cotidianidades

Porque o cotidiano também esconde o extraordinário

Rafaela Lorenzon

Jornalista. Curte viagens, música eletrônica e os livros da Agatha Christie. Adora (quase) todo tipo de série, mas tem uma paixão incontrolável por Grey's Anatomy e The O.C. Acredita que o que vale são as experiências e não as coisas materiais. Economiza um monte pra viajar e contar as histórias do mundo. Está trabalhando nisso...

Sobre a geração y, a crise e a necessidade de se readaptar

A geração Y, aquela movida por grandes sonhos, está encarando uma difícil realidade: a crise. E agora, como fica? Toda essa galera, que apostava na faculdade como a chave para o sucesso profissional, está correndo atrás de empregos fora de sua área de formação para escapar do desemprego.


Muito se ouve falar na geração Y, aquela que nasceu entre as décadas de 1980 e 1990, que está entre seus 18 e 29 anos, que nasceu e cresceu na cola do desenvolvimento do mundo digital, que está inquieta com os rumos que o mundo anda tomando, que não se contenta mais com qualquer emprego, que não quer apenas um salário razoável no fim do mês, que não quer mais seguir os padrões que a sociedade considerou corretos durante muito tempo, aquela geração que ousa soltar as amarras de tudo aquilo o que não lhe satisfaz.

Mas aí você pode se questionar. O que realmente esse pessoal quer da vida? Empregos melhores, mais grana para gastar no fim do mês, mais tempo livre para aproveitar a vida, mais estabilidade, mais flexibilidade no emprego, chefes mais antenados com a realidade, mais oportunidades, reconhecimento?

Cooperforte-shutterstock_109545011-geracaoY_FonteDivulgaçãoInternet.jpg Cooperforte-shutterstock_109545011-GeracaoY_Fonte:DivulgaçãoInternet

A roda da estabilidade e emprego

A roda da estabilidade e emprego continua a girar, com seus padrões ultrapassados e concepções antigas, e funciona mais ou menos assim: fazer faculdade, arrumar um bom emprego, ser promovido, ganhar dinheiro, ser promovido novamente, ganhar mais dinheiro, gastar mais dinheiro, se endividar, passar horas dentro de um escritório, gastar horas no trânsito, chegar em casa cansado e estressado demais para aproveitar a família e amigos, para, no outro dia, começar tudo novamente.

O normal, na visão da nossa sociedade, era (e, ainda é) você fazer uma boa faculdade, para conseguir um bom emprego que lhe pagasse razoavelmente bem e dentro dos padrões, ser promovido a um cargo maior na empresa, comprar uma casa bacana, um carro, sustentar a família, pagar escola para os filhos, e, quem sabe, se desse tempo, fazer aquela viagem no fim de semana com a família. Se desse tempo. É que, na maioria das vezes, esse pessoal andava ocupado demais com seu próprio emprego.

Se olharmos o ritmo das grandes empresas ou o comércio em geral, pouca coisa mudou. As pessoas continuam a acreditar que assim é o certo, ou quem sabe têm medo de pensar que possa ser de uma forma diferente. Essas pessoas acreditam que trabalhar das 8 horas às 18 horas, com umas míseras horas para o almoço, é o suficiente para que se tenha um padrão de vida bacana. Tudo bem, não as critico. Cada um tem a sua visão de emprego e carreira. Não que isso seja errado. Não é. Cada pessoa nasce de uma forma e encara o trabalho de um jeito diferente. Cada pessoa tem suas necessidades. Principalmente considerando que nossa sociedade, há muito tempo, costuma seguir esse padrão de trabalho e dinheiro. E mudar padrões costuma ser muito difícil.

Porém, será que isso não poderia ser um pouquinho diferente? Será que se, tanto as empresas quanto os profissionais mudassem suas formas de pensar sobre emprego e renda, não poderíamos construir um modelo de trabalho mais flexível e consequentemente mais produtivo para ambos? Mais horas trabalhadas não significam mais produtividade.

foto2.jpg Foto: divulgação Internet

Alguns dados sobre emprego e geração Y

Não digo essas coisas da boca para fora. Por exemplo, essa geração, de acordo com uma matéria publicada pelo site Universia Brasil, possui algumas características que correspondem exatamente a esse novo modelo de trabalho que está tentando se consolidar por aqui. Por exemplo: ter mais facilidade em assumir riscos, não ter medo de expressar suas ideias e não ter medo de encarar desafios. É comum ouvir de funcionários que eles não veem a hora de suas férias chegarem. Por que será? Começa assim, não é mesmo? Os funcionários começam a semana já esperando pelo fim de semana, pelo feriadão, pelas férias, pela aposentadoria… por aí vai. Se esse não é um modelo de trabalho já fracassado, então não sei mais o que é. Mas, como nem tudo é perfeito, temos um problema...

A crise e a necessidade de readaptação

...Essa geração Y, que tanto quer liberdade e flexibilidade e estabilidade e tudo o mais está vivendo um momento complicado, que está fazendo com que toda essa galera tenha que recuar e repensar toda a sua carreira. Um banho de água fria nos objetivos de muita gente que se vê obrigada a aceitar empregos fora de sua área de formação, por salários menores e deixar, por ora, o sonho de lado.

Uma matéria, publicada pelo site BBC Brasil, mostra que jovens recém-formados buscam, sem sucesso, colocação no mercado de trabalho em suas áreas de formação. A saída para eles: procurar outros empregos, mesmo sendo totalmente fora de sua área de atuação. Muitos profissionais, que já trabalhavam em suas áreas, acabaram desempregados por causa da crise. Mais gente para a lista de espera do emprego.

Uma saída são aqueles que optam por voltar aos estudos, fazer outra faculdade, curso técnico ou uma pós-graduação. O problema, como sempre, é conseguir pagar os estudos sem ter emprego. Para muitos, não há opção: ou se trabalha e estuda, ou não trabalha e nem estuda. Aí, como fica? A geração Y, tão sonhadora e sem medo de desafios, está perdida em meio à crise.

Mesmo assim, nesse cenário de crise no emprego e demissões em massa que parece não ter fim, o site Administradores publicou uma matéria, com dicas para a geração Y não desistir, por exemplo, estabelecer objetivos na carreira, não pedir demissão sem ter outro emprego em vista ou ainda, ser compreensivo com mudanças organizacionais dentro das empresas.

Ok, mas… como faz?

Resumindo, a geração Y não quer um emprego que não goste, quer amar o que faz. Não quer só estabilidade, mas sim flexibilidade. Não quer cumprir horário por obrigação, mas sim ser produtivo com o horário que for. Não quer ser só compreensivo com mudanças, mas ser também compreendido em sua maneira de ver o mundo. Não quer ter preocupações com crises e demissões, mas encontrar sempre a melhor saída para qualquer situação. Não quer ficar preso a esse modelo, mas sim, construir o seu próprio estilo de vida e trabalho.

Alguns estilos de trabalho já estão surgindo, como empresas que estão optando pelo home office, os nômades digitais que podem trabalhar apenas pela Internet, pessoas que vendem serviços e produtos pela Internet também. Isso tende a crescer. Pena que, no cenário atual, essa vontade de revolucionar, para muitos, terá de esperar mais um pouco. Será possível algum dia?


Rafaela Lorenzon

Jornalista. Curte viagens, música eletrônica e os livros da Agatha Christie. Adora (quase) todo tipo de série, mas tem uma paixão incontrolável por Grey's Anatomy e The O.C. Acredita que o que vale são as experiências e não as coisas materiais. Economiza um monte pra viajar e contar as histórias do mundo. Está trabalhando nisso....
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