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Blog escrito por uma jornalista que gosta de cultura e informação de qualidade

Vanessa Guimarães

O blog Cult & Cia. analisa a vida cotidiana através da visão de uma jornalista apaixonada por cultura e informação de qualidade. Siga o blog no Twitter, no Facebook e no Pinterest.

Percepções sobre The Me Me Me Generation

Uma análise sobre as transformações culturais: dos Baby Boomers às gerações X, Y e Z; desde os jogos de Atari e das máquinas de escrever até os computadores e celulares de última geração.


Gosto de ler, escrever e comentar sobre as novas facetas comportamentais das antigas e das novas gerações e do impacto dessas mudanças na sociedade. A Time Magazine publica frequentemente matérias sobre essa nova geração que surgiu, a Geração Eu, Eu, Eu (The Me Me Me Genaration). Parei para refletir sobre a minha geração. Nasci em 1984, portanto, não sou uma Baby Boomer. Estou entre as gerações X e Y, posso dizer que sou uma mistura das duas.

Quando eu tinha cinco anos de idade, meu pai ainda jogava Atari (adorava jogar Pitfall). Presenciei o surgimento dos games, vivenciei sua evolução, a modernização e a transformação dos jogos de video-game e de computador. Por falar em computador, participei dessa fase de transição. Sou da época em que as crianças faziam curso de datilografia na máquina de escrever, porque o computador ainda não era muito popular. Ganhei meu primeiro computador aos 12 anos de idade, mas tinha que compartilhá-lo com meus dois irmãos e minha mãe. Dividíamos os horários para que todos pudessem jogar, usar o MS-DOS e experimentar os chats da Internet discada (que era lenta e fazia barulhos irritantes para conectar).

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Lembro-me que eu era criança quando testemunhei o impeachment do Collor e eu nem sabia o que essa palavra significava. Eu via minha mãe vibrando de alegria vendo os Caras Pintadas na televisão e eu compartilhava da mesma felicidade, sem entender a situação política que o país passava na época.

Já tive discos de vinil de todos os tamanhos do Fofão, da Xuxa, do Balão Mágico e da Angélica, que tocavam na vitrola. Eu e minha irmã dançávamos nas festas de aniversário (que na época chamava-se Hi-Fi) ao som de discos do É o Tchan, Daniela Mercury e Mamonas Assassinas. Eu colecionava fitas cassetes da Mara Maravilha, do Dominó e da Beth Guzzo. Lembro que na minha pré-adolescência começaram a vender CDs e foi a grande sensação do momento: Kid Abelha, Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Titãs e Guns and Roses eram os meus favoritos. Vivenciei muitas mudanças: do walkman, passando pelo CD Player para o MP3 Player; dos convites e cartas escritas a mão para a praticidade dos emails e mensagens de celular; do início dos bate-papos virtuais até a utilização do ICQ, MSN e Orkut, que já estão ultrapassados e foram substituídos pelo Facebook e pelo Twitter.

Passei pela troca de moedas e presenciei o surgimento do Real. Lembro-me das vitórias do Ayrton Senna e de sua trágica morte. Lembro-me do show do Chacrinha e do dia do seu enterro. Lembro-me das fantásticas apresentações de bandas antigas de rock and roll no Rock in Rio dos anos 90. Sou da época que as crianças brincavam na rua de bola, de pular Amarelinha, de bolinhas de gude, de boneca Barbie, de peteca, soltavam Pipa e cultivavam sementes dentro do algodão em copos de plástico. Sou da época que ganhávamos peixinhos para colocar em aquários, pintinhos e coelhos para enlouquecer nossas mães em casa, que ficavam com pena de se desfazer dos bichinhos. Hoje as crianças ficam em casa jogando no video-game e no computador ou no tablet e só criam mesmo bichinhos virtuais, como os NeoPets e Tamagotchis.

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Vivi a mudança do currículo impresso para o virtual, a substituição das máquinas fotográficas antigas pelas digitais e pelos celulares modernos. As fotos que antes eram reveladas e ocupavam espaço nos porta-retratos da sala foram substituídas por álbuns digitais e ficam guardadas nos DVDs e Blue Rays.

A Geração Millennial ou a Geração Eu, Eu, Eu (The Me Me Me Generation, segundo a classificação da Time Magazine) está buscando cada vez mais novos caminhos e uma forma diferente de ver e viver a vida. Fazer várias tarefas ao mesmo tempo, ler um pouco sobre cada assunto (sem nunca se aprofundar em nenhum) e trabalhar com áreas diferentes são habilidades que a nova geração desenvolve.

O mundo passa por diversas mudanças culturais e tecnológicas. Todos nós estamos inseridos nessa miscelânea de fatores. Observo atentamente a inversão dos valores, a mudança das crenças e a transformação dos comportamentos e dos credos, que vão se moldando nesse novo cenário.

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Hoje eu atualizo meu blog do meu tablet, jogo cartas no computador, tiro fotos do meu filho no meu celular, trabalho com um notebook (que me garante a mobilidade que preciso para escrever em qualquer lugar), converso com amigas que moram em outras cidades através de grupos no Whatsapp, compartilho fotos no Facebook e participo ativamente de discussões profissionais em grupos específicos do Linkedin. A Internet e as novas tecnologias me permitiram coisas antes inimagináveis. Os meus adorados livros impressos, que ocupam várias estantes da minha casa agora viraram E-Books, que eu compro e leio de qualquer lugar, no meu tempo livre. Eu ainda prefiro escrever e fazer anotações a caneta no meu bloquinho do que digitar no computador, mas estou sempre com o celular ligado e adoro usar as redes sociais!

As mudanças acontecem e precisamos nos adaptar a elas. Eu sou uma mistura das gerações X e Y, admiro as pessoas da geração Baby Boomer e meu coração já é da geração Z. Estamos em uma época onde as coisas estão mais escancaradas e acessíveis. Conseguimos viajar pelo mundo sem sair de casa. Eu passei por tudo isso e não somente sobrevivi, eu amadureci, me desenvolvi e me adaptei. Posso afirmar que eu evoluí.


Vanessa Guimarães

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