Tico Menezes

Só Vai!

Suas correntes não te prendem se você não quiser. Sua vida pode ser a mais espetacular já vivida se você quiser. Parece simples e, bem, é simples mesmo!


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Estamos saindo e nos conhecendo? Sim. Isso tem nome? Sim. O nome é “estamos saindo e nos conhecendo”. Estamos pulando de emprego em emprego procurando o que nos faz bem e nos dará estabilidade financeira? Sim. Isso tem nome? Sim. O nome é “estamos pulando de emprego em emprego procurando o que nos faz bem e nos dará estabilidade financeira”. Temos uma relação maravilhosa com nossos pais? Sim, porém às vezes discutimos porque nosso jeito não bate muito. Isso tem nome? Sim. O nome é “convivência na qual, mesmo não sendo perfeitos, procuramos nos dar bem porque nos amamos”. Estamos aí para a opinião alheia? Sim. Deveríamos estar? Não mesmo!

Já reparou que rotular algo impede sua evolução? E que nomear tudo e cada coisa na sua vida traz uma gama de questionamentos e sentimentos que, na maioria das vezes, não são seus?

Situação: Você está exausto do trabalho e da faculdade, teve uma crise nervosa ontem e tomou a decisão de fazer uma viagem no próximo fim de semana para poder espairecer, respirar, estar num lugar onde ninguém te conhece nem sabe dos seus problemas. Pareceu uma ótima ideia e você ainda não contou ela para ninguém. Você dormiu bem, pensando na paz que a viagem trará, na calma que sua mente redescobrirá. No dia seguinte você conta sobre essa viagem para alguns amigos e familiares, apenas para deixá-los avisados, sei lá, para não parece aleatório demais. E eles dizem que “tudo bem, mas...” e aí, meu amigo, começam os sentimentos e questionamentos que não estavam lá quando você tomou a decisão de viajar.

Tudo bem, mas você sabe que viagem sozinho é coisa de perdido, né? A solidão daqui é a mesma solidão que vai te seguir. “Tudo bem, mas você não tem duas semanas até as provas?

Tudo bem, mas você não estava juntando dinheiro para comprar o carro?

Tudo bem, todo mundo fica maluco de vez em quando, hahaha, mas pensa melhor, às vezes você só tá sentindo falta de alguém ou algo novo na sua vida.

E depois de tantos “tudo bem”, não tá mais nada bem. As inseguranças, medos, impressões de superioridade, frescuras e opiniões dos outros já acabaram com o sentimento de paz e esperança que tinha te invadido na noite passada. Não demora muito para a tremedeira começar de novo e o coração acelerar porque você se sente mal e irresponsável por planejar uma viagem em meio a uma rotina tão cheia. Só tem um único e pequenino detalhe que acaba passando despercebido no meio dessa chuva de negatividade: Você é a prioridade. E por mais altruísta e dedicado aos outros que você seja, se sua mente e coração não estiverem saudáveis, como você será capaz de verdadeiramente ajudar alguém?

E isso se estende a diversas outras situações: Um casal que namora há anos e ainda não casou, um casal que acabou engravidando e decidiu ter o filho – ou decidiu não ter! –, amigos que decidem morar juntos num apartamento, quem escolheu continuar na casa dos pais até ter certeza do que quer, quem decidiu se demitir de um emprego abusivo mesmo sem ter garantia de um novo, quem decidiu trancar a faculdade no penúltimo semestre, que decidiu seguir em frente com os estudos mesmo depois de o dinheiro ter acabado, quem prestou vestibular aos 21, 22, 23, 24, 25 ou 60 anos, quem tem medo de altura e decidiu pular de paraquedas, quem se aposentou e se matriculou num curso de paisagismo, quem comprou rosas no primeiro encontro, quem decidiu fazer uma cirurgia plástica porque quer se sentir mais bonito, quem decidiu não fazer uma cirurgia plástica porque está feliz do jeito que é, quem almoçou no McDonalds, quem é vegetariano, quem apresenta para o pai o namorado do mesmo sexo, quem escreveu um texto sobre se sentir em paz, quem faltou na aula para dormir mais porque sabe que merece, quem pediu em casamento e ainda não mora junto, quem pediu em namoro em menos de um mês de encontros, quem terminou o relacionamento porque não estava mais apaixonado, quem decide assistir filmes do Adam Sandler porque realmente acha engraçado, quem não faz ideia do que quer da vida, quem começou um curso de apenas três meses porque gosta da matéria, quem decidiu mudar de estado, quem decidiu mudar de país, quem achou uma boa ideia viver as coisas e contar para o mundo dias depois.

A vida vai cobrar as coisas, as dificuldades vão chegar, o turbilhão de emoções contido nas transições de uma idade para outra é constante, mas o que realmente levamos conosco? Quais as decisões que realmente nos libertam? De quais nomes precisamos ser chamados além do único que temos?

Pensar demais é inevitável, mas procurar o balanço entre o que fica no pensamento e o que é viável tornar realidade porque você sente vontade é o verdadeiro ato de coragem. E as coisas dão medo e frio na barriga, não se engane, mas permita que sejam os seus medos e o frio da sua barriga. Saia do umbigo alheio e deixe que saiam do seu, tem tão pouco espaço num umbigo, poxa. Respire fundo e vá. Sua vida, sua sanidade, a criança dentro de você, seu coração, seu nome, seu futuro e seu umbigo agradecem.

Vamos parar com o excesso de papo regrado, então? Vamos só viver?


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