das coisas da vida

e de outras também

Andy Candy

Andreia Souza, deia, deinha, andy. Louca, apaixonada por música, por cantar e escrever, escritora e descritora do que vejo, mas que em geral enxergo com o coração.
Obrigada por me ler.

O que aprendi do episódio 9 de Sense8

“Seja você mesmo. Os outros já estão ocupados sendo outras pessoas.”– Oscar Wilde


Às vezes penso que a humanidade caminha para se tornar uniforme, tão uniforme que em algum momento não se fará distinção entre quem é quem. Estamos todos rodeados de normas e padrões que deveríamos seguir, da maneira de nos vestir até o que se deve ou não falar. Não estou dizendo para se perder totalmente a noção de quando, onde e como agir ou dizer certas coisas, mas porque nos castram tanto e tentam nos encaixar dentro de um modelo especifíco?

Desde sempre nossa natureza vai nos guiar para nos tornarmos quem somos, acho que realmente a personalidade de cada um é um fator preponderante para sermos quem somos, contudo nossas experiências também formam nossa personalidade, é tipo um círculo, entende? Uma coisa acaba levando à outra e a outra acaba levando à uma.

É muito importante ser autêntico, ser você mesmo e não ficar imitando ou fazendo tudo que te dizem para fazer, assistindo a Sense 8 ontem à noite a personagem Nomi Marks disse uma coisa que arrepiou minha espinha “... a real violência, a violência que eu percebi que era imperdoável é a que fazemos a nós mesmos quando temos muito medo de sermos quem realmente somos.” , eu até pausei o episódio porque precisava pensar sobre isso por alguns instantes. E não é que ela tem toda razão? A pior coisa que se pode fazer na vida é negar a si mesmo, é como se você pegasse uma faca e cortasse uma parte sua, como se você se mutilasse lentamente, parte por parte e pedaço por pedaço quando você se nega, quando você tenta viver segundo os padrões dos outros.

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Depois de refletir sobre o que a Nomi disse eu chorei, mas sabe aquele choro que fica dentro de você? Um pouco sufocado e com urgência de sair, pois me lembrei de todas e cada uma das vezes que neguei a mim mesma e o que queria pra mim. Eu fui criada dentro de uma religião desde pequena, mas sabe quando você não se encaixa naquilo? Quando você quer ter um piercing e nem ter mais de dois furos na orelha você pode? Quando realmente te criam dentro de um molde, mas você quer a todo custo sair e começa a chutar a forma até ela ficar completamente torta. Quando você percebe desde que tem consciência para pensar que ali não é o seu lugar? Pois é, eu perdi tempo ali fazendo algo a contra gosto, não que eu odeie a religião, mas nunca me encaixei nela, nunca foi a minha, e nunca, jamais se deve fazer algo que você não quer por ninguém, eu errei muito nesse ponto, um vacilo imperdoável comigo mesma.

Alguns me enxergam como a louca, a rebelde a ovelha negra da família, ou qualquer coisa do tipo, mas é melhor ser eu mesma do que o que não sou somente para agradar a outros. Por irônia do destino esse episódio caiu para mim justo quando faz alguns dias eu me sentei na frente do espelho e me olhei dentro dos meus próprios olhos, sabe quando você se olha tão profundamente que consegue ver as nuances da cor dos seus olhos? Naquele momento em que me olhei de uma forma que jamais tinha feito antes eu refleti no quanto já passei nessa vida dentro desses meus 27 anos, o quanto eu já aguentei e ainda aguento as vezes pela minha liberdade e pelo que sou, jurei a mim mesma que jamais iria aceitar ou fingir algo que não estou de acordo, que jamais me contentaria com menos do que me aceitarem pelo que sou. E fica a dica para você, se nunca fez isso de se olhar e se refletir FAÇA, apenas tire um dia para se olhar lenta e profundamente dentro dos seus olhos, dentro de si.

Obviamente tudo na vida virá com um preço, nada de real, nada de impactante vem sem um custo, e o meu foi atualmente ter relações picotadas com a minha família, mas é melhor assim já que a escolha é deles do que multilar a mim mesma. Ainda sobre isso, e observe como sempre querem nos moldar de um jeito ou de outro, eu fiquei solteira faz alguns meses e como dizem aqui no México tenho uma personalidade cabrona (pode-se dizer forte), e muitos dizem para eu mudar, mexer aqui e ali para poder encontrar um namorado, mas a que custo? O que custará de mim me multilar desta maneira? Se alguém me quiser que seja como sou e me aceite como sou, isso vale para todos, inclusive família, amigos e o escambau.

Quantas vezes você que me lê já parou para pensar em quem você é? O que você realmente quer? Qual é a sua essência, que você busca na vida? Vivemos tão apressados que mal pensamos nisso, não paramos para refletir sobre essas coisas, e só reproduzimos os mesmos comportamentos, sonhos e até expectativas das coisas. Jamais fira alguém ou se torne tão narcisista a ponto de não pensar em ninguém mais, mas seja honesto e sincero, especialmente com você mesmo, muitas vezes a dor vem de nós mesmos, a gente é quem se permite castrar e por esquecermos quem somos e de onde viemos permitimos que nos façam mal. Lembre sempre que você é único, no mundo inteiro não há mais niguém como você, então por que perder tempo sendo tão igual aos demais?

Sempre se pergunte: Quem sou eu? Mas responda a você mesmo, sempre e sempre para que você jamais esqueça a resposta.

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Andy Candy

Andreia Souza, deia, deinha, andy. Louca, apaixonada por música, por cantar e escrever, escritora e descritora do que vejo, mas que em geral enxergo com o coração. Obrigada por me ler. .
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