de tudo um pouco

Arte, Ciência, Filosofia, Atualidades

Marcelo Wolf

O conhecimento é a matéria-prima da consciência. Esta sim é a chave que liberta!

Dez coisas que as Olimpíadas do Rio deixaram claras a nós

Muito além de um balancete entre erros e acertos, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro deixaram (mais) claros alguns pontos que, mesmo sendo óbvios, somos míopes para eles.


Pira Olimpica.jpg Foto de Philippe Lopez (AFP)

Com o final da XXXI edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, no Rio de Janeiro, análises e opiniões acabam se tornando o epílogo natural deste evento. Seguem dez impressões sobre esta grandiosa festa (algumas delas acompanham links para matérias jornalísticas que corroboram os itens mencionados).

1. A criatividade pode superar a falta de recursos.

A cerimônia de abertura dos jogos é o melhor exemplo disso. Com um orçamento reduzido, fizemos uma bela festa que arrancou elogios da imprensa local e estrangeira. O jornal britânico ‘The Guardian’ enfatizou que a nossa festa custou aproximadamente um décimo da de Pequim e um quinto da londrina. E, mesmo assim, encantou a todos.

2. O Rio inaugurou um novo paradigma na execução dos jogos olímpicos.

Apesar da imprensa britânica dizer que terminou a era das Olimpíadas com dinheiro contado, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, já disse que os próximos jogos vão herdar do Rio o esforço em não deixar elefantes brancos e a sustentabilidade, e que pretende economizar recursos naturais e financeiros.

3. O ser humano, de qualquer parte do mundo, é adepto da máxima "a ocasião faz o ladrão".

A farsa dos nadadores norte americanos ao inventarem um suposto assalto para acobertar sua baderna num posto de combustíveis carioca, a tentativa de adulteração de credenciais, por parte de atletas australianos, para acessar irregularmente uma área da Arena Carioca 1, e a prisão de um membro do COI, o irlandês Patrick Hickey, suspeito de cambismo, exemplificam isso.

4. Políticos imbecis sempre se entregam. Basta estarem em evidência.

Obviamente isso se refere ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Ao invés de ter uma postura de anfitrião e homem público, usou de gracinhas inconvenientes em momentos impróprios, beirando a grosseria e mostrando não saber se comportar frente a representantes estrangeiros. Diante da chuva de reclamações justificadas da delegação australiana, por conta dos problemas nos alojamentos da Vila Olímpica, o prefeito disse que todos seriam resolvidos e botaria até um canguru pra que eles se sentissem em casa, criando a maior saia justa. Mordazes, os australianos deram de presente ao prefeito um canguru de pelúcia e luvas de boxe. Não bastando isso, na recepção à governadora de Tóquio para a passagem do bastão olímpico na festa de encerramento, ele se desculpou por também não estar vestido à caráter como "sambista carioca", ironizando o fato dela estar vestindo um quimono branco. Só que esta indumentária, para os japoneses, representa a hospitalidade daquele povo.

5. Não existe perfeição.

Temos a tendência de evidenciar a organização dos países do Primeiro Mundo e esquecer que problemas também existem por lá, e isso não é exclusividade brasileira. Londres também sofreu vários deles na organização de seus jogos, e Tóquio já começou suas Olimpíadas cercada de polêmicas e percalços.

Rio2016Renda.jpg Foto de Fabrizio Bensch (Reuters)

6. Com planejamento e organização, tudo sai a contento.

Quando se se dispõe a fazer algo bem feito, planejando e antevendo problemas, tudo sai bem. Talvez o melhor exemplo disso seja o aeroporto Tom Jobim. Nunca se viu tanta gente de uma só vez: 960 mil passageiros. E tudo funcionou perfeitamente. Também a segurança contra ameaças terroristas foi exemplar.

7. Falar besteira também faz parte do universo do Primeiro Mundo.

Depois do atleta francês de salto com vara, Renaud Lavillenie, comparar-se a Jesse Owens, grande medalhista norte americano dos Jogos Olímpicos de 1936 na Berlim nazista, por ambos serem vaiados durante as competições (mas por motivos estrondosamente diferentes), o periódico francês ‘Le Monde’ sugeriu que forças ocultas, como as do Candomblé, estariam por trás da medalha de ouro do brasileiro Thiago Braz na mesma modalidade. Nesse quesito, nem o jornal americano 'The New York Times' escapou, ao criar a polêmica extremamente relevante (?) sobre o biscoito Globo.

8. Que o Galvão Bueno é um sem noção.

Se você ainda tem dúvidas disso, não deixe de ver este vídeo.

9. Apesar de todos os nossos problemas e das falhas na estrutura dos Jogos, as belezas da cidade e a simpatia do povo sempre conquistam os estrangeiros.

Turistas ou jornalistas, todos são unânimes em evidenciar a simpatia do povo brasileiro, em especial o carioca, e as belezas da cidade. A sul coreana Jung Hee Jan, que já conhecia o Rio, enfatizou isso dizendo: "Fiquei encantada com as pessoas. Vim por elas, não por causa dos Jogos". Até os atletas manifestaram carinho pelo Rio, como o super campeão Michael Phelps. A interação dos estrangeiros com os habitantes locais acabaram até rendendo alguns episódios engraçados. Segundo pesquisa do ministério do Turismo, 83,1% dos estrangeiros disseram que os Jogos atenderam ou superaram as expectativas e 87,7% pretendem retornar ao Brasil.

10. Quando queremos, sabemos fazer as coisas.

A rapidez na resolução dos problemas de infraestrutura na Vila Olímpica, de falta de alimentos nos sites de competição, das filas na entrada e, principalmente, a agilidade da polícia em esclarecer o episódio patético dos nadadores norte americanos confirmam isso. E este é o cerne da questão: querer! Antônio Prata, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, resumiu magistralmente isso: "Até o fato de a Olimpíada no Rio ter dado tão certo, apesar das nossas mais do que justificadas expectativas, me traz sentimentos opostos. Meu lado otimista diz: viu só? Não somos destinados ao fracasso, quando a gente quer faz uma coisa direito, a gente vai lá e faz. Aí entra o lado pessimista: o Brasil não é uma tragédia porque a gente não consegue resolver os problemas, ele é uma tragédia porque a gente não quer resolvê-los".


Marcelo Wolf

O conhecimento é a matéria-prima da consciência. Esta sim é a chave que liberta!.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/sociedade// @obvious //Marcelo Wolf