Tico Menezes

Uma Toxina Chamada “Namore alguém que...”

Qual é o seu amor?


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A vontade de amar e ser amado, de provar um pouco do amor promovido por filmes, livros, seriados e músicas, de poder falar sobre como a noção de felicidade muda quando encontramos o amor é algo recorrente – se não permanente – no ser humano. A ideia de amor perfeito e da total dedicação a outra pessoa em prol da construção de uma história com o final “felizes para sempre” nos é imposta desde que começamos a raciocinar a ponto de questionar e opinar, nas mais diversas mídias e com a mais diversa sorte de seres apaixonados – casais heterossexuais, casais homossexuais, casais de animais, casais de árvores, casais de pedras, casais de inteligência artificial – porém, com a mesma finalidade e previsibilidade. Aprendemos que uma vida sem o amor perfeito não é uma vida completa. Mas há um porém muito comum nessa breve análise; após a primeira desilusão, uma nova ideia começa a se formar em nossas mentes e corações, uma ideia que vai contra tudo o que aprendemos sobre amor e romance, uma ideia que nos assusta a princípio, perigosa até. Não existe amor perfeito.

Ideia essa que será refutada e contrariada diversas vezes até aceitarmos nossa condição humana – por condição humana quero dizer que estamos constantemente insatisfeitos, chateados, desiludidos, desacreditados, desmotivados, entre outros sentimentos comuns da nossa espécie. E, talvez, lá pela vigésima desilusão, comecemos a parar de nos espelhar no amor dos outros e perceber que nenhum amor é igual. E isso traz uma nova e dificílima reflexão que culminará numa atitude ainda mais complicada: Temos que desaprender o que aprendemos sobre amor.

O desejo é natural, não há como evitar senti-lo, assim como a constante indagação de nossa dignidade para com o amor que desejamos. É natural, e dói. Mas estarmos dispostos a desapegar de uma ideia que nem sabemos de onde veio é um bom começo para enxergar o amor de forma mais realista, algo desse mundo, algo como, talvez, pessoas com questões, inseguranças, medos, manias e problemas.

E não, isso não quer dizer que devemos aceitar abusos e ofensas, afinal, mais importante do que saber o que queremos é saber o que NÃO queremos. E não queremos ser maltratados, ofendidos, abusados, discriminados, chantageados emocionalmente, julgados ou machucados de qualquer forma. Preservar nossa integridade física e emocional por nós mesmos é um bom primeiro passo para chegarmos ao ponto de poder confiá-la a alguém que lutará tanto como nós lutamos por nosso bem-estar. E que seja recíproco, naturalmente.

O que nos leva a outra questão válida nessa discussão: O medo de se machucar. Mesmo aqueles que estão livres do amor idealizado podem acabar discutindo, discordando em voz alta, se calando, não querendo assumir algo, acusando de forma equivocada e tendo problemas de convivência com seu parceiro. E não há solução para esses problemas, justamente porque eles são a solução de si mesmos.

Acredito que o amor se constrói na rotina, na convivência, no orgulho deixado de lado, no pedido de desculpas por algo dito sem intenção de machucar, na alteridade, no beijo de reconciliação, na promessa de dedo mindinho, nas lágrimas silenciosas compreendidas após uma conversa delicada, no abraço de apoio, no “se levantar juntos após caírem”, na fé e no esforço de construir uma vida a dois, no estar bem por si mesmo para fazer bem ao outro, na liberdade de ir, vir e escolher ficar.


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