Carla Gameiro Dias

Mulher, Mãe, Psicóloga, aprendiz da vida, seguidora fiel do amor...porque quando o coração diz sim, eu vou, sem dúvida, sem pensar duas vezes, porque ele não erra, nunca...

Amor; jovem ou maduro?

"Esses moços, pobre moços
Ah se soubessem o que eu sei
Não amavam não passavam
Aquilo que eu já passei

Por meus olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que eu peço a esses moços
Que acreditem em mim." (Esses Moços - Lupicínio Rodrigues)


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“Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse!!!” (Henri Estienne – Filósofo Humanista)

Bastou ler uma única vez e nunca mais a citação acima saiu de minha cabeça, virou lema de vida, e eu ainda era uma adolescente tresloucada, (o “era” aqui é só para adolescente, tresloucada continuo). Dentro de minha “insanidade” autorizada (existem as NÃO AUTORIZADAS, aquelas bem massacradas e MITIFICADAS pela nossa sociedade) eu tentava ir ao cerne da frase, ler o que não estava escrito (eu já era velha e nem sabia!!!)

Se os jovens soubessem...mas soubessem o que??? Soubessem sobre a vida, suas vicissitudes, os passos descontínuos, não programados, as surpresas lindas e os sustos indigestos, as curvas às vezes tão sinuosas que se transformam em ângulos isósceles e nos obrigam literalmente a quebrar o rumo... se eles soubessem que o planificado quase sempre é jogado fora, porque a vida não usa planilhas, ela as odeia...

Se a juventude soubesse que de sonhos a vida é feita, mas que para chegar lá, caminhos nada doces podem se apresentar...se eles soubessem que as histórias de amor não são contos de fadas (ainda bem), mas que são narrativas verdadeiras e que nestas biografias, também existem lobos maus que nem sempre são tão maus assim...pois é, mas isso, só se a juventude soubesse...

Se eles pudessem enxergar o adiante, nem tão longe, só um pouco, veriam que no Amor as fábulas são possíveis, mas diferente de nossos infantis contos, o final pode ser triste, ainda que não seja um fracasso. Mas para entender que tristeza e fracasso são diferentes, a juventude precisaria saber... que após uma noite de lágrimas e choros compulsivos, um dia renasce...mas isso só a velhice pode entender, porque demora, demora muito para alcançar esta percepção, porque a juventude é HOJE, e a maturidade é TODO DIA...

Na juventude queremos a FORMA, aqui o Amor é definido em sua maioria, esteticamente; na maturidade queremos a ESSÊNCIA e descobrimos que o cheiro, o som e a “forma” do Amor, já não são os mesmos, mas infinitamente melhores. Na juventude a busca pelo Amor é visual, na maturidade ela é olfativa, sensorial, e por isso mesmo, muito mais intricada. Na juventude a busca pelo Amor é quantitativa, vale o quanto “pesa”, o quanto “pega”, o quanto “mede”; na maturidade a procura é pela “bossa”, pela “mestria”, pela habilidade, pela destreza.

Na juventude o que “vier tá valendo”, na maturidade só vale o que se escolhe. A juventude corre em busca da fogueira acesa, do desejo que queima acelerado; a maturidade quer a “chama” que queima lentamente...

Na juventude a idade e a aparência são molas propulsoras; na maturidade as últimas coisas a seriam vistas são data de nascimento e forma, porque nem sempre a forma envolve conteúdo, e quando a maturidade chega, mais vale uma noite inteira de conversa fiada, do que duas horas "fogosas", “intensas” sem conversa alguma. Na juventude anseia-se a chegada, na maturidade o que vale é o caminho percorrido, a estrada margeada, as pegadas dadas uma a uma. Porque o jovem, como ainda não sabe (pobre juventude), quer apenas saciar a “sede” e os velhos, que já cruzaram esta seara, tem fome de substância.

Mas logo ali a frente, numa curva um pouco mais acentuada, com os “vinte e poucos anos” já deixados para trás, este jovem, agora maduro, finalmente entenderá o que o velho sempre disse; não porque velho saiba mais (ah se a velhice pudesse!!!), mas porque antes de velho ser, ele viveu esta mesma juventude.

Quem dera a vida desse um jeito e colocasse isso tudo num copo só e chacoalhasse bem direitinho; juventude e maturidade, sapiência e ignorância, tudo junto e misturado, seria uma receita e tanto; mas como a vida é essa moça desregrada, ela separa tudo mesmo e obriga jovem a dar cabeçada e velho (às vezes) não dar passo errado.

Para os velhos resta o consolo de ter vivido antes dos jovens aquilo que eles sequer sabem; e para a juventude a esperança de um dia saber tanto quanto os velhos que foram presenteados pela maturidade...

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Fonte de imagens: Google


Carla Gameiro Dias

Mulher, Mãe, Psicóloga, aprendiz da vida, seguidora fiel do amor...porque quando o coração diz sim, eu vou, sem dúvida, sem pensar duas vezes, porque ele não erra, nunca....
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