crônicas carnívoras

para almas vegetarianas

Marco Antonio Beck

Como disse o velho Tim Leary, confie no seu sistema nervoso de dois bilhões de anos, confie nos seus companheiros de jornada. Eu confio.

A teia da interdependência

Você sabe da teia, eu também sei. Mas já a sentiu envolvendo eu, tu, ele, nós, vós, eles, tudo?


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Interdependência é um nome.

Nomes definem.

Definições são boas porque explicam, esclarecem, elucidam, e nossa mente consciente precisa disso.

“Interdependência (s.f.) é um conceito que rege as relações entre os indivíduos, onde um único indivíduo é capaz de causar efeitos positivos ou negativos em toda a sociedade, ao mesmo tempo em que é influenciado pelo todo”.

É uma boa definição.

Mas definições também restringem, recortam, reduzem, e nossa mente inconsciente precisa mais do que isso.

Teia é outro nome.

O poeta americano Gary Snyder a define a seu modo.

Para Snyder, somos todos “formas e funções assumidas a serviço da evolução do grande ser-biosfera Gaia. (...) E o que estará Gaia procurando através desses espaços? De qualquer jeito, o que ela quer não importa a nós agora. Nossa ocupação é com a teia móvel das trocas sacramentais, as cerimônias de vida, energia, transformação. Nossa preocupação é com os pequenos dormindo no quarto atrás enquanto a neve cobre os morros, o coiote uivando, o luar sobre pés de artemísia”.

A mente consciente se perde na tentativa de enquadrar a linguagem poética, mas nela o Inconsciente está à vontade. A teia móvel das trocas sacramentais permite expansão, espaço, extensão, e é disso que a mente inconsciente precisa.

Imagine um violão argentino e um atabaque do Havaí acompanhando um coral de índios Sioux, com o contraponto de uma harmônica de Chicago, mais um acordeão italiano, uma guitarra do Zimbábue, um violino do Líbano e uma cítara indiana, tudo isso marcado pela batida de uma bateria da Califórnia tocada por John Densmore, integrante da banda The Doors e amigo de Jim Morrison, aquele xamã que... mas essa já é outra teia.

Clique na tela.

But you and I, we've been through that and this is not our fate. / So let us not talk falsely now. / The hour's getting late, hey!

Eis a teia. Ou, pra quem preferir, eis a interdependência.


Marco Antonio Beck

Como disse o velho Tim Leary, confie no seu sistema nervoso de dois bilhões de anos, confie nos seus companheiros de jornada. Eu confio..
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