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Cutucando uma humanidade repleta de atitudes racionaria, fria e sem pudor

Douglas B.C.

O Homem Elefante / Um drama real

A dramática história de Joseph Merrick, um homem que enfrentou todo o preconceito existente em uma sociedade cruel e 'conservadora'. Visto como prova de uma aberração da natureza. A humanidade.


Em 1862, entre tantas outras crianças recém-nascidas, nasce em Leicester - Inglaterra -, um garoto de história dramática, inspiradora, e comovente. Uma pequena e, aparentemente saudável criança, que inicia uma difícil maneira de viver. Talvez tenha sido um personagem de Deus, testando mais uma vez sua pobre criação, a humanidade.

Pouco antes de seu segundo aniversário de vida, este bebê até então comum em uma sociedade de época, começa a desenvolver tumores no rosto. Três meses depois, perde seu irmão também bebê. Logo em seguida, quando tinha apenas onze anos de idade, exatamente em 1873, este mesmo garoto perde sua mãe Mary Jane Merrick de pneumonia brônquica.

A morte de sua mãe mudou tudo. O pai da criança casou-se novamente, sem dúvidas o garoto foi morar com o pai e a madrasta, esta que com poucos dias de convivência, declara que o garoto é um constrangimento para a família, um incômodo para a vivência diária. Logo ela começa a maltratá-lo e dá o ultimato ao marido: "Ou ele, ou eu." Desolado, o garoto foge de casa. Já maior e, com sua doença avançada, se vê obrigado a vender sapatos nas ruas vizinhas, sobre calçadas irregulares, um desafio torturante para ele que tem dificuldades para andar.

Pela deformação de seu corpo, as tarefas mais simples tornam-se quase impossíveis de serem executadas. Dentre tantas dificuldades habituais, o garoto não consegue dormir deitado, sua cabeça pesa, podendo matá-lo se tentasse. Sua saída foi dormir sentado, com os braços envoltos nas pernas dobradas e a cabeça apoiada sobre os joelhos.

Uma incrível semelhança do Homem Elefante, Joseph Merrick, pelo Tom Kueble.jpg (Uma incrível semelhança do Homem Elefante, Joseph Merrick, por Tom Kueble)

Joseph Carey Merrick foi um jovem rapaz que desenvolveu uma rara doença e, até hoje incurável, chamada Síndrome de Proteus. Esta doença provoca o crescimento excessivo de ossos, pele e outros tecidos corporais, causando o surgimento de gigantismo de vários membros e órgãos, especialmente nos braços, pernas, crânio e medula espinhal. Geralmente, os recém-nascidos não apresentam sintomas da doença, sendo que os primeiros sinais começam a surgir por volta dos 6 a 18 meses de idade.

Esta doença não tem cura, porém hoje, assim como tantos outros, existe tratamento. Algumas deformações podem ser corrigidas com cirurgias, para melhorar a imagem corporal dos pacientes. Na época de Joseph, (séc. XIX) a medicina não estava tão avançada como hoje para tal tratamento. O que obrigava o garoto a conviver com sua espantosa e horrenda aparência.

Sua forma física foi uma fonte de grande diversão para os escores das crianças, que o seguiam de rua em rua, zombavam e chamavam-no de nomes cruéis. Rapidamente sua aparência agravou ainda mais. Sua cabeça ganhou um aspecto horrendo, o crânio ganhou peso, sua mão e antebraço direito se destacaram pela deformação, e sua postura piorava, ficando cada vez mais corcunda. As dores vinham com o tempo, as emocionais era ainda piores, Joseph foi descartado pelos indigentes, pela sociedade como um todo, e despojado de toda a sua auto-estima.

Para ocupar sua mente, como tentativa de integrar-se à sociedade e manter seu sustento, Joseph estava a aceitar qualquer trabalho. Não sofreu espancamentos, ou qualquer agressão física até então, pelo contrário Joseph Merrick sofria apenas pela rejeição social. Por fim, ele acabou chamando a atenção de Phineas Taylor Barnum, dono de circo no século XIX, este que viajou por toda a América levando pessoas estranhas com doenças bizarras. O circo chamava Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus. O famoso Circo dos Horrores na época.

Considerado por muitas pessoas uma monstruosidade grotesca, Joseph resolveu se juntar ao circo de Barnum em busca de uma grana. Lá ele era bem tratado e a grana que ganhava era algo inacreditável para alguém com uma aparência tão grotesca.

7_thumb.jpg (Circo dos Horrores / Show de Horrores foto: reprodução)

Acreditou-se que o “Homem elefante”, como Joseph era anunciado no circo, seria produto de uma elefantíase (filariose) grave. Posteriormente, descobriu-se que a doença dele era síndrome de proteus. O local onde essas exibições do Circo aconteciam, inclusive, ficava em frente ao hospital de Londres. O Show de Aberrações tornou-se proibida no Reino Unido. Um austríaco showman, não conectado com o Barnum, privou Joseph, e lhe deixou desamparado na Bélgica. Foi no famoso Hospital de Londres onde, num dia em 1884, o cirurgião Sir Frederick Treves, ouviu uma verdadeira gritaria pela janela de seu escritório. Pessoas se enfileiravam na rua para ver um provável show de aberrações, realizado em um prédio vazio que, hoje, é um açougue. Mas, há 100 anos, era Joseph Merrick que estava lá exposto e sozinho.

