cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

Facebook – nosso muro das lamentações

Temos um muro dentro de nós, resta-nos derrubá-lo.


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As redes sociais são um fenômeno a parte no requisito em ter relações virtuais dentro de uma comunidade e o pioneiro foi a Google com seu Orkut, que era uma mistura de fórum com seu avatar que poderia ser administrado por você e deixar como você quiser. No começo, só que recebia um convite formal teria o direito de ter um avatar (perfil) dentro dessa rede social, mas com o tempo, se abriu para ter qualquer um ter inúmeros perfis (ate perfis falsos chamados fakes). Dai desandou, porque começaram a entrar pessoas que faziam do Orkut uma extensão das atitudes próprias da sua vida cotidiana. Fofocas, encrencas, um tentando roubar a namorada ou o namorado do outro, fanáticos religiosos vigiando grupos “pecadores” e denunciando o que achavam que era ofensivo. Enfim, o Orkut teve um trágico fim porque as pessoas não souberam ter uma convivência social sem fazer “barraco” e fazer dessa convivência algo sólido e que poderiam ser um aprendizado. Os grupos poderiam ser usados para estudos e debates que levariam ao debatedor, a aprender coisas que não saberiam e não foi isso que vimos, e sim, uma guerra de egos. Parafraseando o grande filósofo alemão Nietzsche, o “Orkut morreu! Nós o matamos!”.

Em meados de 2006 chega no Brasil uma rede nova que só se popularizou graças aos “joguinhos” que poderiam ser jogados dentro dessa rede social mais ou menos, em 2010. Naquele tempo – áureos tempos de ideias consistentes – o Facebook tinha um sistema único que poderia diferenciar do Orkut, poderíamos postar imagens e fotos. Se no Orkut o intuito era uma inteiração escrita e de ter comunidades (por ele ser em HTML), o Facebook tem o intuito de interação social por imagens e relativamente, de som (por ser em PHP). Talvez por isso, tenha conquistado muitos adeptos por essa diferenciação de inteiração, dai por diante, foi o que as pessoas começaram a entrar e interagir. Começaram os grupos. Começaram as interações, as trocas de amizades e porque não, até descoberta de amores. O que acontece com toda interação livre entre as pessoas é que elas exigem que pensem iguais a elas, porque a maioria segue aquilo e deve ter aquilo como meta de vida. O que aconteceu foram fenômenos que saíram dos bairros de periferia – no caso do Brasil - ou nos bairros nobres, e foram parar na internet e o mais terrível e desastroso, esse reflexo dessas interações com as crenças e com os preconceitos, chegam nas redes sociais.

Essa dualismo em tudo – direita/esquerda, religioso/ateu e etc – sempre existiu e sempre irá existir, porque foram os “pilares” que a cultura ocidental foi construída, infelizmente. O problema é que nem todo mundo, na politica, é de direita ou de esquerda, as vezes, as posições são de total neutralidade que também faz parte da democracia. Nem todo mundo tem uma visão religiosa que a maioria segue, porque nem todo mundo é cristão protestante ou católico, nem todo religioso segue ao “pé da letra” a Bíblia. Mas também nem todo mundo que não acredita em Deus não é religioso, nem sempre quem critica o ateísmo militante é religioso, e nem sempre quem critica as religiões vigentes é ateu, e há quem diga, existe o agnóstico que para ele tanto faz se existe ou não Deus. Esse maniqueísmo de sempre você deve tomar posições sendo de um lado ou de outro, é uma posição perigosa, porque só atende aos interesses políticos e religiosos de um só lado, pois as analises devem ser muito mais profundas quanto a posição que deve tomar. A neutralidade é uma resposta muito mais efetiva do que meras posições, porque na neutralidade, talvez, podemos enxergar muito além do que nos é exposto. Os grandes filósofos e teólogos foram neutros em suas analises, porque analisaram de um ponto de vista além do que o estamos acostumados a enxergar. Foi o que Nietzsche disse em “olhar no alto da montanha”, ou seja, todo filósofo não deve nunca tomar partido de nenhum lado.

De repente, alguns acadêmicos esqueceram o papel do filósofo como “amigo da sabedoria” e se colocaram como “amigo do senso comum”, dai, você vai ver milhares de aberrações dentro do contexto do debate. Aliás, como todo acadêmico do Brasil, sempre tomamos posições que vão muito de acordo do que almejamos e não o que acreditamos. De repente sempre temos que ter opiniões para tudo e para todos, sempre devemos seguir o que a maioria segue e não podemos criticar o que a maioria gosta. Mas quando você acha que não vai ficar pior, aparece um “amigo virtual” que se decepcionou com um amigo da vida real como se todo o Facebook fosse feito para isso. As pessoas sempre desvirtuaram as redes sociais, para liberar um conjunto de pensamentos que só tem a ver com seu modo de ser e de ninguém mais. No Brasil ainda não aprendêramos, que as criticas são muito mais uma analise e um modo de levar seu nome até positivamente, e não uma ofensa, ofensa e falta de educação e é sempre será a turma que quer colocar sempre a mordaça no outro.

Assim como os judeus ortodoxos choram e se lamentam no muro das lamentações em Jerusalém – um muro restante do templo do rei Salomão destruído pelos romanos em 70 d.c. – o Facebook também se tornou algo desse tipo como se isso mudasse alguma coisa, mas não muda. Porque sempre vamos cometer os mesmos erros, sempre vamos tomar posições, sempre iremos votar , porque sempre queremos mostrar ao outro o que tomamos como posição, mas na maioria das vezes, traímos a nós mesmos. Como disse Cazuza “mentiras sinceras me interessam”, ou seja, somos mentirosos sinceros que sempre tomamos um lado não por justiça ou ser um cara estudado – porque aqui ninguém é – somos fadados em renegar a nós mesmos por “migalhas” de atenção que não temos na vida real. O mocinho ou a mocinha que apoia tal prefeito, não está preocupado com a “justiça” social, mas a continuidade da ideologia no qual acredita. O cara que sabe toda a bíblia do Gêneses ate o Apocalipse, não está preocupado em defender um mundo mais justo para todos, mas está defendendo sua fé para “abocanhar” muito mais “ovelhas” para a sua igreja. Aliás, em Eclesiastes 1 versículo 2: “Tudo é Vaidade”, o Rei Salomão não mentiu, isso tudo que vimos é apenas vaidade.


Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
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