Tico Menezes

Somos Todos Estrelas

Da astrofísica para a poesia, o que vemos quando olhamos para o céu da noite?


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Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é uma alegria pra mim compartilhar uma época e um planeta com vocês.

Foi o que disse Carl Sagan, o que me inspira a contar cada vez mais histórias, partilhar sentimentos em textos e abraços, indicar obras e fazer ligações no meio da noite. Mas, ainda sobre o que Sagan diz, há um estudo dele que diz que somos todos feitos de poeira das estrelas. Todos os átomos de carbono, nitrogênio e oxigênio em nossos corpos foram criados em gerações de estrelas de mais de 4,5 bilhões de anos. Está comprovado, somos todos estrelas.

Mas eu, moleque que tanto fala com seus botões e faz amizade até com um poste no meio da rua, trouxe essa ideia da astrofísica para a poesia. Resolvi brincar com esse fato extraordinário, sem tirar o pé do chão, com as mãos no bolso, mas a cabeça viajando o universo. O fiz ao pesquisar mais e descobrir que as estrelas estão em constante movimento e explosão, liberando mais e mais partículas de si e as espalhando pelo vasto tapete escuro, onde se escondem tantas galáxias e vidas que talvez nunca iremos conhecer.

Enfim, estrelas explodem e dão vida. É aí onde quero chegar. Partindo do princípio de que todos somos estrelas, logo, todos também explodimos. Mas o fazemos de forma menos literal. Explodimos em raiva e soltamos xingamentos ou golpes. Explodimos em prazer e gememos. Explodimos em amor e fazemos carinho. Explodimos em orgulho e choramos. Explodimos em tristeza e consideramos pensamentos ruins. Explodimos em esperança e recomeçamos. Explodimos em garra e seguimos em frente. Explodimos em arte e criamos obras-primas. Explodimos em felicidade e fazemos sorrir sorrindo. Explodimos perto do sol e tiramos a blusa. Explodimos sob a luz da lua e cantamos baixinho aquela música romântica. Explodimos em vontade e arriscamos. Explodimos só na nossa cabeça e nos machucamos ao não permitir que partículas de nós voem ao universo, talvez essas sejam as explosões mais sentidas, as que não fazem barulho nem são vistas de longe. Somos estrelas únicas, logo, com nossas próprias explosões em momentos diferentes, nunca da mesma magnitude, mas com o mesmo potencial de grandeza e bondade. Todos somos capazes de criar vida, seja do começo, do meio ou até mesmo do fim. O espaço em nosso coração vai muito além das três dimensões que conhecemos.

Tem dias que tudo parece tão urgente, tão próximo, tão terrestre, que até esquecemos de todas as possibilidades do universo. Não que tenhamos que viver fora de nós, esperando pelas respostas e nos diminuindo, não. Mas se ficarmos muito tempo dentro de nós, sumimos em nossa pequenez e esquecemos que podemos ser gigantes. Somos muito novos para o “nunca mais” e muito imaturos para o “para sempre”. Somos apenas as possibilidades e os riscos. O amor e todos os outros sentimentos complexos existentes em nossas vidas são únicos em nós, dão vida a nossos universos particulares e anseiam descobrir outras galáxias, seja em outros beijos, em outros livros, em outros céus ou na casa do vizinho. Somos todos poeira das estrelas, mas não é daí que começam os fenômenos como cometas, supernovas, planetas, sóis e galáxias inteiras?

Não deixe de explodir, seja o primeiro ponto brilhante na noite de alguém. Não deixe de explodir, seja seu próprio fenômeno. Não deixe de explodir, tem muita vida querendo viver em você. Não deixe de explodir, estrela.


version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Tico Menezes