de fora para dentro

Ensaio psicanalítico do cotidiano

Vera Blank

Vera Blank, psicanalista.

Escrever para mim é um ato de amor.O exercício da psicanálise é um ato de fé.
Conciliar essas duas experiências é o exercício que faço nesse momento.

Nó na garganta

Angústia, medo, dor, em forma de poesia...


face-66317_1920.jpg

A palavra, na garganta enrolada, estrangula, nervosa, o ar que passa na traqueia. Labirinto...

A ideia surgiu de repente, nascida ali na boca do meu estômago. Todo o meu corpo se agita e sinto a dor...

Devagar essa ideia ou essa “dor” vai subindo, preenchendo todos os espaços até se instalar, soberana, no meu peito oprimido pela respiração ofegante...

Meu coração bate forte, sinto sua pulsação! E tenho a sensação que ele, assim como a palavra e a ideia quer sair voando do meu peito!

mute-swan-997998__180 cisne.jpg

Compartilho com a mente dessa angústia. Qual a saída? Mas ela também, assustada, não me dá respostas...

A palavra, presa no meu peito, agora se instala na mente e fica ali martelando... Sinto outra vez a dor!

E estática, paralisada de medo, engulo finalmente a palavra e permaneço fiel ao medo, o medo de me descobrir falando...


Vera Blank

Vera Blank, psicanalista. Escrever para mim é um ato de amor.O exercício da psicanálise é um ato de fé. Conciliar essas duas experiências é o exercício que faço nesse momento. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/literatura// @obvious //Vera Blank