cotidiana

Lugar onde as ideias não param

Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching.
É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia.
Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos.
www.anapaulapeixer.com.br

A geração Z, a política e o mercado de trabalho

Mas toda esta história de repressão convenceu a muitos dos nossos antepassados. Só que veio o iluminismo, o renascimento, o antropocentrismo, hedonismo, revolução francesa, feminismo, revolução industrial, protestantismo, liberação sexual dos gays, etc. E muitos destes dogmas caíram e continuam caindo por terra. Traduzindo - as novas gerações têm mais acesso a informação, fazem sexo com menos culpa, assumem a sua sexualidade (trans, bi, homo, hetero, pan) - mais cedo, saem de casa mais tarde (casam mais tarde), as mulheres estão dominando o mercado de trabalho, nem todas se sentem obrigadas a ter filhos, elas estão entrando na política, etc. Sim, as coisas mudaram, repito. E mais uma vez pergunto: Como a escola, a política, as instituições, a igreja e as empresas enxergam isto?


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Pois é, já faz tempo que as coisas vem mudando, mas e você? Mais uma vez esta coluna sugere uma reflexão sobre mudanças.

Nossos avós (eu sou da década de 70) assistiam TV, dependiam dos jornais para ficarem atualizados, esperavam, as vezes, até 24 horas para saberem o que estava acontecendo do outro lado do mundo, não tinham celulares e mal tinham uma “BARSA” (enciclopédia) para pesquisar sobre algo. Hoje, os “nativos digitais” sabem de tudo em tempo real, as coisas acontecem de forma simultânea e a internet oferece informações de todas as décadas da história do mundo de forma livre, ilimitada e grátis. Mas, o que de fato estamos fazendo com tanto conteúdo e acesso? Como a escola está ajudando, ou não, os alunos a usufruírem destes benefícios? E as empresas, como elas estão se preparando para receber estes jovens?

Bem, o ser humano, desde os primórdios, dependia da opinião, do governo, ou do controle de alguém para se sentir seguro, legitimado. Tudo começa nas “sociedades totêmicas” com a necessidade de uma comunhão com antepassados ou com as manifestações da natureza. Depois veio a filosofia (questionando a existência), a teologia (dogmatizando o divino) e por fim a psicologia que questiona todos esses processos e busca ajudar o homem a lidar com a questão central da vida - o desejo e a libido, estes que se manifestam tanto na vida sexual, quanto política, quanto na produção (trabalho), ou podem ser “reprimidos” - como na vida religiosa. Por isso Freud dizia que quando controlamos a libido das pessoas, nós as controlamos por completo. Ou conseguimos canalizar esta força para a força de trabalho - por isso a luta excessiva e maçante do Estado e da Igreja em demonizar o sexo, torná-lo pecaminoso, assim as pessoas trabalham mais.

Mas toda esta história convenceu a muitos dos nossos antepassados. Só que veio o iluminismo, o renascimento, o antropocentrismo, hedonismo, revolução francesa, feminismo, revolução industrial, protestantismo, liberação sexual dos gays, etc. E muitos destes dogmas caíram e continuam caindo por terra. Traduzindo - as novas gerações têm mais acesso a informação, fazem sexo com menos culpa, assumem a sua sexualidade (trans, bi, homo, hetero, pan) - mais cedo, saem de casa mais tarde (casam mais tarde), as mulheres estão dominando o mercado de trabalho, nem todas se sentem obrigadas a ter filhos, elas estão entrando na política, etc. Sim, as coisas mudaram, repito. E mais uma vez pergunto: Como a escola, a política, as instituições, a igreja e as empresas enxergam isto?

Estes dias estava conversando com um amigo que trabalha numa grande multinacional aqui de Joinville. E a área de produção no verão? Quase zero de automação, zero de planejamento sustentável, zero de cuidado com o ser humano, altos graus de calor embaixo de um teto de zinco quente, zero de refrigeração, alto grau de insalubridade, alto grau de rotatividade? A solução? Picolézinhos geladinhos e soro para hidratar. Sim, é isto que você está lendo. É assim há mais de 20 anos e vai continuar. E ai eu me pergunto: Vivemos uma era de insegurança política e econômica, mais até do que insegurança, uma frustração generalizada. Os jovens estão se sentindo incompreendidos pela escola, pela igreja, pela sociedade. Não se sentem representados na política (pois a velha corja comanda). Os pais continuam colocando filhos no mundo sem sequer ler um livro de Piaget ou qualquer livro sobre desenvolvimento infantil. Os pais inibem os estímulos nas crianças e sequer sabem como argumentar nas escolas com os professores, sequer sabem das evoluções na neurociência e no que a educação ainda precisa evoluir. É imensurável o número de mães que criam sozinhas seus filhos e os deixam sozinhos boa parte do tempo para poderem sustentar a casa. Estão órfãos. E, quando finalmente chegam nas empresas para poderem ter uma oportunidade, o que os espera? 40 Graus C na cabeça, um ar impossível de respirar e um “geladinho”? Ou então, graças ao governo incompetente e corrupto, um estágio para ganhar R$ 800,00 - sendo que o smartphone que ele gostaria de ter custa R$ 2.000,00? Ou então, no caso de jovens que precisam já sustentar uma família? Como pagar aluguel, água, luz e supermercado com R$ 1.000,00 por mês? Ou, no caso de um empreendedor jovem, quais estímulos se pode ter com a burocracia infernal e os impostos injustos para abrir uma empresa?

Palestrei em muitas escolas públicas e privadas de Joinville. Com alguns destes estudantes ainda tenho contato, e afirmo, temos muito pra melhorar e temos que olhar com muito mais cuidado e atenção para a família brasileira, para os jovens. A sociedade, muitas vezes mal informada acha que escândalo (para a família brasileira) é uma beijo “gay" numa novela. Mas depois deste texto, espero que você, querido leitor, possa rever seus conceitos e focar no que realmente importa para vermos um futuro melhor para esta geração. Vamos exigir mudanças na educação, na política, nas empresas e instituições, renovar o pensamento e principalmente, fazer o que Gandhi sabiamente disse: “Sermos a mudança que queremos ver no mundo”. Que a sua empresa seja um lugar fértil para jovens talentos, que nós sejamos promotores de transformação para as próximas gerações.


Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching. É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia. Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos. www.anapaulapeixer.com.br.
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