corpo de letras

Epítomes pragmáticas cotidianas

Priscila Oliete

Sabe de tudo um pouco. Por isso sabe que não sabe nada. Por isso sempre em busca de mais conhecimento.

Da arte de escrever para ser lido

Nesse mundo contemporâneo cibernético, todo mundo tem uma opinião e todos querem expressá-la. A preocupação em se fazer claro parece estar ficando para um segundo, terceiro plano. E o respeito também. Ofensas e preguiça parecem ser a bola da vez - “porque é o que eu acho e pronto, se não concorda, dane-se!”. Ouvir o outro, argumentar, ou defender sua ideia deram lugar às ofensas, pré-conceitos ou simplesmente um mórbido silêncio. Mas será que é sempre assim?


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De que adianta todo rebuscamento se, no fim, justifica-se a falta de argumentos dizendo-se com preguiça para esclarecer as ideias declaradas? Se há fé no que se defende, por que a preguiça em defender sua tese? Dizer que não vale a pena explicar para quem não quer entender seria ato falho - sou toda ouvidos! Mas ninguém me responde e sou obrigada a aceitar desculpas vãs.

Se escrevo para ser lida, penso que o mais importante é fazer-me clara. Ideias subjetivas precisam ser explicadas; palavras ambíguas, contextualizadas; frases sub-reptícias, desmembradas. O mesmo serve para o discurso de quem quer ser ouvido. E entendido. Não importa se você está escrevendo um comentário em uma rede social, em um blog, em um site, ou em uma folha de papel! Argumentar sob a ótica da retórica serve apenas a políticos. Eles falam às massas, e as massas, por si, são ignorantes. Eu? Quero que as massas se individualizem, se personalizem, se eduquem, se confraternizem, para, então, massificarem-se novamente. De qualquer forma, já não serão mais um aglutinado moldado ao bel prazer de algum manipulador de discurso inócuo; mas um conjunto de indivíduos que se complementam e se unem para um bem maior, um bem comum.

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“Fazer o bem, sem olhar a quem.” O pré-julgamento, muito mais comum do que pensamos, é apenas a chave para abrir a porta do pré-conceito. E o preconceito meus caros, ainda é a mais mortal doença do nosso mundo... Mas o que isso tem a ver com escrever? A partir do momento que expomos nossa opinião acerca de algo/alguém, estamos influenciando (ou não...) diversas opiniões. Portanto, a responsabilidade é inerente àquele que, de qualquer forma, se expressa. Assumir essa responsabilidade não passa pela cabeça da maioria das pessoas que falam e escrevem milhares de besteiras. Besteiras? Como julgar que são besteiras?

São duas perguntas e ainda nenhuma resposta, vocês dirão. Portanto, segue: se você considera uma opinião como besteira antes de analisá-la, há um preconceito de sua parte. Primeiro há de respeitar a ideia alheia e só então defenda a sua, com argumentos. E sem preguiça.

O comportamento intolerante com relação ao outro é cada dia mais nítido em nosso convívio social. Quem não respeita o espaço do outro, em algum momento, também deixará de ser respeitado. E vai reclamar! E vão discutir! E ninguém vai ganhar... Quem é o errado: o que desrespeitou primeiro, ou o que foi intolerante? Ambos. Portanto, nesse nosso novo mundo de amizades, pesquisas, contatos, diálogos e traumas cibernéticos (e físicos), o respeito e a tolerância com a escrita e o texto alheio fazem-se urgentemente necessários! O desleixo gramatical e ortográfico mostra que o mais importante é colocar sua opinião - mesmo que ela não fique clara para o outro. Você se expressou, é o que importa. O outro que vá plantar batatas...

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“Ao vencedor, as batatas”. Queremos ser compreendidos, mas não nos esforçamos para ser claros. Queremos ser respeitados, mas não respeitamos. Queremos receber, mas tem sido cada vez mais difícil dar... Que coisa triste! Mas júbilo! Não é sempre assim! “Mais amor, por favor” e nossas palavras podem ser mais leves para que nossas ideias possam ser defendidas, não impostas; para que nosso ponto de vista possa ser compartilhado e, talvez, consigamos um adepto - ou nos rendamos a outra opinião. Não somos seres engessados e não podemos nos render à preguiça de compartilhar e enriquecer nosso conhecimento. É assim que evoluímos, que nos tornamos pessoas melhores.

Textos são para serem lidos, sejam situações reais ou fictícias, sejam comédias da vida privada ou estórias inventadas; por isso a ambiguidade e a intolerância devem passar longe. Quanto mais opiniões, melhor, assim enriquecemos o seu, o meu, o nosso vocabulário! Vamos trocar, intercambiar, mesclar, miscigenar as ideias! Aprender, ensinar, passar, repassar, resgatar, rememorar! O que nos faz bem, pode fazer ao outro também! O que não nos convém, não vale o compartilhamento.

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Tenho lido muita coisa boa, muito “mais do mesmo” e muita coisa à toa. Em todo tipo de leitura, há o bom e o ruim. Respeitar isso nos abre espaço para pensar e avaliar se devemos julgar ou analisar; condenar ou tentar entender. Empatia é uma dádiva. Uma história nunca tem um lado só, cada protagonista tem seu ponto de vista, sua opinião. Generalizar, amalgamar, dificilmente são as melhores opções. Da mesma forma, acreditar que o seu ponto de vista, que a sua opinião é a única que importa, que é a lei correta, parece indicar que é hora de rever os seus conceitos. Se as justificativas possuem lacunas, repense-as; o que justifica preenche as dúvidas, pode até suscitar outras perguntas, novas porém. Arriscar-se entre palavras requer coragem, mas antes de tudo, preparo. Quantos despreparados encaramos todos os dias! Estejamos nós preparados para que possamos ensinar ou aprender algo de bom.


Priscila Oliete

Sabe de tudo um pouco. Por isso sabe que não sabe nada. Por isso sempre em busca de mais conhecimento..
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