cotidiana

Lugar onde as ideias não param

Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching.
É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia.
Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos.
www.anapaulapeixer.com.br

Senso de Propósito na Carreira

Então se o ser humano é feito de aparelho psíquico que se divide em consciente, subconsciente e inconsciente e possui muito mais recursos do que apenas a fala, a escrita e a matemática, até quando continuaremos fazendo análises e gestão superficial em nossas corporações? Ou até quando contrataremos as pessoas e as deixaremos a esmo, sem valorizá-las pelos seus talentos reais e desenvolvê-las para que sejam plenas e felizes em suas funções?
Nunca me esqueço de uma palestra que assisti em São Paulo de uma das mulheres mais poderosas do mundo segundo a Boston Magazine, professora da Harvard Business School - Rosabeth Moss Kanter: “Em poucos anos só conseguiremos reter talentos se os oferecermos um real senso de propósito”.


carreira-Firmeza-flexível.jpg Do que o ser humano é feito?

Matéria e não matéria. Assim como a física quântica já descobriu que existe a matéria, matéria escura - ainda um mistério - e a anti-matéria, e que cerca de 99% do universo é desconhecido e que o que vemos em todas as galáxias e planetas é apenas 1% materializado. Da mesma maneira, o ser humano é algo que pode ter infinitivos recursos e "performar" de várias formas alternativas e adaptáveis, mas deve ser bem conduzido e desenvolvido para que isto aconteça. Para que um gestor ou líder possa atuar de forma ajustada a estas demandas que acabamos de citar, há a fundamental compreensão de que não somos feitos só de palavras e atitudes físicas, que a única linguagem não é a verbal.

Somos feitos de corpo, matéria, mas temos um aparelho psíquico, uma mente. Freud descobriu o poder do inconsciente no final do século XIX e publicou seus artigos no início do século XX. Sim, a psicologia é relativamente recente e infelizmente, muitos empresários e gestores ainda não se deram conta da realidade de que nossas ações e pensamentos são complexos e até mesmo a neurociência já concorda que 95% das nossas atitudes são provenientes de pulsões do inconsciente. Ou seja, que lógica há em acharmos que o que é dito é o que corresponde a verdade? Seja isto em uma entrevista de emprego, desenvolvimento e gestão de equipes ou numa reunião de feedback?          

Além do corpo versus aparelho psíquico, temos a mente versus cérebro, o que ainda é muito mais complexo. Neurociência e psiquiatria estão, há décadas, tentando entender onde começa um e termina o outro, e o que mais se conclui é que, um age sobre o outro.

Então, aí está um dos pressupostos na liderança estratégica. O líder (gestor) precisa entender de psique e de cérebro, pelo menos o básico, para saber com que tipo de pessoa, talento ou personalidade está lidando, senão, não conseguirá enxergar talentos além das “aparências” e viverá no mundo ilusório das palavras. E Lacan já sabia muito bem o quanto um discurso pode ser mentiroso, ou o quanto o consciente não suporta certas verdades (escondidas no inconsciente) e costuma “esconder” ou mascarar “verdades”  que precisam ser encaradas, refletidas e transformadas.

Além da Psique, as Múltiplas Inteligências e o Senso de Propósito no Trabalho

Howard Gardner, psicólogo americano e Daniel Goleman desenvolveram muito recentemente conceitos que valorizam além da inteligência lógico-matemática e linguística. Gardner desenvolveu na década de 80 o conceito de inteligências múltiplas e Goleman na década de 90 a teoria de inteligência emocional, esta ganhou popularidade e seus livros se tornaram muito difundidos. É fato que tudo o que aqui escrevemos e refletimos começou há muito tempo, ainda antes do nascimento da era cristã com os gregos e a sua filosofia, mas a evolução da psicologia e da neurociência traz de forma contemporânea e numa linguagem mais acessível as noções que precisamos abarcar para atuar de forma eficaz na gestão de pessoas.

Gardner pontua 9 inteligências: 1 Lógico-matemática 2 Cinestésica-corporal 3 Existencial ou “espiritual" 4 Intrapessoal que é o autoconhecimento 5 Interpessoal (relacionamento com os outros) 6 Artística 7 Naturalista 8 Linguística 9 Visual-espacial

Daniel Goleman depois de lançar seu livro sobre a inteligência emocional também acompanhou as mesmas tendências lançando um sobre inteligência social, outro sobre inteligência ecológica e, agora mais recentemente, um sobre o cérebro e a inteligência emocional.

Então se o ser humano é feito de aparelho psíquico que se divide em consciente, subconsciente e inconsciente e possui muito mais recursos do que apenas a fala, a escrita e a matemática, até quando continuaremos fazendo análises e gestão superficial em nossas corporações? Ou até quando contrataremos as pessoas e as deixaremos a esmo, sem valorizá-las pelos seus talentos reais e desenvolvê-las para que sejam plenas e felizes em suas funções?

Se a genética aponta que nossas memórias celulares influenciam nossa maneira de agir, ser e pensar, como poderemos “reprogramar” nossas próximas gerações para a felicidade, a saúde e produtividade com senso de propósito no trabalho e na vida?

O que nos resta é refletir, buscar novos conhecimentos e colocá-los em prática. Nunca me esqueço de uma palestra que assisti em São Paulo de uma das mulheres mais poderosas do mundo segundo a Boston Magazine, professora da Harvard Business School - Rosabeth Moss Kanter: “Em poucos anos só conseguiremos reter talentos se os oferecermos um real senso de propósito”.


Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching. É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia. Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos. www.anapaulapeixer.com.br.
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