Tendo sido incessantemente hostilizado com comentários sarcásticos por parte de crianças, e a tentativa de fuga de um grande número de amargos adultos. Joseph foi encontrado no chão deste prédio, faminto e sem fôlego.

A melhor maneira de perceber a cena é assistindo o filme "O Homem Elefante" - dirigido por David Lynch em 1980. O filme descreve, quase que exatamente a maneira como as coisas aconteceram na estação. Joseph foi levado para os hospital de Londres, para a enfermaria de isolamento, de modo a não alarmar os outros pacientes. Algum tempo depois, planos foram feitos para proteger a última casa (apartamento) e um lugar de descanso para Joseph.

8af5bbf7f3110e7dc39a66501dca6446.jpg (filme: "O Homem Elefante" - dirigido por David Lynch em 1980)

Nesses dias os hospitais tinham a política de nunca dar a sua cama para os incuráveis. Um lar permanente foi o que era necessário. Filantropos e bem feitores de todos os cantos da Grã-Bretanha e da Europa, estavam a escrever para a Whitechapel Hospital (Hospital de Londres), oferecendo todos os tipos ajuda, além disso, grandes quantidades de dinheiro foram oferecidas após olhar Joseph. Uma enorme pressão foi colocada sobre a Whitechapel Hospital para dar a este, um lar permanente.

A casa foi dada, a rés do chão da ala leste do Hospital se tornaram para Joseph casa permanente. Os mais felizes anos de sua vida adulta foram gastos no London Hospital, cuidado por seu amigo Dr. Treves e os enfermeiros. Joseph se sentiu respeitado e amado, era muito confortável. Um pequeno anexo na Cabeceira Square, foi adaptada para as suas necessidades pessoais. Uma poltrona especial foi construída pelo Engenheiro Chefe, William Taylor.

Joseph foi incapaz de conviver em círculos finos por causa de sua aparência. Embora ele fosse muito educado, teve de se basear, principalmente, em sua imaginação eventos sociais. A digna atitude seria, certamente, não menos do que a de um possível corpo Inglês, Cavalheiro do tempo, e os seus costumes iguais, se não superiores às vezes. A maior parte do tempo ele foi deliciosamente infantil, o que tende a simplificar as coisas.

Joseph construiu uma market de uma igreja, de origem alemã. O filme "O Homem Elefante" mostra com Joseph o prédio que, baseando-se em sua visão restrita da Philips perto da igreja. Pode-se apenas imaginar a dificuldade que teve, com sua mão e seu braço estavam inutilizáveis. Seus dedos, em especial, eram delicados e ele os usava normalmente. A market que ele fez, foi para presentear uma atriz da época. Apesar de nunca ter conhecido o amor verdadeiro, Joseph fez amizade com várias amigas de Treves, a quem escrevia regularmente.

maquete.jpg (market produzida por Joseph Merrick)

Treves ofereceu ao "Homem Elefante" uma moradia, uma amizade e — o mais importante — o respeito digno a qualquer ser humano. Na ala nobre do hospital, pela 1ª vez na vida, Merrick pôde andar livre, e desfrutar da privacidade de seu jardim recluso. Foi durante a época em que morou com Treves, que Merrick passou os dias mais felizes depois da morte de sua mãe. Tratado como um ser humano, ele passou a encantar as pessoas com sua boa educação e seu bom caráter. "Uma coisa que sempre me entristeceu em Merrick, era o fato de que ele não era capaz de sorrir. Fosse qual fosse sua alegria, seu rosto permanecia impassível. Ele era capaz de chorar, mas não de sorrir." disse Treves.

609a3538d99c2c000395205d885ec050.jpg (Foto: reprodução)

Merrick recuperou a dignidade que lhe fora cruelmente negada. Ele virou a sensação de Londres, e era visitado pela sociedade vitoriana. Sua maior alegria foi uma visita da Princesa de Gales, que se tornou uma constante. A doença continuava a atormentá-lo. Ele foi ficando cego e surdo e sua deformidade piorava.

Em abril de 1889, em um esforço desesperado para ser como as outras pessoas, ele dormiu de barriga para cima e o peso de sua cabeça o sufocou. A morte prematura de Joseph Merrick, aos 27 anos, foi notícia nacional. Coube a Treves, a difícil tarefa de, em nome da ciência, dissecar o homem que ele havia reintegrado à sociedade civilizada. Merrick morreu sem ter implorado pena ou reclamado de sua aflição. Ele foi um incrível exemplo de humanidade, que foi expresso singularmente neste poema de sua autoria:

“Se eu fosse alto e pudesse alcançar o polo ou colher o oceano em minhas mãos, eu seria medido pela alma, pelas mentes e pela medida dos homens.” - (Joseph Merrick, o Homem-Elefante).

Esta, é a imagem tratada mais próxima de como seria Joseph Merrick totalmente saudável.

Joseph_Merrick_by_odile_locket.jpg (Foto: reprodução)

| Douglas B.C. (26/06/2015)

Fontes: http://www.josephcareymerrick.com/ http://idiossincrasia.com/a-verdadeira-e-tragica-historia-do-homem-elefante/ http://www.tuasaude.com/sindrome-de-proteus/ http://www.mundogump.com.br/


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