cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

Nosso analista: Facebook

(...)podemos imaginar o Facebook sendo um homem sentado em uma poltrona – não vamos colocar ele parecido com Freud porque ele não é tão velho assim – vestido de azul com seu caderninho escrevendo tudo e o pior, não dizendo nada.(...)


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Freud dizia que o ser humano tem um monte de medos e não sabe disso. Todos nós sabemos da onde vem a dor e o que mais nos assusta dentro da nossa própria solidão, nossa existência vazia, nossa necessidade mais de ter do que de ser. Não à toa, a necessidade de ter opinião sobre tudo recai dentro nas amargas verdades que o mundo nos trás, não somos nada, somos mais um ser humano entre bilhões que vivem em nosso planeta. O que interessa nossa opinião se os holofotes estão sempre nos mesmos? Por mais que escrevemos, damos nossa opinião, falamos nas ruas (em forma de protesto), sempre os intelectuais (uma especie de escolhidos) serão ouvidos e lidos e isso é uma afronta até mesmo para a democracia e o Facebook, na sua essência, passa a ser aquele analista que na maioria das vezes, não podemos pagar. O Facebook foi uma invenção de um geek nerd (Mark gostava de tecnologia e era, na medida do possível, um nerd que gostava daquilo que estudava), que deu certo e esse deu certo é a maneira que arranjou para ganhar dinheiro. Como Steven Jobs e Bill Gates, o rapaz largou a faculdade para se dedicar a sua invenção. Na verdade pessoas inteligentes não precisam de diploma para provar que são inteligentes, não precisam de exibições de opinião para dizer que estão antenadas, pois isso é atitude de pessoas burras e ingenuas que acham que serão lidas. Não, nós não seremos lidos, porque nossa opinião não tem validade num mundo que a opinião tem que ter ideologia, cor, credo, e se você é contra alguma opinião vigente, você é expulso do grupo sem aviso prévio. Essa é a realidade do nosso povo, se tem os “escolhidos” para nos guiar ao caminho do bem e da vida pacata de um povo que gosta de ser tratado como “gado”.

Não existe o “bem”. Aliás, existe o NADA. Na verdade o que você vê na tela do seu computado como uma opinião sua ou de alguém é apenas algoritmos, linhas de um programador que mostra o caminho para o computador processar aquilo, mas o Facebook não existe. As realidades virtuais tem a potencialidade de existir, mas elas não existem e a existência delas depende da consciência de quem o as observa. A sua opinião em um Facebook – como em qualquer rede social – depende exclusivamente das escolhas que você faz e das ideologias que acreditamos. Podemos chamar uma pessoa de fascista por não querer ouvi as opiniões ou por expressar seu ódio ou opinião sobre algo que não concordamos, mas ao chamar o outro de fascista, estamos sendo fascistas em só enxergar a nossa realidade ideológica. O paradoxo da ideologia. O paradoxo que ao chamar alguém daquilo, estamos restringindo a liberdade do outro o que ele pode e tem o direito de ser. Talvez Bauman tenha razão, nossa vida e as coisas ficaram “liquidas” pelo ser humano ter a necessidade de ter mais do que ser. O mesmo são as opiniões secas, repetindo falas que são pouco analisadas, vendo ideologias e governos que não existem mais.

Politicamente, em 2013 foi muito bem por não tender de algum lado, mas quando as ideologias entraram no pário, dai tudo desceu e começou os interesses. As religiões começaram também a serem armas politicas. As duvidas viraram certezas. O problema, talvez, que nosso povo não sabe tomar iniciativas sem uma “viga mestra” de alguma coisa, um apoio para se apoiarem e estragarem tudo que se conquistou ao longo do tempo. Mas querem mostrar que sabem, querem xingar muito no Twitter, querem mostrar toda a sua indignação, mas não conseguem porque não sabem mostrar e nem dizer qual é. Qual é a sua indignação? Qual é a ideologia honesta nisso tudo? O corrupção é quase um ponto dentro da nossa cultura, não somos um povo honesto nem consigo mesmo, sempre colocando os outros até no meio dos nossos relacionamentos íntimos. O que tem um religioso (padre, pastor e etc) a ver com o relacionamento de cada um? O que tem a ver um deputado, um prefeito, um vereador ou um presidente de você não poder comprar coisas ou não poder ter coisas? Isso é um problema só seu. As crenças são só suas. O mundo só muda, quando mudamos. Vai acabar a corrupção quando não pegarmos mercadoria do supermercado, quando não comprar a carteira de motorista do filho, não incentivar ou não querer vantagem própria, não dar dinheiro para entidades que se dizem filantrópicas que muitas pessoas dizem não ser e uma gama de coisas que não vai trazer bem ou mal, mas que vão incentivar o errado numa atitude destrutiva.

Só vamos acabar com a violência da mulher com a boa educação. Só vamos incentivar a quebra do paradigma do preconceito – de todos os níveis – quando desconstruirmos esses vícios sociais que tanto, há séculos, vem nos perseguindo culturalmente. Uma vez, por exemplo, no Facebook, apareceu uma pessoa escrevendo que o Stars Wars era coisa do “demônio”, mas quando se fala mal do Cinquenta Tons de Cinza que essa pessoa é fã, dai não é coisa do “demônio”. Isso prova, muito bem, que as crenças e opiniões são uma construção de conceitos propriamente, sociais. Porque se analisarmos a fundo na questão da violência e na questão do bem e do mal, um filme ou um livro da franquia do Stars Wars, trás muito mais a ideia do bem e do junto, do que um Cinquenta Tons de Cinza que trás exatamente a violência contra a mulher.

Enquanto aparece isso, podemos imaginar o Facebook sendo um homem sentado em uma poltrona – não vamos colocar ele parecido com Freud porque ele não é tão velho assim – vestido de azul com seu caderninho escrevendo tudo e o pior, não dizendo nada.


Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
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