dando bandeira

Liberdade é não ter que fazer a escolha certa.

Camila Bandeira

De noite, sorridente. Pela manhã, mal-humorada. Eu vivo em Brasília, mas juro que não sei de nada. Sou publicitária, feminista, carioca das Laranjeiras. Seja bem-vindo e muito prazer, me chamo Camila Bandeira

Se vivesse 10 vidas, seria mulher em 11

Sim, temos motivos de sobra para querer ser mulher de novo e de novo. Aqui estão alguns deles. Não se assuste.


FEMINISMO3.jpg Ilustração retirada do site contioutra.com

Se pudesse escolher, seria mulher dez vezes, cem, mil! Em qualquer época, a qualquer momento. Seria mulher para não ter direito de voto. Seria mulher para não poder usar calça comprida (e depois short curto). Seria negra, da periferia, para trabalhar em dois turnos e ainda cuidar dos filhos. Seria mulher para ser assassinada ao viajar sozinha. Seria mulher cis e seria mulher trans!

Seria mulher oriental, em família de filho único, para ser rejeitada a vida inteira por não produzir testosterona. Seria mulher para apanhar do marido. Seria mulher para ser estuprada. Seria mulher para ser dona de casa, sustentar a família e ainda cuidar da tia doente. Seria mulher para ser objeto sexual. Seria mulher para viver à espera de um príncipe encantado. Seria mulher para ter que fazer dieta para o verão, porque gorda não pode ir à praia.

Seria mulher para ser assediada na rua, ouvir fiufiu de imbecil e ter que tirar o batom se o namorado mandasse. Seria mulher para ganhar um salário menor que os homens que desempenhassem as mesmas funções que eu. Seria mulher para sofrer mutilação genital. Seria mulher para ouvir piada sexista. Seria mulher para ser chamada de feminazi. Seria mulher para tirar a blusa e ouvir que isso é atentado ao pudor. Seria mulher para me prostituir. Seria mulher para fazer aborto clandestino, já que é a única solução que me restaria.

Eu seria mulher quantas vezes fossem necessárias para provar ao mundo que, mesmo com todas as condições às quais somos submetidas, jamais desistiríamos de ser quem somos.

Porque eu seria mulher de novo para gritar ao mundo que mereço direitos iguais. Seria mulher de novo para poder votar a cada eleição. Seria mulher de novo para poder dirigir sem ser xingada no trânsito. Seria mulher de novo para dividir as tarefas da casa. Seria mulher de novo para não usar mais sutiã. Seria mulher de novo para usar roupa rosa e roupa azul e roupa amarela e roupa de arco-íris. E para não usar roupa nenhuma!

Seria mulher de novo para ocupar cargos políticos. Seria mulher de novo para poder andar sozinha à noite, sem medo. Seria mulher de novo para ser respeitada pelo meu parceiro. Seria mulher de novo para alcançar altos cargos na empresa onde trabalho. Seria mulher de novo para abortar com segurança. Seria mulher de novo para brincar de boneca e de carrinho e do que eu bem entendesse. Seria mulher de novo para usar muita saia curta e muito batom vermelho.

E seria mulher de novo, simplesmente, para sentir o orgulho que sinto todos os dias quando acordo e que só nós, mulheres, sabemos como é.


Camila Bandeira

De noite, sorridente. Pela manhã, mal-humorada. Eu vivo em Brasília, mas juro que não sei de nada. Sou publicitária, feminista, carioca das Laranjeiras. Seja bem-vindo e muito prazer, me chamo Camila Bandeira.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Camila Bandeira
Site Meter