das travessias limiar em profundidade

Psicologia, Filosofia e Arte.

Maria Fernanda Carvalho

Carioca, psicóloga e psicanalista. Nas horas vagas curto muito cinema, livros e conversar com os meus três gatos boêmios. Alguns textos são meramente metáforas.

Trama Fantasma tem seu charme peculiar

(...)Todo grande homem tem que ser, obviamente, obsessivo. Não sei se me entendem. Mas o "grande homem" é a soma de suas ideias fixas. São elas que o potencializam.(...). De "Nelson Rodrigues em "Sexo é para vira-latas". Sim, Reynolds é um grande homem excêntrico. Da sua arte consegue extrair a beleza com sucesso, mas no amor ele escolhe se entregar com personalidade numa troca de poder de quem comandará as ações.


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Phantom Thread (Trama Fantasma) de Paul Thomas Anderson, 2017.

De todos os indicados ao Oscar de 2018, sinceramente, a meu ver esse longa foi o melhor deles por se tratar de uma narrativa sofisticada e profunda, também penso em outras razões, a principal delas é assistir pela última vez o ator Daniel Day Lewis no cinema, mas torço muito nesse Oscar de 2018 pelo outro grande ator Gary Oldman, na busca pela estatueta, só que quando Lewis entra no jogo, pode ganhar, pois ele dá uma aula de atuação na transmissão daquilo que ele se propõe em sua carreira.

Algumas das melhores atuações dele que marcaram a sua trajetória foram: Meu pé esquerdo, a Insustentável leveza do ser, em nome do Pai, Sangue Negro, Lincoln e entre tantos outros... sempre foi verdadeiro e magnifico na sua maneira de interpretar.

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Dessa vez, ele interpreta o estilista Reynolds Woodcook, ele consegue tocar na personagem com tanta delicadeza e sutileza que faz uma mistura boa com os sentimentos do espectador, sabe aquela pontinha de atração pela personagem, mas com certa repulsão? E ainda na medida certa, sem artifícios, porque é tão natural esse “toque” dele que passa e vai além da cena de ficção e chega aos nossos olhos com uma recarga de emoção, porque depois de duas horas de projeção que passa voando, pensamos saber tudo sobre a história, mas que nada... ainda podemos nos surpreender...

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Por outro lado, o diretor Paul Thomas Anderson, que fez outros grandes filmes como Sangue Negro, o melhor em minha nada pretenciosa opinião, fez um estudo tão brilhante desses personagens na narrativa, que tanto Lewis como a garçonete de Vicky Krieps chamada Alma que de simples garçonete charmosa nos causa certa comoção fazem uma dinâmica de arrepiar, são grandiosas as atuações, eles conseguem exteriorizar processos mentais que são invisíveis aos olhos das pessoas, como os desejos, a paixão e as vontades a ponto de nós espectadores sentirmos bem de perto as suas emoções. É incrível. Entramos na história junto com eles.

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Trata-se de um filme lento, daqueles de contar uma história forte ao público sem pressa e com muitas camadas, pois nele, podemos extrair alguns temas para debate sem deixar cair numa interpretação superficial e ainda fazer disso um estudo profundo. Aqui Não podemos pensar somente que um desses temas pode ser sobre o convívio a dois e as escolhas que o casal faz para enfrentar o tempo da fábula do final feliz.

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Nessa linha o filme perpassa qualquer superficialidade, pois é na superfície das aparências, ou dos tecidos das roupas luxuosas nos aproximamos cada vez mais da profundidade em uma relação.

Deixo aqui registrado, que ficou marcado para sempre a despedida com Maestria de Day Lewis em grande estilo.

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IMPERDÍVEL.


Maria Fernanda Carvalho

Carioca, psicóloga e psicanalista. Nas horas vagas curto muito cinema, livros e conversar com os meus três gatos boêmios. Alguns textos são meramente metáforas. .
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