Tico Menezes

Vim Ver Como É Viver

Parece que não, mas a vida ainda vai melhorar muito. Cê não faz ideia da felicidade que te espera!


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Bom Dia!

Eu sei que você queria estar enrolado no cobertor agora, sei que você já cansou de tentar enxergar sua rotina de forma positiva como dizem os textos que você lê, sei que ficar apertado no ônibus é horrível, que ver pessoas se ofendendo e se maltratando logo de manhã dói o coração, sei que dá vontade de fugir e só o que dá pra fazer é aumentar o fone de ouvido, sei que você pensou que quando tivesse a idade que tem, seria de outro jeito, uma pessoa completamente diferente do que você é hoje. Eu sei também que você tá com saudade de alguém, sei que os melhores amigos de antes estão distantes e pessoas que você conhece há pouco tempo são as que mais te ajudam, seja num abraço no meio do dia ou com uma mensagem positiva no celular. Sei que você até se inspira quando assiste um filme ou lê um livro, que respira fundo e diz que agora tudo vai mudar, mas logo o mundo real te puxa de volta e você se frustra porque nada mudou. Eu sei que você tá cada vez mais amargurado, cada vez mais pessimista, cada vez mais negativo, dizendo que o mundo é isso e aquilo, que as pessoas não têm compaixão e que finais felizes só acontecem nos contos de fada. Eu sei. Eu entendo. E não é culpa sua.

Veja, o comportamento de quem está cansado de sorrir é previsível. Pessoas que deixaram a luz do coração apagar estão perdidas e se perceberem que você quer mudar algo ou ousa arriscar a felicidade, vão tentar te fazer se sentir tão perdido quanto elas, porque ficar sozinho é ruim. As pessoas cansadas de procurar seus pertences compram outro mais novo, que, como a maioria das novas tecnologias, dura menos, custa mais e não tem peso na sua história, logo percebe-se que desistir de procurar foi abandonar o sentimento. Quem está cansado se torna adepto dos prazeres fáceis e momentâneos, que, se acabarem trazendo alguma reflexão, levam à vergonha e autocensura, porque nunca paramos de nos avaliar, fomos ensinados a viver com regras que nos aprisionam e se agimos diferente do esperado, a sensação é de solidão ao invés de independência. Quem está cansado de viver, apenas sobrevive.

Mas eu também sei que você conhece histórias de pessoas diferentes. Eu sei que você já se imaginou no lugar mais alto do pódio. Sei que você já se empolgou porque enxergou uma pequena luz para seguir. Pensou, mesmo que por um instante, ter encontrado um caminho. Acabou tendo amigos como inspiração e, como quando éramos crianças e queríamos ser um personagem querido, diante das situações nos perguntávamos “O que tal pessoa faria?” e tentamos ser melhor, inspirados por outros. É justo. Mas eventualmente percebemos que, não importa o quanto desejamos fugir de nós mesmos, em todo lugar que vamos, lá estamos. Passamos a encarar a pessoa no espelho como um inimigo, o mais difícil que enfrentaremos na vida e, pelo menor dos motivos, podemos declarar ódio a essa pessoa e negar toda e qualquer chance de melhora porque não nos consideramos dignos. Mas e se, ao invés de refutarmos os pensamentos e sentimentos que não achamos certo ter, tentássemos fazer as pazes e, como na melhor das amizades, aceitar a pessoa do espelho do jeito que ela é?

Poxa, e agora essa reflexão caiu no clichê do “e se?”. Poxa, agora vamos voltar a negativar tudo ciclicamente. Poxa, poxa, poxa. Não, não, não. Até que sim. E o “e se?” vira “e sim”. Sim, você é sua própria força motriz. Você pensa nisso tudo, caminha trôpego de sentimento em sentimento e não vê luz porque precisou se encaixar num sistema que te faz ligar o piloto-automático sem nem perceber, você fez parte de tanta coisa e quando tudo isso foi embora, percebeu que elas eram parte de você. Mas o que unia todos esses seus pedaços? Exatamente, você!

Então abrace duas vezes na despedida, leve duas frutas para o trabalho, tente lembrar do que você ama fazer e procurar lugares onde isso seja feito em grupo, incentivado e amado. Diga sim e diga não para o que você quer dizer, ouça sua música, observe as pessoas na rua e tente criar uma história para elas – talvez, ao se perceberem observadas por um sorriso, elas até contem quem são –, beije a testa da sua mãe, cante sua música em voz alta no carro, dance no vagão do metrô quando o player aleatório escolher a música certa, não fique só no “vamos marcar” com aquele amigo que te encontrou esses dias, vá ao cinema, respire fundo e diga a ela ou ele que você está apaixonado e não tá a fim de esconder nada – esse item é um pouco mais difícil, eu sei, mas tem a maior chance de dar certo, vai por mim –, não se permita ser facilmente entendido. Estamos vivos e queremos viver, certo?

E se tiver dúvidas, leia este texto de novo. E de novo. Mais uma vez. Ou isso ou assista “A Felicidade Não Se Compra”.


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