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