Tico Menezes

Ver Arte é Ver-te

Vida é arte e Arte é vida. Uma ode a nós, artistas do viver.


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Há tanta beleza no mundo que, às vezes, penso que tanta gratidão por existir não cabe em mim. Frutas, cachoeiras, animais, campos e pradarias, areia e terra vermelha, chuva fina num dia ensolarado, montanhas, céu, terra, olhos escuros, olhos claros, sorrisos, árvores, flores, algo simples como uma folha seca voando na ventania que nos avisa da tempestade, algo lindamente irônico como o arco-íris que vem logo depois. Há beleza, deveras.

Não bastasse a natureza das coisas em sua plenitude, há a arte. O retrato apaixonado de alguém sobre alguma coisa. O artista presenteia o mundo com sua interpretação de algo que existe, tangível ou não. São tantos quadros lindos nas exposições da cidade, são tantas telas que parecem nos transportar para sua paisagem, experiências tão sensoriais que quase ouvimos o assovio do vento e o cheiro de uma linda primavera gelada. São tantas canções que aquecem o coração, vozes aveludadas acompanhando a melodia ditada por dedos hábeis em cordas ou teclas, experiências que transcendem o físico, nos tornamos a música e questionamos de onde vem esse sentimento. Os expressamos em passos de dança, que, quando cientes de si, contam histórias sobre realidades que ignoramos ou desconhecemos. Em sua leveza, a dança conta mais do corpo humano do que imaginamos existir, faz a vida de dois cisnes tocar o coração do mais severo dos homens. Há o cinema e a televisão, a reprodução de uma estória contada para apresentar novos universos, novas perspectivas, novos sentimentos, ou até mesmo, apresentar pensamentos e ideias para que um jovem filósofo encontre seu ponto de partida. Penteados exóticos e simplistas, figurinos coloridos que dizem muito sobre a personalidade de nossos heróis, a fotografia que capta e transmite a atmosfera de uma cena que poderia passar batida, não fosse a sensibilidade de enxergar luz na escuridão. Há a escrita, que possibilita o questionamento de absolutamente tudo. Há a escrita, que pergunta o que, afinal, é Tudo?

A arte se mistura com a vida, tornam-se unas quando em confluência no coração de quem a aprecia. E será que somos capazes de compreendê-la? Afinal, não são todas como um discurso fervoroso ou um belo par de olhos, sujeitas a interpretação, com superfície e profundidade? Será que somos como os artistas e buscamos enlevar nossa alma e permitir mudanças em nossa perspectiva através dos olhos de alguém diferente de nós? Em que ponto deixamos de ser meros espectadores? Até que ponto é bom contemplar? Será que, mesmo em nossa simplicidade e pequenez, não somos artistas também? Afinal, temos algo a dizer e total poder de decisão sobre como fazê-lo. Então seria o ser humano parte da natureza representada na arte?

Talvez a arte só exista por causa do espectador. Não diretamente, mas tendo-o como objeto de estudo, avaliador, musa e razão. Então, diretamente, sim. O artista é o espectador de si mesmo, logo, o ser humano é o grande tecelão de seu destino. Talvez nós sejamos a maior e mais duradoura obra de arte de toda a história da vida. Talvez por isso discordamos tanto, porque no fundo estamos avaliando o trabalho do artista em nós. Estamos nos avaliando a todo momento. Talvez tenha chegado a hora de apenas contemplar.

Mas, ah, há tanta beleza no mundo.


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