cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

A Moral Liquida – um outro lado da traição

Como disse Zygmund Bauman, um ser moral não é um ser propriamente bom, porque sempre vai ter muito mais a necessidade de reiterar sua moral e achar que aquela moral é a verdadeira. Ou como disse André Comte-Sponville, um ser moral pode ser um ser educado, ou como ele usou, um ser polido e usou um exemplo interessante, os nazistas. Pois os nazistas eram pessoas polidas, escutavam musica clássica, liam os clássicos, tinham uma cultura vasta e moralmente exemplares, porque não fumavam, não bebiam (nem todos), mas porem mataram milhões de pessoas e de piores maneiras.


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Dizem que quem trai o companheiro é um ser imoral e não é digno de ser cogitado dentro dos demais, mas podemos traçar alguns aspectos que nos levarão para um outro lado da traição, sendo um problema subjetivo e cultural. Subjetivo porque somos animais que assimilamos alguns valores dentro das vivencias dentro dos aspectos de ambiente e de convivência, onde também o desejo sempre nasce naquilo que falta e aquilo que nós absorvemos como a cultura vigente. Dai chegamos na ordem cultural patriarcal, onde se criou uma cultura e um condicionamento, que colocou o homem (o macho da nossa especie) como um ser que não pensa antes de fazer, não reflete os pros e os contra. Mas qual é os prós e os contra se somos sempre levados a uma escolha? Se escolhemos ter outra pessoa, magoamos quem está no nosso lado em todos os momentos, se colocamos nossos sentimentos como prioridade, renegamos nosso status quo de “machos-alfas” e vão nos isolar.

Na nossa sociedade pós-moderna, sempre teve a necessidade de quebrar tabus que no passado se teve como verdades absolutas, mas essas verdades não são absolutas e são relativas. Como disse Zygmund Bauman, um ser moral não é um ser propriamente bom, porque sempre vai ter muito mais a necessidade de reiterar sua moral e achar que aquela moral é a verdadeira. Ou como disse André Comte-Sponville, um ser moral pode ser um ser educado, ou como ele usou, um ser polido e usou um exemplo interessante, os nazistas. Pois os nazistas eram pessoas polidas, escutavam musica clássica, liam os clássicos, tinham uma cultura vasta e moralmente exemplares, porque não fumavam, não bebiam (nem todos), mas porem mataram milhões de pessoas e de piores maneiras. Tinham uma moral exemplar? Sim. Porem Bauman tem razão em dizer que humanos com moral não são humanos com bondade e um livre pensar, porque quem tem uma só convicção acaba não aceitando outras que existem por ai a fora.

Mas ficamos num impasse, porque a moral não nos dá bondade virtuosa – porque existe o bom em algo que vem do latim “bonnus” – e sim, nos remete a bondade sempre visando o beneficio que isso trás. Não a toa, o filósofo grego Sócrates de Atenas, vai dizer que a bondade daqueles que pensam saber não é bondade e sim, interesse em ser bom, pois a verdadeira bondade é desinteressada e assim, virtuosa. Chegamos a “virtú” socrática, porque se a polidez não é sinônimo ser civilizado (ser não é o mesmo de estar, porque um povo pode estar polido, mas pode não está com certeza, civilizado), se bondade não é sinônimo de moral, então, algo se reflete no ser virtuoso, o ser de uma bondade desinteressada. A virtude é a pratica do bem sem pensar o que vem depois, pois há a diferença de bom e de bem. Porque bom sempre reflete algo conveniente com aquilo que é apropriado, já o bem é em si o ato generoso, sempre querendo o bem das pessoas e por isso, que o bem tem muito mais virtude.

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Um ser humano virtuoso é um ser que tem uma execução natural para fazer o bem, a virtude lhe dá muito mais dignidade e muito mais uma visão das pessoas que estão a sua volta. Ser virtuoso é pegar e pensar que se fosse você, você se magoaria na mesma forma, sempre não olhando só para si, mas olhando para a parte positiva da moral. Mas a traição é um ato de maldade? Talvez sim ou não. Porque sabemos que aquele ato vai trazer sofrimento, vai trazer rompimentos de anos a fio de confiança e ate nas piores das hipóteses, um ato insano de morte. Mas ainda sim, as pessoas insistem em ver a própria vontade de segundos, minutos, ou famílias paralelas, por um momento que só é uma atracão física e que as pessoas se acham do direito de satisfazer. Será que temos o direito supremo de fazer a outra pessoa sofrer? Penso que não. Não temos o direito de brincar com sentimentos, brincar com confianças, só porque temos uma cultura infantil de achar que transando com outro somos mais libertos, que somos “modernos” (como se nossa cultura fosse moderna) em fazemos tudo que queremos, reles engano. Quando nos entregamos a volúpia momentânea, nos aprisionamos em um vicio que pode e vai te trazer sequelas para sua vida e isso não é liberdade, é prisão.

Quem gosta de viver em prisões? Isso não é uma visão moralista, porque o moralismo diz verdades absolutas, a virtude nos mostra que além de sentir, podemos refletir sobre os atos. A moral liquida é a moral que si dissolve dentro das vontades ilusórias e das liberdades do pratico, ou seja, as pessoas se aprisionam em desejos e em vícios iguais de qualquer droga sintética que possamos nos viciar. A traição é a quebra da virtude que lhe dá a dignidade, pois amar sempre é mais digno do que a volúpia, porque a volúpia não te dará nunca felicidade. Isso não é religioso, isso é humano.

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Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
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