das travessias limiar em profundidade

Psicologia, Filosofia e Arte.

Maria Fernanda Carvalho

Carioca e psicóloga, interessada em literatura, filosofia e outros ramos da arte e da cultura, criando uma malha de conexões entre esses meios. Apaixonada por Bob Dylan, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, cinema e seus três gatos boêmios. Lido com metáforas.

a deusa trina: mulher maravilha

Mulher Maravilha o filme que traz uma articulação de aspectos relativos a jornada do herói e a metáfora perfeita da redenção do feminino.


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Algum tempo aguardo um bom filme sobre a história da Mulher Maravilha, pois sempre tive um desejo, nesse universo de maravilhosos heróis em quadrinhos, que são boa parte do universo Marvel, que uma grande heroína, mas não qualquer heroína, mas sim uma heroína Guerreira, diferente dos inúmeros filmes sobre a mulher maravilha fosse realmente contada.

O meu ideal é de que teria que ser a heroína digna do feminino forte e poderoso, uma mistura de guerreiras celtas sem perder a majestade.

Sinceramente, não estava animada em assistir esse filme por achar que seria mais um contado a revelia. Aguardava para assistir na minha velha tela de TV, ou no netflix, mas ao ver os amigos comentando e lembrar que o nome da mulher maravilha se trata de uma deusa e como gosto de histórias bem fundamentadas fui correndo ao cinema encontrá-la. E de fato a encontrei.

A primeira parte do filme se trata da história simbólica e pessoal da Mulher Maravilha. E irei focar nisso, por se tratar temas sobre a mitologia e fiquei um tanto surpresa ao constatar a história das amazonas, ambiente o qual ela cresceu. Lembrei-me da minha tatuagem e como gosto desse significante do nome Diana, fiz logo uma analogia da Deusa tríplice, contada pelos celtas e que tem várias manifestações e a principal é na Irlanda, onde ela é Morrigan. Deusa da batalha e da morte representada por três formas em uma única mulher, ou seja, a virgem, a mãe e a anciã. E a trajetória de Diana no filme não é diferente, ela precisa passar por esse percurso para se tornar quem é, pois faz parte da sua individuação e enfrentar a sua própria sombra, isso inclui tudo que tiver pelo caminho, até mesmo a luta com um Deus todo poderoso e a ajuda de alguns amigos que aparecem nesse percurso. Logo vale destacar aqui o processo pelo qual a Mulher Maravilha passa para torna-se si mesma, inteira, indivisível e distinta de outras pessoas ou mesmo da psique coletiva.

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São tantos os significados dessa deusa trina, mas cada vez que conhecemos a sua história, mais tomamos consciência de que a mitologia é completamente desfavorecida em prol da ciência um tanto materialista, mas hoje em dia podemos resgatá-la como fatos do inconsciente, ou da psique.

Do lado da religião no cristianismo, por exemplo, podemos entender a história das 3 Marias. Na Irlanda, as três Brigidas. Essa deusa tem um caráter forte e importante, pois ela tem o domínio do mundo e da humanidade. Assim como o tempo tem três dimensões, passado, presente e futuro, algumas deusas têm valores tríplices e o maior desses valores é ser representada de forma encantadora como a Diana dos Romanos.

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O filme traz a antiga história dos deuses e dos homens. Os Deuses nessa guerra ficam do lado oposto ao humano, sua própria criação e para que tentar acabar com a raça humana? É melhor deixá-los se autodestruírem.

É precisamente o que diz Foucault, não se é mais homem do que Deus e um morre com o outro.

Só uma Deusa Trina como a Mulher Maravilha para salvar o mundo e dessa maneira ela o faz com o amor de uma grande mãe que representa Gaia, deusa de toda a vida e do poder feminino. Sendo também a virgem que guerreia na luta e no combate e a anciã com a sabedoria no caldeirão da transformação.

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O lado demasiadamente humano da história fica por conta dos heróis (seres humanos) guerreiros que ao combate terminam muitas vezes se tornando mártires.

Vale a pena assistir no cinema, é genial.

E para finalizar e ficar charmoso, nada como uma mulher na direção do filme, Patty Jenkins para salvar a DC nesse universo cinematográfico dominado pela Marvel.


Maria Fernanda Carvalho

Carioca e psicóloga, interessada em literatura, filosofia e outros ramos da arte e da cultura, criando uma malha de conexões entre esses meios. Apaixonada por Bob Dylan, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, cinema e seus três gatos boêmios. Lido com metáforas. .
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