cotidiana

Lugar onde as ideias não param

Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching.
É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia.
Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos.
www.anapaulapeixer.com.br

Como o cinema educa

Como o cinema nos ajuda a entender tempos, épocas e correlações da história no passado, presente e futuro.
O cinema é uma biblioteca de conteúdos infindáveis e úteis, que nos fazem viajar pela história do conhecimento humano. Além do que, tem uma linguagem acessível e que pode ser acessada por todos os públicos.


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Política nasceu antes da esquerda ou da direita. Muito antes do PSDB ou do PT. Antes de Stalin, Hitler ou Pedro Álvares Cabral.

Antes de Edir Macedo, Silas Malafaia, Marcos Feliciano.

Política nasceu na Grécia. Era uma filosofia que pensava a relação na "pólis", ou cidade.

Política na Grécia não era feita a cada quatro anos, tempo em que as pessoas não mais lembram em quem votaram nas últimas eleições, lá, naquela época, os cidadãos se encontravam frequentemente.

Mas não é porque eles eram mais filosóficos que nós que signifique que eram tempos fáceis, ou que a cultura era pacífica.

Os meninos já aprendiam desde cedo o que era lutar e guerrear.

As mulheres muitas vezes eram usadas como apenas "máquinas de engravidar", escravos cuidavam dos afazeres enquanto os filósofos e pedagogos cuidavam da educação e de pensar a "pólis".

Os séculos passaram, a industrialização chegou, mas os interesses não mudaram.

Os políticos de hoje ainda consultam os "oráculos" como na Grécia, eles só mudaram de nome. Alguns estão profetizando nas igrejas evangélicas, outros estão jogando búzios e tarô nos centros de umbanda, ou consultando orixás e entidades. Mas na maior parte das vezes o que se oferta, como na Grécia, é o dinheiro, as moedas, o ouro, a prata. E assim, a integridade continua sendo negociada, o voto continua sendo manipulado e os interesses continuam os mesmos: perpetuar o poder.

Penso que o cinema nos traz uma visão bastante ampla da história mundial.

Sei que alguns críticos da Escola de Frankfurt podem negar, contrapor, devido à crítica da reprodutibilidade técnica da obra cinematográfica*, mas mesmo assim, um filme bem dirigido, com um roteiro bem adaptado pode render conhecimento e imaginação acerca do que o mundo já viveu e contemplou. Guerras, genocídios, romances, histórias, descobertas, avanços científicos, pacifistas, milagreiros, povos, culturas, nações. O cinema produzido em todo o mundo, sempre tem algo novo, velho, sempre atual e reeditável para nos brindar.

Sobre política temos alguns títulos interessantes como - 300, O Grande Ditador, A Lista de Schindler, O Jogo da Imitação, Cidadão Kane, A Dama de Ferro, Lincoln, Gandhi, Zuzu Angel.

Mas hoje, a indústria cinematográfica tem produzido uma nova gama de filmes.

Alguns são as histórias infantis vistas sob um novo ponto de vista. O do "feminismo" e da diversidade.

Nas novas versões de Malévola, João e Maria, Branca de Neve e o novo Frozen, não vemos mais príncipes salvando princesas.

Não vemos mais as mulheres sendo consideradas incapazes e dependentes. Elas são retratadas como independentes, co-participantes, empreendedoras e promotoras da sua própria felicidade e liberdade.

Além disso, o amor entre mulheres, amigas, irmãs, madrastas, etc, nunca foi tão mostrado pelo cinema.

Simone de Beauvoir já disse que não se nasce mulher, torna-se. E finalmente estas histórias estão sendo contadas.

Nada pode ser mais libertador e útil do que assistir filmes com temática psiquiátrica ou psicológica - Cidade dos Sonhos, Freud Além da Alma, Histeria, Um Método Perigoso, Garota Interrompida, Precisamos Falar sobre Kevin - eles nos despertam para a realidade intrapsíquica e para as relações sociais que nos cercam. Já imaginou morar ao lado de um psicopata? Ou então, como resolver aquele conflito de relacionamento, ou aquele problema de libido????

Uma outra tendência da atualidade são as megaproduções sobre Física Quântica e Neurociência - Interstelar, Lucy, Transcendence - que mostram, o poder escondido em nosso cérebro e a conexão que temos com o universo.

Enfim, o cinema é uma biblioteca de conteúdos infindáveis e úteis, que nos fazem viajar pela história do conhecimento humano. Além do que, tem uma linguagem acessível e que pode ser acessada por todos os públicos.

*Reprodutibilidade técnica e caráter aurático da obra - para alguns pensadores da Escola de Frankfurt a pintura era uma obra pura, inspirada de forma singular no momento em que era produzida. Mais do que a fotografia e o cinema, a pintura não tinha a manipulação da edição do olhar do diretor ou do fotógrafo. Para eles, aquilo que é feito em série, sob encomenda(capitalismo) ou pode ser editado perde o caráter puro, a aura da criação.


Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching. É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia. Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos. www.anapaulapeixer.com.br.
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