conversa literária

Porque Literatura é assunto para todo dia...

Pamela Camocardi

Professora, escritora e teimosa. Criadora do site ¨Entrelinhas Literárias¨, tem a péssima mania de transformar em textos palavras que não deveriam ser ditas.

De amor, meu bem, ninguém morre

Os sintomas são dolorosos: respiração pesada, desaparecimento do ânimo, tristeza absoluta. Parece mais o fim da vida do que o fim de um relacionamento. Mas, a verdade é que de amor ninguém morre e essas sensações irão passar. Sempre passam.


É verdade que perder um amor é uma tarefa de gigantes para lidar. Todo fim de relacionamento traz consigo sentimentos fortes e devastadores: sentimo-nos culpados ( de culpas que não temos), sentimentos saudades do que nunca existiu e imaginamos cenas dignas de contos de fadas, tudo isso porque os sintomas da abstinência do fim são piores que a euforia do começo.

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Vamos aos fatos: quantas pessoas já foram embora de nossa vida? Quantos amores achamos que seriam eternos? Quantos "para sempre" dissemos sem lembrar que o amanhã não existe? O amor faz isso e quando o sentimento é rompido deixa um vazio difícil de ser preenchido.Muitas vezes, o sentimento de solidão encobre os outros sentimentos e não permite que vejamos o óbvio: o fim do amor não é quando ele acaba, é quando as pequenas ações desgastam o que julgávamos eterno. A separação não aconteceu da noite para o dia. Aconteceu quando o diálogo deu lugar ao seriado, quando o "eu te amo" virou bom dia e quando a luta pelo controle remoto ficou digna da UFC. Foi aí que o amor acabou se perdendo. E tudo bem! Algumas coisas não foram feitas para durar mesmo. Carpinejar, com seu romantismo moderno, escreveu que "uma relação nem sempre termina porque não é feliz. Às vezes termina para preservar a felicidade da memória."

Muitas vezes o amor assiste à própria morte. Algumas vezes, sabemos que a possibilidade daquele relacionamento dar certo é mínima, mas insistimos até que a alegria dê lugar a uma profunda ferida. Insistimos pelo medo do fim, da rejeição, da perda. Tão bobo isso, mas insistimos e, somente depois de um bom tempo, aprendemos que sofrer é aceitar a própria evolução. Aos poucos a dor vai dando lugar à paz, você volta a sorrir e aprende a viver sem, da mesma forma que aprendeu a viver com. Aprende a fazer as coisas que julgava românticas com o mesmo amor, só que agora, prioriza o próprio. "No fim, é verdade, ninguém morre de amor. A dor do abandono é incomparável, o eco da solidão é assustador, o buraco que se abre na alma deixa sem ar, as lágrimas são como rios, a voz fica embargada, choramos tanto que chegamos a tremer, parece que o apocalipse se faz dentro de nós, e que não existe nada que possa nos ajudar. Porém, com o tempo a gente começa a aceitar. Começa a acreditar que tudo faz parte de um plano maior. Que aquela noite sangrenta, dolorosa, amarga e inesquecível, vai ficar pra sempre na nossa vida, mas irá nos engrandecer. E aí, a gente vê... Que a vida segue. É só permitir." (Ferrnando Sabino)

É na solidão que vem o autoconhecimento. Aqueles momentos de silêncio se fazem necessários para que a calmaria chegue e permaneça no peito. Nesse período não se exponha, não coloque fotos em redes sociais para mostrar o quão rápido você superou ou o quão feliz você é. Lembre-se que satisfação damos para nós mesmos e que os outros, são apenas os outros. Aprenda que os finais de semana sempre existirão, que o vinho sempre terá o mesmo gosto e que o seu lugar no barzinho sempre estará lá. Outras histórias virão, outros sorrisos, outros motivos...outros amores. Porque, afinal, como dizia Quintana: "Tão bom morrer de amor! E continuar vivendo."


Pamela Camocardi

Professora, escritora e teimosa. Criadora do site ¨Entrelinhas Literárias¨, tem a péssima mania de transformar em textos palavras que não deveriam ser ditas..
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