cotidiana

Lugar onde as ideias não param

Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching.
É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia.
Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos.
www.anapaulapeixer.com.br

Escolhas

Tudo parte de uma escolha. E cada escolha demanda uma renúncia.
As nossas maiores dores residem no fato de termos muita, mas muita dificuldade mesmo de escolher.
Mas o que nos dói não é só a “escolha" em si, mas o fato de termos que renunciar algo que não gostaríamos. Temos uma tendência natural, humana, de querer abraçar tudo, queremos ter tudo, não queremos ter que “escolher”.


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Isso tudo começa muito cedo, queremos os brinquedos, queremos a mãe, queremos o pai. Depois queremos os amigos, queremos as melhores notas, a sociedade nos move para uma competitividade constante, os melhores lugares no vestibular, na empresa, na sala de aula.

E nem sempre nossos pais nos ensinam a escolher. Até porque eles passam anos, mesmo na vida adulta, não sabendo escolher.

Quer um exemplo disso?

Dizer não, esta é uma GRANDE escolha na vida.

Conheço muita gente que não sabe dizer não e engole sapo todos os dias e acaba com uma bela de uma úlcera no estômago porque sempre faz o que não quer para agradar as pessoas com a ilusão de que será aceita ou amada por sempre dizer sim. Esta é uma grande ilusão.

A ilusão está exatamente no fato de que precisamos SEMPRE agradar as pessoas. Caro leitor, cara leitora, entenda, o maior trabalho da Psicologia é promover um senso de individuação nas pessoas. Ou seja, sermos quem somos independente da opinião dos outros. Mas perceba, aqui não digo que as relações não são importantes, muito pelo contrários, somos seres afetivos e sociais, precisamos estar e viver em sociedade. Mas podemos e devemos, para a nossa felicidade, atingir um nível de autoconhecimento e autoamor tal que possamos escolher livremente e ser livremente incondicionalmente a opinião dos outros.

E por que eu te digo isso?

Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, dizia que costumamos projetar no outro aquilo que não gostamos em nós. Então o fato é que, aquele que te olha atravessado, aquela que critica seu cabelo, aquela que fala do seu peso, nada mais é do que alguém que pode estar projetando uma questão pessoal em você, ou seja, se você está se importando e sofrendo com isso, está tomando para si algo que não é seu. Qual será a sua escolha?

Então você me dirá: mas Ana, não consigo mudar de atitude, já me acostumei, sou assim. Pois te afirmo, a neurociência já descobriu que nosso cérebro se adapta e aprende, basta treiná-lo e ele aprende novas formas de ver o mundo e viver, então pratique como um “mantra" novas maneiras de ver e logo você poderá se libertar de certas crenças condicionantes.

Outro exemplo, seu filho está crescendo, quanto tempo você tem para educá-lo com exemplos e não só com palavras? Você pára para exercitar valores e princípios com ele? Leva-o num orfanato para ensiná-lo a partilhar, a olhar o outro com compaixão, a ser grato pelo que tem?

Não? Só tagarela todos os dias as mesmas frases “sem efeito” e acha que ele poderá entender algo que não visualiza e não SENTE aos 5, 7, 8, ou 10 anos?

Ou então você me dirá, "tadinho" dele(a) não sabe escolher ainda, sou responsável por ele, ele não pode escolher sozinho(a)…

Depois não reclame se ele se tornar um mimado, acomodado e insensível, a educação é sua, as escolhas são suas.

Cada idade tem a sua demanda, sua maturidade, aos poucos você pode ensiná-lo a escolher e assumir suas escolhas e responsabilidades para pequenas coisas.

Por exemplo, a partir dos 3 ou 4 aninhos você pode ensiná-lo a ajudar a guardar os brinquedos, com 6 ou 7 aninhos ele pode aprender a doar, dividir, se desapegar de alguns brinquedos, visitar crianças ou instituições pra criar empatia, ter gratidão…Depende da sua escolha de DEDICAR tempo para educar.

Outro exemplo, você não cuida das contas, não busca saber como andam os seus impostos, não conversa com seu contador ou não administra bem a sua casa, de repente está endividado, ou endividada, e aí começa a ladainha, mais uma vez a escolha foi sua.

Esta é uma filosofia fundamental da Kabbalah, a linha mística do judaísmo, somos o que escolhemos, colhemos o que plantamos e precisamos amadurecer espiritualmente e emocionalmente para entender que somos responsáveis pelas nossas escolhas e precisamos refiná-las com o decorrer do tempo, ou seja, PRECISAMOS aprender a escolher e ensinar nossos filhos a escolher.

Quanto mais refinarmos nossas escolhas menos sofrimento teremos. Quanto mais nos conhecermos e descobrirmos nossos talentos, potenciais, limitações, melhor serão nossas escolhas.


Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching. É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia. Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos. www.anapaulapeixer.com.br.
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