de fora para dentro

Ensaio psicanalítico do cotidiano

Vera Blank

Vera Blank, psicanalista.

Escrever para mim é um ato de amor.O exercício da psicanálise é um ato de fé.
Conciliar essas duas experiências é o exercício que faço nesse momento.

Defesas de vida... defesas patológicas

Nossas defesas, como o próprio nome diz, nos protegem dos riscos da vida.Mas elas também, diante de momentos em que nos sentimos vulneráveis e frágeis, podem nos paralisar, pelo medo de novos sofrimentos.Dessa forma deixamos de investir nos nossos talentos!


family-829133_640.jpg

Gostaria de trazer uma questão, que muitas vezes não nos apercebemos, ou fica por conta da boa sorte do sujeito: trata-se da responsabilidade de cada um de nós com os nossos talentos.

Fazemos escolhas na vida, nem sempre conscientes, é verdade, mas nos tornamos responsáveis por elas, de qualquer forma. São essas escolhas que nos levarão para o céu ou para o inferno astral.

Como isso se dá? Então não é sorte? Claro que a sorte é estar presente na hora certa e no lugar certo, mas você tem que estar preparado para isso!

Aprendemos desde pequenos que a faca é perigosa na mão de uma criança, ela corta, causa danos. Que o fogo queima, que cachorro bravo pode nos morder, que existem perigos no mundo dos quais temos que nos defender. O medo nos protege dos riscos. É o nosso instinto de vida. Nosso Eu (Ego) agradece quando nos defendemos. O Id, aquela instância da mente que vive do impulso prazeroso, esse tenta sempre realizar seus objetivos, sem olhar como nem a quem. Ele é puro prazer. Importa ser feliz, não medindo consequências.

Ainda bem que, ensinados pelos nossos pais, existe uma terceira instância na mente que é o nosso Superego, que sabe muito mais do Id (dos nossos desejos inconscientes) que o próprio Ego, e então nos defende, nos faz perceber os conflitos, nos faz pensar (quando já alcançou algum amadurecimento) e nos faz também sentir culpa. Aquela culpa necessária para corrigirmos alguns “desvios de rota”, para sentirmos gratidão também por aqueles que nos ajudam a crescer.

Acontece que, em situações mais patológicas, esse Superego pode se tornar extremamente cruel com o próprio ego, impedindo o sujeito, por intensos sentimentos de culpa inconscientes, de crescer, de se realizar, de fazer boas escolhas, desenvolvendo um medo que o paralisa.

defense-attorney-840062_1280.jpg

Esse Superego age em nome de uma “defesa” tão bem organizada, uma verdadeira “quadrilha" que apoiada em dados de realidade (por exemplo, dificuldades financeiras, a distância, a falta de tempo) impede a pessoa de ir atrás das suas oportunidades na vida, confundindo fator realidade com suas dificuldades mentais.

Essas são as defesas patológicas, a serviço do instinto de morte, causando paralisação, estagnação.

-Ah, agora não posso, não tenho dinheiro! E com isso a pessoa se fecha para lidar com os desafios da vida. E se justifica com os fatores da realidade, se boicotando. Nossas maiores dificuldades são mentais. E os obstáculos servem para nos fortalecer!

Denunciar essa “armação inconsciente” é ganho da análise. A vida de cada um de nós tem um sentido. Cabe a nós desenvolvermos nossas potencialidades e darmos significado a ela!


Vera Blank

Vera Blank, psicanalista. Escrever para mim é um ato de amor.O exercício da psicanálise é um ato de fé. Conciliar essas duas experiências é o exercício que faço nesse momento. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious //Vera Blank