cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

Análise no amor real: a realidade do ser

O amor tem a ver muito mais com a rocha de Sísifo, porque os amores fáceis nem sempre são verdadeiros, nem sempre podem significar que as pessoas são umas das outras. Não são. São a alvorada de uma nova pessoa, pois, essa pessoa passa a ser a luz da outra. Quando enxergamos a verdadeira face do amor, enxergamos o que ele é verdadeiramente e sua total essência, sua total capacidade de se inteirar por todo universo conhecido. A realidade foi idealizada no amor.


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Dois mitos podem explicar o amor: um é o mito da Psique e Eros (Alma e Amor) e o do rei Sísifo, que foi condenado por toda a eternidade. Psique era uma princesa linda em um reino poderoso grego, enquanto Eros era um deus olímpico que destinava ao amor. Segundo a tradição grega clássica – que acreditavam nos deuses olímpicos – Eros era filho do Caos primordial porque era o amor personificado, ou seja, o amor enquanto junção da realidade e o que temos de real. Assim o amor, segundo os gregos antigos, vinha do caos universal e era ele que harmonizava tudo que existe (talvez, tenha uma ligação do Deus cristão do novo testamento).

Só depois que Platão, filósofo grego que viveu trezentos anos antes de Cristo, colocou Eros como filho da Pobreza e do Expediente ou Abundancia, conforme as versões distintas. Ou seja, o amor é pobre, sujo, carente na parte materna e na parte paterna, desejoso de ter corpos lindos e perfeitos. Mas isso é o que o filósofo pensava sobre o amor e o que a cultura achava ser o amor. O amor que veio do Caos – que podemos definir como o vácuo – é a melhor definição, porque o amor é aquilo que veio do nada, do vazio existencial daqueles que sentem um vazio pleno.

O mito de Psique e Eros é muito claro dentro do amor real, aquilo que a alma (Psique) encontra ao ver o rosto do amor (Eros) verdadeiro e sofre, porque o amor quer ser amado apenas o que ele é. Mas o que é o amor? O amor é aquilo de fato o que vimos? Só podemos amar aquilo que se esconde atrás das máscaras? O mito da Psique e de Eros nos remete na essência do amor idealizado e não do amor verdadeiro, pois, quando tiramos a máscara do amor vimos a verdade, vimos como ele é de fato. Nessa luta entre enxergar a face verdadeira do amor e o sofrimento da alma enquanto aquela que perde esse amor, está o mito de Sísifo que é condenado a rolar uma rocha morro acima por toda a eternidade.

Sísifo foi o rei mais astuto de todos do mundo antigo, até diziam que ele era descendente direto de Prometeu – aquele que roubou o fogo da sabedoria dos deuses olímpicos - e foi que fundou o reino de Corinto (que se chamava, Éfira). Foi um rei tão pacifico que foi acorrentado e condenado no reino dos mortos a levar uma rocha enorme até o cume da montanha e a mesma rola montanha a baixo, todas as vezes até a eternidade. Ou seja, tudo que evitou em vida foi condenado enquanto espirito no mundo dos mortos, a sempre carregar a imensa rocha montanha acima. O que é a rocha? Nossa tarefa de enxergar que nem tudo pode ser pacifico, nem sempre podemos não ficar fazendo nada, pois, nem sempre aquilo que é fácil é aquilo que é verdadeiro e aquilo que é verdadeiro é único.

O amor tem a ver muito mais com a rocha de Sísifo, porque os amores fáceis nem sempre são verdadeiros, nem sempre podem significar que as pessoas são umas das outras. Não são. São a alvorada de uma nova pessoa, pois, essa pessoa passa a ser a luz da outra. Quando enxergamos a verdadeira face do amor, enxergamos o que ele é verdadeiramente e sua total essência, sua total capacidade de se inteirar por todo universo conhecido. A realidade foi idealizada no amor.


Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
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