das coisas da vida

e de outras também

Andy Candy

Andreia Souza, deia, deinha, andy. Louca, apaixonada por música, por cantar e escrever, escritora e descritora do que vejo, mas que em geral enxergo com o coração.
Obrigada por me ler.

O feminismo de Mulan

Resumo: Num mundo onde muitos acham que feminismo já era, é interessante rever uma história de séculos, mas com pontos muito atuais. Toda mulher, aliás, todo ser humano deveria ter um pouco de Mulan. A coragem para desafiar uma sociedade injustiça deve ser uma chama que jamais se apaga. A luta é árdua, mas lembremos: “ A flor que desabrocha na adversidade é a mais rara e bela de todas”.


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A princípio eu tinha pensado em colocar o título deste texto de “Mulan uma abordagem feminista” mas como essa palavra assusta muita gente resolvi mudar um pouco, porque afinal poucos realmente entendem o que é feminismo e a causa dessa luta que não para. Mas vamos ver como esse filme traz uma ideia feminista para o universo da Disney.

A primeira vez que vi Mulan eu tinha uns dez ou onze anos, e obviamente me encantou a estória na época, especialmente porque existe uma busca de identidade envolvida e eu sempre me senti meio deslocada com alguns aspectos da minha família, mas isso é assunto pra outro texto...Revendo o filme um dia desses eu percebi como esse filme é feminista e que há muitos pontos interessantes nele.

O filme começa com a menina indo encontrar a casamenteira da cidade para poder honrar a sua família, acontecem algumas coisas até que chega o conselheiro do rei distribuindo convocações para a guera contra os unos, dentro deste pedaço inicial já temos vários pontos interessantes, a mulher só pode honrar a família fazendo um bom casamento, estando sempre bem maquiada, a mulher deve “dobrar a língua na presença dos homens” como diz o conselheiro, ou “só pode falar quando tiver permissão” como comenta a casamenteira, já vemos aí que a maneira como homem honra a família é diferente da maneira que a mulher honra a família, isso me lembrou muito um comentário de um dia desses feito pela Pitty : “...o que se diz de um homem de respeito não é o que se diz de uma mulher de respeito.” Sejamos francos e honestos, isso é ou não é ainda uma realidade? Não precisamos ir muito longe não meu carx, visita qualquer página de notícias ou blogs com alguma notícia sobre assédio, estupro ou qualquer coisa do gênero, e quando você vai ler os comentários (não, eu nunca sigo o conselho de não ler os comentários pq gosto de ver como pensam as pessoas, deveria segui-lo pq faria bem ao meu estomâgo mas sou teimosa demais) e lá está o machismo arraigado na cachola dessa galera, de que a guria estava vestida assim e assado, que se estivesse em casa não teria acontecido, assim como Mulan somos silenciadas, existem ainda regras e normas de como se portar, de como honrar a família e a si mesma como mulher e quando você não segue isso vocÊ é a vagaba.

Mas voltando ao filme... Mulan é muito obstinada e valente, se arrisca a morrer se for descoberta para poder salvar a vida do pai dela (emoção e coração envolvidos nesse ponto) depois de muito esforço ela consegue conquistar as habilidades de um soldado (força física), é a primeira que consegue usar os símbolos da disciplina e da força para subir num poste de madeira enooorme. Em muitos momentos Mulan demonstra a força e a coragem que a sociedade da época e porque não dizer que a atual espera de um homem.

No fim de tudo Mulan consegue salvar o imperador, é interessante notar duas coisas aqui, a irônia do filme, inclusive de uma das canções Homem Ser (da versão original em inglês 'I'll Make a Man out of You) que mais uma vez exaltam a fortaleza e a coragem como características exclusivamente masculinas, mas eles nem desconfiam que Ping na verdade é uma mulher que se torna a grande salvadora da estória, além disso eles só conseguem subir no palácio usando lenços e disfarçados de mulher, ou seja eles precisam usar por assim dizer da delicadeza para poder chegar até o imperador. No fim e a cabo uma mulher é quem arquiteta tudo para salvar a vida de todos e não os homens, mostrando assim que não somos só corpos, bunda peito e cinturinha, mas também inteligentes. O próprio imperador não é um homem super forte, mas muito sábio, demonstrando assim que ser homem não significa ser musculoso como um touro, mas que eles também podem ser sensíveis e suaves, que seriam caractéristicas de mulheres dentro dessa visão tão antagônica de sociedade.

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Obviamente Mulan não consegue fazer tudo sozinha, seus companheiros a ajudam, e esse é o ponto alto da minha análise feminista do filme, o feminismo não prega a sobreposição da mulher em relação ao homem e sim a igualdade, feminismo não é machismo ao contrário amigos, só queremos os mesmos direitos, os mesmos salários, não sermos chamadas de mal amadas e mal comidas por pensarmos de maneira independente, não ser chamadas de puta por conta da nossa liberdade sexual, e isso para ficar no topo do iceberg, ainda temos as expressões tão arraigadas e cristalizadas na sociedade que nem nos damos conta, “seja homem...parece uma mulherzinha...tenha bolas...mulher no volante perigo constante...volta pra cozinha...moça de família...mulher que se respeita não...”, e isso para não falar onde o próprio machismo coloca o homem, homem não deve chorar, não deve expressar emoção e deve ser sempre inabalável como uma rocha, essas coisinhas aí são de mulher não de homem com H. Mas assim como Mulan queremos mostrar que somos capazes de fazer coisas certas, e que todos podem usar a emoção, a razão e a força para fazer as coisas bem, no filme tanto ela quanto seus companheiros se emocionam em vários momentos lá pelo final do filme quando todos se curvam diante dela.

A história de Mulan que vem mesmo de uma lenda (ou história real, quem sabe pois a única referência sobre ela está num poema então não dá pra saber) mas aqui falamos da estória do filme tá?! Mostra como ela teve que fazer o possível e o impossível para mostrar seu valor, infelizmente ainda não conquistamos tudo que deveríamos pois a sociedade ainda é machista, ainda precisamos demonstrar muita coisa pare termos nossos direitos assegurados, mesmo aqueles que já estão na lei. É interessante ver qual é o papel da mulher naquela sociedade, e tristemente constatar que séculos depois de quando se passa a est[oria a situação ainda não mudou tanto assim, já evoluímos mas não chegamos lá, mas acho bacana termos filmes assim para incentivar as meninas desde cedo que sim podemos que somos iguais e somos todas capazes, quer ser mulher não é símbolo de fraqueza e nem de inferioridade e que todos podem ser fortes e emocionais ao mesmo tempo, sejam homens ou mulheres.

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Andy Candy

Andreia Souza, deia, deinha, andy. Louca, apaixonada por música, por cantar e escrever, escritora e descritora do que vejo, mas que em geral enxergo com o coração. Obrigada por me ler. .
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