cotidiana

Lugar onde as ideias não param

Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching.
É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia.
Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos.
www.anapaulapeixer.com.br

Christopher Robin - A vida, a política e a antropologia nos contos e fábulas.


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Estamos em setembro de 2018.

Fui o cinema assistir Christopher Robin (Um reencontro inesquecível). Filme protagonizado por Ewan McGregor, do diretor Marc Forster.

Fato é que eu não estava muito a fim de ver ESTE filme, mas minha namorada, que tem um coração de ouro (leia-se - puro e cheio de esperança), afinal nossa diferença de idade e de vivência fazem valer nossas divergências sobre crenças e sentimentos em relação a vida; Assim como Chris, no filme, também se deixa levar pelas duras tragédias da vida e torna-se, por necessidade de sobrevivência, um homem mais frio e indiferente ao mundo sensível, fabuloso, feliz e fantástico como o de uma criança.

O filme começa com Christopher ainda criança, se divertindo na floresta, com uma casinha numa árvore, brincando e interagindo com Pooh, o ursinho - e sua trupe. Mas infelizmente, Chris precisa “crescer" e seus pais o mandam para um internato, umas das escolas mais rígidas de sua região. E os cortes subsequentes do filme, resumem e imprimem a dura realidade dos “adultos”… O casamento, a formação, o recrutamento para a guerra, a impossibilidade de estar perto quando sua filha nasce; e por fim, o CAPITALISMO desumano. Depois de voltar da guerra, Chris tem que trabalhar de forma exaustiva e dessensibilizada para manter sua família. Neste contexto, sua filha e esposa começam a entrar em crise, pois o pai, marido e amigo está muito ausente e elas já sofrem e reclamam por esta ausência.

A mãe e esposa, vivida por Hayley Atwell, decide então passar uns dias com a filha no campo. E Chris fica em casa, pois o trabalho o consome e agora a empresa exige uma redução drástica de custos, o que causa pânico e demanda ainda mais esforços por parte dos funcionários.

E sozinho, em casa, Chris desajeitadamente derruba um pote de mel sobre um desenho que ele mesmo fez de Pooh quando ainda criança e que sua filha achara no sótão em meio a bugigangas guardadas.

E é exatamente aí que a magia começa a acontecer.

Quando falamos em magia, estamos falando daquilo que permeia os contos, crônicas, fábulas e romances que são escritos desde a antiguidade. Mas que desde Senhor dos Anéis, Harry Potter e Crônicas de Nárnia vem ganhando mais destaque e admiração pelas gerações mais jovens, ou contemporâneas.

Vale ressaltar que Crônicas de Nárnia e Senhor dos Anéis foram escritos por pessoas que viveram a Segunda Guerra Mundial. Um escapismo necessário e urgente para trazer uma visão de esperança e futuro para adultos e jovens na época do pós-guerra.

Christopher Robin não foge muito a esta guerra. Continua fazendo uma reflexão sobre o universo frio e calculista, desumanizador dos adultos e clama pelo olhar hesitante porém necessário sobre a nossa criança interior. Esta que a psicologia demarca como a responsável pela nossa criatividade, inovação, expansão, capacidade de sentir, sonhar, ter esperança e brincar. Não levar a realidade tão a sério. Até porque: o que é real? Como tocamos o real?

Somos nossos pensamentos ou somos muito além desta dimensão? Questões já trabalhadas profundamente pelo hinduísmo, budismo e, na atualidade pela física quântica.

Voltando ao pote de mel. Dentro da magia natural sabemos que para atrair quem amamos ou fazer ativação elemental, o mel jogado em cima do nome ou da foto de alguém que amamos, poderá atrair o ser amado até nós, ou simplesmente trará benefícios e boas coisas para a pessoa a quem desejamos o amor. E é exatamente nesta hora, em que o mel cai sobre o desenho de Pooh, que ele, Pooh, retorna de um sono desde a época em que Christopher havia partido da floresta; mas agora desperto, Pooh mudará para sempre a vida, a família e a espiritualidade, a sensibilidade do personagem principal.

Quando Pooh acorda, sai para procurar seus amigos que outrora brincavam junto com Chris, mas não os encontra, e vagando acaba entrando em um portal (a árvore em que Chris tinha uma casinha). Ao usar o portal, magicamente, ele passa da floresta para a cidade, e desemboca numa praça em frente a casa de Chris.

Dentro da magia, as árvores são manifestação do poder divino. São uma hierofania* e expressão das forças criadoras da Vida Universal. Elas também são portais. Não se esqueça, na linguagem poética da Bíblia, Deus colocou uma árvore no meio do jardim da criação e ela produzia frutos (elementos) capazes de transmitir e transmutar energias vitais.

Enfim, o filme é uma jornada interessantíssima para transcender e conhecer, se aprofundar e cultuar não só a espiritualidade universal, mas nossa criança interior, impulsionar e resgatar nossos sonhos e potencialidades e, principalmente, voltar a sonhar e realizar, muito além do piloto automático do dia a dia.

*aparecimento ou manifestação reveladora do sagrado.


Ana Paula Peixer

Ana Paula Peixer é Coach, membro da Sociedade Brasileira de Coaching. É escritora e teóloga com Pós em Neuropsicopedagogia. Atua com coaching, aulas, palestras e treinamentos corporativos. www.anapaulapeixer.com.br.
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