Tico Menezes

Sobre os Programas de Fofoca sem Emissora

Apertar o botão "mute" das pessoas pequenas não é tão difícil.


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As pessoas vão falar, nem perca tempo tentando evitar.

Sério, relaxe e deixe que falem. Você não vai conseguir fazê-las entender a sua vida, os seus fatos, as suas vontades ou os seus porquês do jeito que você quer que elas entendam, não importa o quão eloquente ou didático seja. Cada ser humano é único, tem suas próprias impressões, sua própria perspectiva, passou por coisas únicas e vive sozinho em sua própria mente, logo, não há como generalizar opiniões – não importa o quanto todos sempre busquem isso para facilitar uma resposta rápida ou simplificar uma questão que exige concentração e alteridade. E se não há como generalizar opiniões, por qual motivo você tentaria se explicar ou passar uma imagem idealizada do que você está vivendo? Por qual motivo você quer que as pessoas pensem só coisas perfeitas sobre você ou te entendam sem questionamentos distantes da realidade?

Entende? É incontrolável. Eles vão falar. E vão falar muito. E você corre o risco de que eles pensem mal ou te interpretem erroneamente. Vai acontecer, mas qual o problema disso mesmo? Digo, você sabe sobre suas razões, certo? Conhece seu coração e seus motivos, não é mesmo? O que há a temer?

Já temos a certeza da solidão, da incompreensão, da arrogância alheia, da vontade de se sentir melhor que o próximo, do ódio sem motivo real, da tristeza, do não e da morte. Partindo dessa certeza, só temos a ganhar em todo risco que aceitarmos correr. É um novo emprego, relacionamento, amizade, projeto, estudo, investimento ou atitude? Siga em frente. Pareceu certo? Siga em frente. Tendemos a cair na falsa afirmação de que somos perspicazes demais sobre os outros e pouco sabemos de nós mesmos, assim, aceitando conselhos de quem pouco conhecemos, abaixamos a cabeça para quem tem títulos que fomos ensinados a temer, nos desacreditamos no primeiro “vai ser muito difícil, pense melhor” e nos acomodamos com o nada, sem fazer a menor ideia do quão maravilhoso é conquistar o pouco que nos basta, sem nunca vislumbrar o promissor “mais do que imaginamos”. Poxa, não se diminua. Procure ver por outra perspectiva, não por outros olhos. Fique de ponta-cabeça, se permita ser deixado de ponta-cabeça e se redescubra, se surpreenda com o que você pensa de si mesmo.

Mais importante do que saber o que você quer, é saber o que não quer. E isso só vem quando o desafio de conhecer a vida é aceito. E, meu amigo, desde que o mundo é mundo independência, felicidade e sabedoria sempre incomodaram as pessoas. Estão todos com medo da solidão, mas ao mesmo tempo não querem se misturar à multidão. Estão todos tão preocupados em ser únicos que não percebem que estão se enquadrando no grupo dos “só mais um”. Estão todos tão perdidos que vão exigir que você fique perdido também. Eles são previsíveis porque a zona de conforto é previsível. Eles passam pela vida sem perceber o privilégio que é ter ar nos pulmões.

E ninguém fala absolutamente nada deles, nem mesmo coisas boas. Não há o que falar. Mas ouse sair da zona de conforto, ouse ser diferente, ouse surpreender, ouse se desafiar. Não tenha dúvidas de que uma avalanche de comentários virá na sua direção. E por que isso seria ruim? Você faz parte deles? Lembre-se de que você está no mundo, mas não é do mundo.

As pessoas vão falar, nem perca tempo tentando evitar. Viva.


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