dando bandeira

Liberdade é não ter que fazer a escolha certa.

Camila Bandeira

De noite, sorridente. Pela manhã, mal-humorada. Eu vivo em Brasília, mas juro que não sei de nada. Sou publicitária, feminista, carioca das Laranjeiras. Seja bem-vindo e muito prazer, me chamo Camila Bandeira

Já ouviu falar nos beacons?

Você sabe o que é beacon? A grafia está certa! Não é bitcoin, muito menos bacon (nhami!). Além de comprovarem que os conceitos de "online" e de "offline" não fazem mais tanto sentido, esses pequenos dispositivos chegam, também, para revolucionar nossas experiências em lojas, restaurantes, hotéis, museus e por aí vai.


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Nossas exigências como consumidores hoje giram em torno, principalmente, do atendimento e dos serviços. Bons produtos não são mais um fator competitivo primordial, uma vez que a qualidade de tudo que consumimos está cada vez mais nivelada. A verdade é que queremos ser bem atendidos e o diferencial das empresas está, basicamente, no relacionamento e na sua forma de chegar. O surgimento de novas tecnologias afeta, indiretamente, produtos de comunicação e o relacionamento empresa-consumidor. E o lançamento de novos dispositivos pode trazer um outro olhar à forma de se comunicar ou, ainda, transformar estratégias de comunicação.

Esse é o caso da tecnologia Beacon, recente no Brasil e que poderá ser utilizada para relacionamento com o cliente dentro dos pontos de venda ou locais da prestação de serviço. Os pequenos dispositivos possuem baterias de longa duração – algo em torno de um ano de funcionamento – e emitem sinais via bluetooth que podem ser captados por smartphones, tablets, outros beacons etc. Além de baratos e pequenos, possuem inteligência interna capaz de disseminar esse conteúdo conforme os usuários se aproximam do dispositivo. Ou seja, uma vez que o consumidor está dentro de uma loja, ele poderá ser impactado de diversas formas.

Os beacons, contudo, não são reconhecidos por outros dispositivos a uma longa distância. Então, não é possível interferir na "liberdade" do cliente, como fazem os emails, SMS, push notifications e todas as outras mensagens que simplesmente "brotam" nas nossas telinhas sem explicação. É um formato totalmente novo de interferência do digital no ambiente presencial, chamado insistentemente de offline.

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Calma, uma pausa! Por favor, não vamos nos prender a este tipo de caixinha, certo? Já somos digitais, já não sabemos mais como usar canetas e lapiseiras. Já não enviamos mais telegramas. Já não esperamos pelos próximos episódios. Vemos nossos amigos quando queremos e de onde estivermos. Já fotografamos com o piscar dos olhos, falamos por meio de relógios, temos a previsão do tempo na palma das mãos. Essa história de online e offline já está ultrapassada, afinal, estamos online o tempo inteiro, não é mesmo?

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Desabafo feito, voltemos aos beacons. Você deve estar se perguntando: Como eles podem ser utilizados?

Vamos imaginar o primeiro cenário: Você entra em uma loja de departamentos, dessas que vende de tudo, e logo se interessa pela roupa que está na vitrine. Você olha em volta e não encontra onde está aquele sapato, bolsa ou bermuda. Seu celular, obviamente, já está na sua mão. Com uma simples foto do manequim, o aplicativo da loja te indica o trajeto até a seção desejada.

Segundo cenário: você vai fazer compras em um supermercado. Ao entrar no corredor de legumes, seu celular acende. As batatas estão em promoção e você nem sabia. Ao final das compras, você chega no caixa. A fila está longa e você, cansado. Como em um sonho, um funcionário te traz um belo copo de limonada, afinal, você já está lá dentro há 1h30 e "deve estar com sede."

Terceiro cenário: você é deficiente visual e utiliza o metrô de sua cidade para locomoção. Ao entrar na plataforma, coloca seus fones de ouvido e é guiado, por áudio, até o guichê de compra do bilhete, depois na passagem pelas catracas e, por fim, para entrar no vagão. Simples, rápido e eficiente.

Tudo isso é possível a partir dos beacons. Além de a empresa não ter acesso ao conteúdo do cliente se ele não permitir, ao sair do raio de alcance do beacon, o cliente volta para sua casa sem interferência. A ideia é que a experiência da loja física fique na loja física, agora conectada à palma da sua mão, mas é claro que as empresas, uma vez conectadas aos nossos dispositivos, podem utilizar essa novidade como "iscas" para nossas informações. Os beacons podem direcionar caminhos internos, como um GPS indoor, sem perda de conexão por conta das estruturas das construções e com uma precisão quase duvidável. Essas belezinhas encontram desde chaves perdidas em bolsas ao trajeto até a estante certa em uma biblioteca.

A tecnologia já chegou ao Brasil e tem potencial para revolucionar a experiência dos clientes em ambientes físicos, mas será que essa "moda" pega? A verdade é que nunca é possível prever. Fico na torcida para que não tenhamos uma nova versão dos QR Codes. Assim como esses, os beacons são de fácil acesso e baratos para as empresas, mas resta saber se terão aderência ou serão novos coadjuvantes. As ideias para sua utilização são das mais variadas, mas nos resta esperar pelos resultados. Afinal, quem dita as regras, no fundo, somos nós, usuários.


Camila Bandeira

De noite, sorridente. Pela manhã, mal-humorada. Eu vivo em Brasília, mas juro que não sei de nada. Sou publicitária, feminista, carioca das Laranjeiras. Seja bem-vindo e muito prazer, me chamo Camila Bandeira.
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