cultura liquida

Homenagem a perda de convicções do pensamento humano e a certeza que tudo muda.

Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama.

Ele está de volta: lições do ser enquanto ser

Age sempre de tal modo que o teu comportamento possa vir a ser princípio de uma lei universal.
Immanuel Kant


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O filme “Ele está de volta” – baseado no livro homônimo de Timur Vermes – mostra Adolf Hitler voltando no instante que morre em seu “bunker” e é queimado (assim está na história oficial). Ele começa a ganhar popularidade porque pensam ser tratar de um maluco vestido com roupas e tendo as características do ditador alemão, mostrando que uma notoriedade pode muito bem, ser reciclado em celebridade. Alguns viram o filme como um perigo do fascismo voltar e a população apoiar novamente, afinal, como disse o professor de história Leandro Karnal, a “cadela” do fascismo sempre está no cio.

Sempre a história nos mostra que o povo apoia as ditaduras e os genocídios – incluindo aqui no Brasil que teve sim várias guerras civis – quando se sentem acuados e com medo, esse medo vira ódio e o ódio virá uma vida quase ou muito vazia. Mas, ainda assim, não acredito que se Hitler tivesse uma maneira de voltar, voltaria a fazer o que fez dentro da possibilidade que havia na época dele. Afinal, somos filhos da nossa própria época, com a possibilidade da nossa época e dos conceitos e preconceitos da nossa própria época.

Talvez Hitler tivesse meios de pesquisar, estudar melhor a economia mundial e armaria um plano melhor; ou seja, aprenderia com seus erros e não mais faria o que fez. Talvez, nem quisesse mais ser ditador, apenas quisesse ser um político influente e dominasse o mundo economicamente. Afinal, iria perceber que guerras são caras tanto antes, durante e depois, quando o país fosse devastado, baixas de civis e militares, armamento destruído, fabricas em ruínas. Perceberia que as ideias de antigamente poderiam estar enraizadas, mas não poderiam acontecer como aconteceu. A Alemanha unida – depois de ser dividida e pilhada entre os vencedores depois da guerra – e poderosa economicamente, é outra e domina muito a economia mundial, e também, outros valores se formaram.

A “raça” pura não importa mais, pois após o genoma humano (o mapeamento genético), até somos uma mistura de sapiens e neandertais. Não tem escapatória, porque até nossas línguas são de alguma origem, de algum lugar remoto lá trás. Já a ancestralidade dos povos árias ou arianos (povos indo-iranianos que viveram provavelmente, entre a Europa central e a Turquia), eram uma mistura de povos pré-históricos do neolítico. Então, com toda essa informação, com tudo isso, acabaria se convencendo que era uma tremenda bobagem esse negócio de “raça pura”.

Mas uma frase me fez refletir durante o filme e foi: “você nunca vai se livrar de mim, pois eu sou a humanidade” e me fez refletir. Será que temos um “Hitler” dentro de nós que desperta a cada frustração que temos? Será que esse “Hitler” é despertado quando o medo do desconhecido – como estrangeiros refugiados – nos acomete? Vimos no filme – que tem um formato de documentário – que algumas ideias nunca mudam, talvez, por comodidade social, ou talvez, por pura alienação. A realidade destas pessoas nada mais é que uma realidade ilusória, distante da verdadeira realidade. O medo e a angustia deste medo sempre fará do ser humano um ser destrutivo, amargo e sombrio porque começam a generalizar as coisas. Quem, por exemplo, generaliza que todo islâmico é terrorista não conhece o Alcorão, assim como generalizar que todo homem moralmente definido, é um homem fascista. Saber o que se quer não é um comportamento fascista é no mínimo, um comportamento adulto.

Porém, nem sempre as pessoas são assim e começam a generalizar. O fascismo é uma forma institucional de generalização e isso, com toda certeza, vem sempre com o sujeito de “bem”. Mas o sujeito de “bem” nunca é aquele homem moralmente definido que eu disse, e sim, aquele que tem medo de descobrir o seu teatro que representa na vida. Todos têm um pouco de “Hitler” dentro de si mesmos a partir quando seus próprios interesses estão em jogo, ou seja, o mundo se torna fascista não por causa da moral definida, mas sim, por falta dela. Essa frase é uma sintaxe do ser enquanto ser, porque temos moralmente sempre jogar a culpa no outro. A corrupção é culpa do outro, a educação é culpa do outro, o inferno sempre é culpa do outro, como disse Sartre em sua obra, A Náusea. Quando não se tem vaga no Shopping é culpa dos deficientes e dos idosos, a culpa das filas é do estabelecimento e etc… os deficientes e idosos não tem culpa e quem está na fila é você mesmo.

Eu prefiro Kant que diz fazemos sempre o certo, para quê no futuro, possamos ser seguidos e copiados. Entenderam qual é a questão?


Amauri Nolasco Sanches Junior

tem 40 anos e é paulistano, tem uma deficiência chamada Paralisia Cerebral (não o cérebro paralisado), que deixou sequelas dentro da parte fisicomotora, mas não deixou de ser uma pessoa que vive plenamente. Mesmo cadeirante cursou publicidade virtualmente pela IPED e TI (Técnico de Informática) pela ETEC Pq Santo Antônio na zona leste de São Paulo e não parou. Se formou em Filosofia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), além de ser noivo de uma linda dama. .
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