Carla Gameiro Dias

Mulher, Mãe, Psicóloga, aprendiz da vida, seguidora fiel do amor...porque quando o coração diz sim, eu vou, sem dúvida, sem pensar duas vezes, porque ele não erra, nunca...

Dormindo com um estranho (a). Você ja viu este filme de perto?

Ele acordou do avesso... Ela dormiu de calça jeans... Quem aguenta tanto mau humor... Como você consegue viver com alguém que muda conforme a lua? Você já escutou estas frases? Já imaginou que isto tudo pode ser muito mais do simples mau humor?


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Uma linha tênue, ou um fio fino (era assim que as Moiras, as três irmãs cegas da Mitologia Grega que determinavam o destino dos deuses e humanos se referiam a vida, um fio fino) que separa a nós, “ditos” normais (como se normais fôssemos), dos apontados como “anormais”. Mas em algumas situações em específico, esta “linha” de fato “aparece”, deixa de ser invisível, é quando falamos por exemplo dos “borderlines”. A citada palavra, de origem inglesa, quando traduzida significa fronteiriça/fronteira, limítrofe/limite. E afinal, o que é ou são “borderlines”? Transtorno de personalidade com padrão de comportamento marcado pela impulsividade e instabilidade de afetos.

Mas por que conseguimos visualizar tão facilmente esta “fronteira” este “limite”? Porque nos comportamentos “borderlines” os indíviduos normalmente apresentam atitudes de rompante, normalmente o que erroneamente caracterizamos como “pessoas de lua”; eles vivem literalmente no limite, incluindo os físicos e principalmente os emocionais; por isso muitos apresentam grande dificuldade de se estruturarem emocionalmente. Em seu livro “Corações Descontrolados” Ana Beatriz Barbosa Silva narra com simplicidade de forma que mesmo leigos possam entender o transtorno de personalidade “borderline”.

Como é exatamente que isso tudo funciona? Como e quem são eles? Eles estão no meio de nós? Dividem nossos escritórios, fazem parte de nossos grupos de amigos? A resposta para todas estas perguntas é SIM, com certeza SIM. Eles são indivíduos que como todos os outros vivem histórias de dores, amores, e também vivenciam processos emocionais e psíquicos; a diferença é que os processos aqui são mais profundos.

Nos indivíduos com Transtorno de Personalidade Boderline, são percebidas crises de raiva (por vezes intensas), irritabilidade (normalmente incompreensíveis para os outros, pois aparecem do nada), alternância de estados de humor (com alguma constância), alternância de afeto pelo par ou pessoas próximas amor/admiração por raiva/menosprezo (no caso dos parceiros por exemplo), manifestações de medo de abandono e sensibilidade a rejeição. Em função disto, são em sua maioria impulsivos e emotivos (digamos com alguma passionalidade) e apresentam certa dificuldade em “temperar” suas emoções. Estas mesmas emoções podem ser vivenciadas com muito mais intensidade e por um período de tempo mais prolongado do que o seria por indivíduos “comuns”, da mesma forma que podem também repetir-se e persistir por longos períodos. A grande questão é; o quanto de positivo e negativo há em viver tantas e tão intensas emoções? Depende, se estamos falando de um indivíduo emocionalmente “estável”, está tudo fantástico; todavia, se este mesmo sujeito não consegue “retornar” a um estado emocional considerado assente após uma experiência emocional exaustiva, aí é bem provável que tenhamos uma situação negativa.

Nos borderlines os sentimentos negativos como tristeza por exemplo também são vivenciados de forma exacerbada (assim como os positivos) sendo que aqui passam a ser vistos como vergonha e/ou humilhação; simples perdas, (emprego, negócios, etc) são vistos como fracasso e vivenciados como luto; um não de um parceiro, o término de um relacionamento pode ser encarado como rejeição, sensação de abandono e tornar-se ódio. Estas reações exasperadas, em muitos momentos podem levar a atitudes de enfrentamento altamente agressivas (onde o descontrole realmente toma conta do indivíduo fazendo com que ele (a) apresente atitudes desproporcionais), processos de automutilação e em casos muito graves, comportamentos suicidas. A grande dúvida dos que compartilham lares, vidas, intimidade com os “borders” é: eles SABEM quando tomam estas atitudes? Eles têm consciência do que fazem? Em geral, eles tem sim consciência da intensidade de suas emoções, mas são incapazes de controlá-las, portanto, “desconectam-se” delas, desta forma, todo o processo fica “menos doloroso”. Difícil de entender? Imagine para eles!!!!!

Mas por que o título do texto é exatamente dormindo com um estranho (a)? Porque você provavelmente não reconhecerá seu parceiro (a) no momento em que ele literalmente “romper” esta linha: ele (a) vai se portar como nunca havia se portado, terá uma mudança brusca de humor, ficará depressivo (a) e logo depois eufórico (a), ficará extremamente ansioso (a); ele (a) vai adorá-la (o) e odiá-la (o) em questão de minutos, ele (a) provavelmente vai fazer você conhecer uma pessoa que se você pudesse, jamais gostaria de ter visto em sua vida. Neste momento é chegada a hora de TODOS visitarem Psicólogos, Psiquiatras, Terapeutas, tantos quantos necessários. É chegada a hora da família se cuidar, se tratar, sim, da família, e não apenas do indivíduo "border", lembre-se, instabilidades emocionais afetam a TODOS e não apenas ao objeto instável. Portanto, é preciso que todos estejam BEM e CONFORTÁVEIS, busquem 2, 5, 10, profissionais, não importa, a saúde física e emocional de todos os envolvidos precisa ser cuidada para que TODOS fiquem saudáveis.

Agora atente; uma coisa é preciso muita atenção; seu parceiro (a) não mudou de uma hora para outra, ele sempre foi assim, ele (a) já havia dado “sinais”, “dicas”, você apenas não havia percebido, “não queria” perceber, não havia dado a "devida atenção", ou como a maioria das pessoas, achava que ele (a) era “de lua”. A linha tênue se rompe de uma hora para outra, mas antes disto ocorrer, inúmeros "recados" são enviados. Comportamentos diferenciados que envolvam EMOÇÃO, SENTIMENTO, TRANSTORNOS (EUFORIA ou DEPRESSÃO), ABUSO DE SUBSTÂNCIAS ILÍCITAS, FRAGMENTAÇÃO DE IDENTIDADE, TUDO ISSO, PRECISA DE ATENÇÃO!!!!!!

Você pode estar vendo este filme pela primeira vez, mas não precisa se assustar. Você pode fazer com que ele seja um drama, uma comédia da vida privada ou um thriller, tudo depende de como você encara a vida; é para ser vivida ou deixa passar?


Carla Gameiro Dias

Mulher, Mãe, Psicóloga, aprendiz da vida, seguidora fiel do amor...porque quando o coração diz sim, eu vou, sem dúvida, sem pensar duas vezes, porque ele não erra, nunca....
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