cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

A arte da propaganda e o capacitismo

A deficiência é uma realidade que pode acontecer, se pode perder um membro, se pode sofrer um acidente e ficar numa cadeira de rodas e enfim, se pode ter milhares de situações inusitadas. Isso assusta e, muitas vezes, afasta as pessoas dessa realidade que a vida nos traz e a campanha, como um todo, perdeu a oportunidade de mostrar e mostrar que somos capazes.


cap_obvious.jpg

Propaganda vem de “propagare” que era uma das maneiras que a igreja católica tinha para propagar a fé. Sempre quando falamos em propagar, dizemos que estamos anunciando algo a grande massa, ou melhor, a sociedade do espetáculo. Hoje a imagem diz tudo, ou apenas idealiza esse tudo em grande desacordo com a verdade, ou seja, não queremos ver essa verdade. Idealizamos um mundo que não é verdadeiro para idealizar um mundo ideal – uma ideia (doxa), completamente, platônica que ainda ficou – que só cabe nas margens de um mundo de cada valor, de cada conceito, de cada um.

O capacitismo (ableism), é o temos para designar a discriminação por uma pessoa com deficiência, ou seja, se para as etnias é racismo, para as deficiências é capacitismo. Assim, vimos um mundo idealizado dentro de imagens ideais, de corpos perfeitos e um padrão dentro da estética, que se você foge, você é esquecido em algum lugar da sociedade.

A campanha da Vogue – uma campanha que “photoshoparam” atores globais – simplesmente, optou por não achar necessário usar pessoas com deficiência na campanha “Somos Todos Paralímpicos”, como se não houvesse modelos com deficiência. Mostrando que ainda, a publicidade (vem de “publicus”), ainda tem um viés discriminatório, idealizado, ainda usa imagens que mais iludem do que encantam. Por outro lado, sem exagero, a deficiência assusta, demarca um território desconhecido da vida que muda a um instante. Talvez, o famoso, o ilustre, a imagem famosa demarca a capacidade de não ver, a essência, a pessoa.

A ideia platônica é que a beleza era algo objetivo dentro daquilo que achávamos belo, mas a coisa mudou com o kantismo, colocando o belo em algo subjetivo. Tudo que é subjetivo é tudo que passa de conceitos particulares conforme cada visão, essa visão depende de cada valor, esse valor depende de cada sistema moral. Para uma pessoa uma coisa pode ser bonita, para outra pessoa pode ser feia. Mas ainda assim, relativizamos as coisas para não pensar, para não criticar, para não contrariar ninguém, mais ainda, não enxergarmos a realidade.

A deficiência é uma realidade que pode acontecer, se pode perder um membro, se pode sofrer um acidente e ficar numa cadeira de rodas e enfim, se pode ter milhares de situações inusitadas. Isso assusta e, muitas vezes, afasta as pessoas dessa realidade que a vida nos traz e a campanha, como um todo, perdeu a oportunidade de mostrar e mostrar que somos capazes.


Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/recortes// //Amauri Nolasco Sanches Junior