dança de superegos

Cuidado: Perigo de incepção cultural e ideológica

Eduardo Fidler

Meio gaúcho, meio canadense. Cursando Engenharia Mecânica, se arrisca na escrita e na culinária nas horas vagas. Amante da música, da literatura e dos esportes

O esconderijo das palavras

Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito, diz Alberto Caeiro.

É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Silencie.
Há algo que só se ouve nos interstícios das palavras.


silence14.jpg

Desligue-se. Rompa seus preconceitos. Esqueça suas pressas. Reconheça esses chauvinismos incrustados na tua pele. E então desfaça-os. Abrace a solidão, não a do vazio ou desespero, a da tranquilidade de espírito. Esteja em si, já disse Drummond. Viaje no tempo e na memória. Escute. Silencie. As respostas se escondem no silêncio. Então desligue-se!

Já o fiz. Desliguei-me. E então me restou escrever. Para o escritor a escrita é desligamento. Há algo entre a caneta e o papel que faz o sangue ferver. Mas ainda assim abranda. Abre os olhos. Mexe com os estereótipos que temos de tudo. Amo a escrita e isso não me faz, de modo algum, um gênio das palavras. Aliás, e algum escritor há de convir comigo, há momentos em que elas somem, se esvaem, e me pergunto:

Onde se escondem as palavras?

Há pouco estavam na ponta dos lábios (ou da caneta), pisquei e se foram. Sumiram e de nada adiantou. Não adiantou cavoucar o poço da alma, era tão fundo que não cheguei a lugar algum. Procurar no coração as respostas então!? Me provocou uma torrente de emoções, mas não me traduziu em palavras. Até encontrá-las no mar do ego, tentei, eram vazias demais para satisfazer-me por completo.

Descontentei. Optei pelo simplório. Veio uma enchente de pensamentos e me jogou num labirinto entre consciente e subconsciente. Minha primeira pergunta seguiu sem resposta. A solução?

Silenciei. Aceitei. Aceitei continuar sem respostas concretas, afinal não temos respostas pra tudo.

No silêncio foi que me flagrei que nunca as encontramos de fato. Elas simplesmente se apresentam, mesmo na simplicidade ou nos clichés, nos lembrando que há algo adormecido em todos nós. Algo de romântico, de poético, de misterioso, lá nas profundezas do interior, e que pode ser despertado.

Foi aí que encontrei a imortalidade da leitura e da escrita. Somos o que escrevemos. Não?


Eduardo Fidler

Meio gaúcho, meio canadense. Cursando Engenharia Mecânica, se arrisca na escrita e na culinária nas horas vagas. Amante da música, da literatura e dos esportes.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious //Eduardo Fidler