de frente para a tela

Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.

Eva Camargo

Estudante de medicina veterinária, com aspiração a super heroína e disfarce de escritora. Uma completa bagunça, que teima em dizer que não quer ser arrumada. Ama o mar, livros, animais, dias chuvosos e vive em busca de uma liberdade que ela diz existir.

Se Eu Ficar

Amor e perda. Começo e fim. Vida e morte. Se Eu Ficar é um filme sensível, que aliado com a trilha sonora agradabilíssima, consegue trazer a tela uma reflexão sincera e dolorosa sobre a escolha entre ir ou ficar quando você perdeu tudo o que lhe era conhecido, mas ainda sobrou uma luz no fim do túnel que possui um rosto amado. Morrer é incrivelmente fácil, difícil mesmo é escolher viver. LIVE FOR LOVE.


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Já pensou em assistir um filme que além de te emocionar até que seu último fio de cabelo arrepie, também te deixe em um estado de reflexão que possa ficar por muitos minutos, ou mesmo horas, atônita? O filme Se eu Ficar é capaz disso, então te aconselho a abrir uma nova aba, entrar no site youtube, digitar a música Say Something da dupla A Great Big World com Christina Aguilera e voltar aqui para continuar lendo o texto ao som da música. Você não vai se arrepender, eu prometo.

No mundo cinematográfico eu imagino um plano para quase todos os filmes. Os diretores, roteiristas e toda a produção sentam-se em volta de uma mesa redonda e questionam uns aos outros: O que este filme irá causar nos telespectadores? E só a partir daí eles trabalhariam. E quando eles questionaram um ao outro em relação a esse filme, devem ter chegado uma resposta unânime: AMOR.

Se Eu Ficar é um daqueles poucos filmes que eu gosto de classificar como ÉPICOS. Não, não temos uma guerra nas estrelas, não temos alienígenas, não temos traição e tiros, bombas ou carros. Temos Mia, uma doce musicista com uma família excêntrica e maravilhosa, Adam, seu namorado e amor verdadeiro e uma escolha a ser feita. Esta escolha não é nem um pouco fácil e pode mudar tudo para sempre.

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O filme é inspirado num livro de mesmo nome, escrito pela autora Gayle Forman, que soube com uma maestria digna de grandes orquestras trazer o amor em suas formas mais primitivas: o amor pela família e o amor pelo “verdadeiro amor”. Confuso? Eu te explico.

O longa não segue uma ordem cronológica exata de fatos. Para começo de conversa há um acidente de carro, nele estava a garota, seu pai, sua mãe e seu pequeno irmãozinho Ted. Logo após o acidente, Mia é transportada de seu corpo e pode ver de fora tudo o que está acontecendo com seus parentes, inclusive a si mesma, então é aí que a trama se inicia e com ela meu coração começa a amolecer.

Assim como no livro, que também já tive o prazer de ler, as cenas do filme são intercaladas entre o passado e o que está acontecendo no momento. Vemos a família de Mia junta, cenas de seus pais recheadas de amor e adoração, cenas entre ela e Adam, cenas de nossa protagonista lutando para superar seus próprios medos e dificuldades internas. Todas elas são tão cheias de amor que lágrimas escorrem sem mesmo você querer, é quase como se você pudesse sentir o amor vibrar através da tela.

A realidade, porém, é um tanto quanto desoladora. Mia está em coma, já seu pai, sua mãe e seu irmão mais novo acabam morrendo. Adam que estava separado de Mia por diversos acontecimentos aparece correndo no hospital, ele desistiu do show de sua vida que lançaria sua banda no mundo do sucesso, para encontrar sua garota. E aí chegamos ao impasse que eu disse que trouxeram ao livro e ao filme as formas mais primitivas de amor: Mia que ama sua família mais que tudo no mundo ficou sem eles, porém ela pode ir também e todos a entendem, mas, em contrapartida existe Adam, seu verdadeiro amor e ele quer que ela fique.

Acontecem tantas coisas ao mesmo tempo que inclusive você fica dividido. Ir ou ficar? Mia perdeu tudo, perdeu sua família, sua tribo. A dor é tão latente e assustadora que pode chegar a você aí do outro lado da tela. Mas como ir e deixar para trás seu amor verdadeiro? Dizem que o encontramos uma única vez na vida e estamos fadados a ficar com ele para sempre e se não pudermos, nunca nos esqueceremos e a sombra sempre irá pairar sobre nós. O amor é a grande chave disso tudo. Vemos os amigos com um papel importante para Mia e seu avô tão sábio e exato que te faz tremer no assento, que além de Adam, também quer que Mia fique.

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O que você faria? Iria com sua família ou ficaria com o seu verdadeiro amor e o que restou das pessoas que ama?

A vida só acaba para quem vai, mesmo que carreguemos para sempre as marcas da perda e eu concordo com a escolha de Mia, só não sei se eu teria coragem para tomá-la.

Se Eu Ficar é um filme incrível, com atores maravilhosos e uma produção sensacional, além de ter uma trilha sonora que te faz ficar ouvindo várias e várias vezes as músicas relembrando-se das cenas.

Quando o amor está em jogo nossas reações nunca são racionais, mas de uma coisa tenho certeza: Mia sempre amará sua família e Adam e eles sempre a amaram, mas há certas coisas que pesam no momento de uma escolha, como uma música e um destino todo pela frente.

No fim, nós e quem amamos sempre estarão juntos. No começo da vida, no fim ou mesmo depois do fim.


Eva Camargo

Estudante de medicina veterinária, com aspiração a super heroína e disfarce de escritora. Uma completa bagunça, que teima em dizer que não quer ser arrumada. Ama o mar, livros, animais, dias chuvosos e vive em busca de uma liberdade que ela diz existir..
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