cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

A industria cultural, a morte da arte

O humano estabelece-se na imitação: um homem torna-se um homem apenas imitando outros homens.
Theodore Adorno


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Theodor Adorno – filósofo contemporâneo da chamada Escola de Frankfurt – dizia em uns dos seus textos sobre a teoria da industria cultural: “As obras que sucumbem ao fetichismo e se transformam em bens de cultura sofrem, mediante este processo, alterações constitutivas. Tona-se depravadas. O consumo, destituído de relação, faz com que se corrompam.”. Ou seja, tudo aquilo que se populariza se torna vulgar porque vira uma “coisa” que compramos para satisfazer, talvez, egos e um status quo social, apenas. A menina não gosta, por exemplo, da pessoa Luan Santana porque simpatiza com a imagem do cantor, mas se faz um objeto daquilo que é a imagem desse cantor. O mesmo acontece diante de inúmeras manifestações culturais que vimos no mundo afora, o povo não gosta porque lhe dará prazer (Aristóteles dizia que toda a arte tinha sua catarse), mas que é apenas um objeto de status por muitos motivos que sabemos que existem, como o motivo de ser aceito socialmente sem ser rejeitado.

A industria cultural é a coisificação da arte enquanto objeto do desejo e não uma catarse (prazer naquilo), porque uma mercadoria é apenas uma mercadoria enquanto objeto a ser consumido. Um livro popular é o mesmo que uma coisa que tem por ter e não uma coisa para o conhecimento enquanto tal, porque nossa cultura estranhamente, prefere o que não se pensa e acaba sendo depravada num sentido muito mais além do que no sentido moral. Para mim, o sentido moral hoje, teve o mesmo processo. No Brasil a coisificação teve amplo aparecimento tanto num modo religioso, num modo midiático, num modo de luta social, num modo politico, porque nos esquecemos que tudo isso é reflexo do que é importante, o pensamento cultural. Uma cultura é a concepção de conhecimento, de crenças, de pensamentos ideológicos, artísticos, de leis e costumes que fazem um povo. Então, quando vimos que a vantagem é um ponto forte na nossa cultura, isso está inserido dentro da cultura por causa do pensamento dominante na cultura brasileira. Um exemplo claro que estou dizendo é o programa Pânico na TV, pois tudo que é mais errado dentro da nossa cultura está no programa, tiração de sarro, mulheres nuas, escárnio até da cultura verdadeira.

A coisificação do ser humano enquanto ser que cria, fez do ser humano uma coisa enquanto objeto de desejo e não um ser que sentimos afeto. A arte se transforma em um meio para ser um objeto e não um ser que nos desperta a catarse de sentir aquela obra, mas a mercadoria que se compra e aquilo faz não um ser humano que canta ou dança, e sim, um ser humano que é a mercadoria que compro enquanto consumidor. Revistas que falam dos artistas vendem porque como o povo compra as obras daquele cantor ou assisti determinada novela, se faz aquele ser um empregado do outro como um ser que me entretende quando estou entediado e preciso daquilo como um analgésico de auto-alienação do mundo que oprimi. Não é diferente da droga ilícitas e as licitas, se consome aquilo que te dará um prazer artificial daquilo que não é um prazer e sim, uma maneira de ver o mundo que não existe e sim um mundo coisificado e só terá significado se cada indivíduo ter culturas que não fazem ele crescer como ser humano. Quais discos são mais tocados das bandas de rock nacional? Quais musicas fazem mais sucesso dentro do nosso cenário cultural? As musicas que colocam o ser humano como coisa e não como um ser que pode ser feliz graças a suas escolhas, pois esse ser humano traído, esse ser humano bestializado pelo sexo puro, esse ser humano que faz do seu filho um “macho alfa”, um ser que não pensa e não pode pensar porque é preguiçoso e quer levar vantagem em tudo, só pode ser um nada. Um povo que se destruiu para levar vantagem naquilo que não se deveria levar vantagem.

Então, quando vimos que os cantores mais “pegajosos” do sertanejo, Mcs que pensam que cantam, livros que nada ensinam a não ser seres que levam a vida banal, são reflexos de uma cultura que se banalizou por causa da burrice (não em um sentido de ignorância, mas num sentido de teimosia), de querer coisas que não fará de você um alguém. A passividade é uma alienação e o subterfúgio de algo bem mais massivo do que a miséria humana em espanto dos que querem – como eu e muito escritores – escrever não o que a industria cultural quer, mas o que se quer realmente passar.


Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
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