cotidiana

Lugar onde as ideias não param

Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching.
É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia.
Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos.
www.anapaulapeixer.com.br

A loucura completa como cura para as dores

Somos desde cedo amarrados, contidos, formatados, castrados, adoecidos, condicionados - pela igreja, escola, sociedade, política, família, hospital, clínica, Estado.
A medicina tem seu CID que "deCiDe" quem é normal ou doente.
Que possamos transpor isto.
Que possamos ser nós mesmos, nos olhar nos espelho e uns para os outros com a coragem e a alegria de conversar e dizer o que se pensa, mas principalmente o que se sente.
Que tenhamos novamente a coragem de sentir.


ver_ao_espelho-300x280.png

As vezes é preciso ter a coragem de enlouquecer.

SIM, enlouquecer. Sair do comum, do tradicional, do conservador, ir além, transcender, dissociar, perder a lucidez, encarar a loucura para poder então ressurgir melhor, novo, curado.

Até meados da década de 80 homossexualidade era chamada de ISMO (homossexualismo) - termo que foi abolido, "graças a Deus", como doença pela psiquiatria.

Quando você lê a definição de saúde e NORMALIDADE dentro da psiquiatria e da psicologia, tem muito a ver com aquilo que é aceito pela cultura.

E aí, quando lemos Jean Yves Leloup em "NORMOSE", vemos que a cultura é insana, doente, voltada para o consumo e para a morte e isso tudo é NORMAL.

Fumar, beber, matar animais para consumo e roupas, etc. Tudo é "normal".

Normose, a doença do normal.

Então, quem é realmente considerado louco nesta sociedade?

Foucault escreveu "Vigiar e Punir" para nos mostrar os aparelhos controladores do Estado, os que eu cito no começo deste texto.

E nós, no meio de tudo isso, permanecemos infelizes, tentando nos encaixar em formatos doentios, sendo medicados por um sistema adoecedor e muitas vezes permanecemos cegos e alheios a tudo o que está acontecendo...

E depois não entendemos porque estamos tão doentes, debilitados, sozinhos, agarrados ao telefone celular, cegos de sentidos, infelizes, vazios. Nos sentindo sozinhos mesmo acompanhados. Os famosos casais que sentam à mesa e ficam no celular, alienados.

Por isso começo este texto chamando para uma certa "coragem" de romper com modelos.

Quebrar barreiras e conseguir transpor a dor de tudo que te castrou e te fez definhar por todos estes anos.

Que possamos ser nós mesmos e sem medo discordar de regras que matam, "ferem", destróem o ser humano e a sanidade.

Que possamos nos olhar nos espelho e uns para os outros com a coragem e a alegria de conversar e dizer o que se pensa, mas principalmente o que se sente.

Que tenhamos novamente a coragem de sentir.

E sobre sentir, talvez eu aprofunde em outro texto.

Até a próxima.


Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching. É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia. Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos. www.anapaulapeixer.com.br.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// //Ana Paula Peixer