cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

O USO DA ARTE PARA O AMOR

Se você foi traído pela pessoa que dizia que te amava é porque nunca foi amor mais sim conveniência.
Beto Braga


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Toda arte tem sua inspiração dentro da experiência do nosso dia-a-dia como meios de perceber sentimentos e raciocínio que constrói toda a gama de percepções que estamos acostumados. Quando vimos uma foto, um desenho ou um filme romântico (sobre o amor), isso nos remete dentro do que desejamos o que ele pode trazer ou não, o que as tragedias podem despertar ira ou alegria. Nossa cultura – isso reflete nas musicas românticas que ora trazem traições, ora trazem só sexo, ora trazem desilusões, mas nunca que as pessoas são felizes de fato – mostram o quanto nossa sociedade não quer ser feliz e acha que não é digno de um amor sincero. Afinal, a arte é o reflexo daquilo que o povo deseja ou pensa, pois é o reflexo inocente do mundo onde vivemos onde as pessoas se tornaram frias e sem a menor dedicação ao outro.

O que aconteceu com a banda Calipso é o reflexo de uma sociedade inteira, tanto do homem que esquece que existe uma mulher que se dedica e que dá amor, como existem também falsos “gurus” que ficam moldando as pessoas usando da sua fé para achar, como diz o ditado popular, “cabelo em ovo”, ou seja, problemas onde não tem e claro, todo pensamento se concretiza quando repetido varias vezes. Não á toa, pode se provar mesmo isso, que Buda Sakiamuni dizia que somos o que pensamos, se pensamos que somos traídos uma hora acontece, como se pensarmos que nunca iremos ser felizes não seremos nunca felizes. A força do pensamento é muito forte e pode sim interferir com nossas atitudes, mesmo que a maioria não acredite – já que a nossa cultura seja cristã e as pessoas achem isso “espiritismo” ou “macumba” ou então, “magia” – essa lei é irrevogável e não pode ser negada.

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Talvez, as respostas para isso são as inúmeras migrações que nossos ancestrais sofreram no começo da colonização e extração das nossas riquezas ou fugido de guerras, saudade de sua cultura ou dos seus costumes, ou até mesmo, daqueles que lhe eram estimados. Outro fato importante é a cultura feudal medievalista que ainda, mesmo e meados da era moderna, os portugueses trouxeram como herança de uma cultura levada ao estremo do moralismo. Onde o cavaleiro, sempre cortês e que nunca acontecia, claro, nunca ficava com o ser amado e a mulher, um ser que levou o homem ao pecado, sempre deveria ser casta e guardiã da moral verdadeira cristã. Lógico que sabemos que os governantes queriam que o povo pensasse que eles eram assim e não tinha jeito, como sempre foi, a arte reflete isso nas musicas e nas pinturas que naquele tempo, não só em Portugal, veremos nas historias de traição e o termino do rei herói morto ou desaparecido para depois voltar. As lendas do Rei Arthur é o clássico meio de se saber como a cultura influencia a arte, o rei salvador que livra a Inglaterra das “garras” dos saxões, que ao mesmo tempo que é traído por sua rainha Guinevere com o seu melhor cavaleiro Lancelot, é ao mesmo tempo morto pelo fruto do ritual do gammo rey (Rei Gamo que era o deus da religião druida) com sua própria irmã, Morgana. Esse fruto de um “pecado” se torna o cavaleiro negro que Morgana cria para deliberar o odio de Arthur ser outro fruto da magia onde a mãe deles, foi enganada pensando ser seu marido (o pai de Morgana), mas era apenas o lord Pedragon que a desejava e fez um acordo com Merlim. Essa historia tem traições, magia e dois filhos que não tinham que nascer. Acham mesmo que antigamente não tinha essas historias? Sempre teve e não é o moralismo que vai tirar isso.

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Já a lenda de Beawulf é um pouco bem pior – na verdade existem duas vertentes que contam a mesma historia – que o rei atacado pelo Grandel (uma especie de ogro) tem sua festa destruída e muita gente morta. Se espalha por todas as regiões que esse rei dava uma recompensa a um guerreiro e muitos deles morrem até aparecer Beawulf que mata o Grandel e ao ir matar sua mãe, ela o seduz e ao rei se suicidar – pois Beawulf se apaixona pela rainha e o rei se suicida porque o Grandel era o fruto de uma noite com a bruxa por causa de ouro e poder – também tem um filho com a bruxa e ao ser rei, o filho vem e quer acabar com o rei. Ai vimos que a historia fala de culpa e de novo, traição e que não se pode ficar com o ser amado no mesmo patamar das musicas de hoje que sempre você é traído e as pessoas não podem ficar com você porque o ser humano não é merecedor do amor do outro, só a redenção e a castidade salva ou que o sexo desapegado é a solução. A felicidade não é nesse mundo, mas no outro e aqueles que nos amam de verdade, são seres além do humano de uma outra natureza que tem um amor incondicional. De repente nos decapitam nossa única esperança, o amor não pode acontecer porque não somos dignos dele, não somos dignos nem de ter só um e apenas somos animais de reprodução, como gado de corte.

Não é a toa que quando querem apontar para a população se fala que a população é como “gado”, pois ela mostra isso em sua cultura popular em ser seres que não são nem felizes e muito menos racionais, ainda se colocam como pessoas que só podem reproduzir e mais nada. Nem venham dizer que esse tipo de cultura é imposta, pois se o povo não aceitar simplesmente, ela não vinga. O amor tem muitos viés, mas só os fortes e destemidos podem amar de verdade.


Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
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