decifragmentação

(empresta-se espírito para experiência extra)

Katiuce Lopes Justino

Você acredita na escola?

Você acredita na escola?
Não, você não acredita na escola, nesta escola fabril, onde o que interessa é pensar o que fazer fora dela. Você não acredita nesses professores tristes, cheios de tarefa atrasada (como os alunos tristes) que se limitam a verificar a velha constatação: quase nada se aprende aqui.
Você não acredita naqueles falsos discursos de pessoas empoeiradas de pó de arroz, sem simpatia nem talento, nem mesmo sinceridade, e que, por causa disso mesmo, galgaram os altos cargos da educação... essa nossa educação burocrata, virginal, arrumadinha demais.
De tudo de ruim que podemos legar às próximas gerações, poderíamos ao menos livrá-las da escola.


Você acredita na escola? Essa pergunta retórica me lembra outra, mais profunda e com resposta mais absurda do que a que vou dar a vocês... Recordo-me de um conhecido poema romântico de Gonçalves Dias: “Se se morre de amor! – Não, não se morre, / Quando é fascinação que nos surpreende / De ruidoso sarau entre os festejos”. Para simplificar a coisa toda, segundo o poeta não se morreria se o tal amor fosse apenas futilidade ou capricho e por consequência... bom... e, por consequência, no poema, se encontrarmos o amor real, “desse amor se morre” sim! Mas escola pouco tem que ver com amor. Mas sei que para responder a pergunta inicial, teríamos que especificar, como o faz o poema, sobre qual escola estamos falando. Você não acredita na escola, nesta escola fabril, onde o que interessa é pensar o que fazer fora dela. Você não acredita nesses professores tristes, cheios de tarefa atrasada (como os alunos tristes) que se limitam a verificar a velha constatação: quase nada se aprende aqui. Você não acredita naqueles falsos discursos de pessoas empoeiradas de pó de arroz, sem simpatia nem talento, nem mesmo sinceridade, e que, por causa disso mesmo, galgaram os altos cargos da educação... essa nossa educação burocrata, virginal, arrumadinha demais. Mas eu acredito na escola, uma outra escola, feita de talentos. Com professores sedutores, ensolarados, criativos... pessoas optaram pela escola porque o mundo lhes parecia certinho demais.... e queriam repará-lo. (HOJE ESTÃO NA EDUCAÇÃO PESSOAS QUE NÃO REPARAM NO MUNDO E NÃO LIDAM BEM COM A REALIDADE). Eu acredito numa escola feita de experiências, de relações, de afeto e para isso não podem existir hora-aula, sala de aula, plano de aula, livro para prova, prova de jaula, pregos na lousa, livros de casa, jogos educativos, htpc, entre outras obscenidades. Eu acredito numa escola feita de escolhas, com cores vivas e sobretudo pessoas vivas. Gente de verdade, com dias felizes e dias tristes, sem aqueles sorrisos de fábrica com aquela infelicidade implícita. Eu acredito em educadores, não em pessoas que trabalham por hora. Acredito em espaços largos, não em prédios escolares. Acredito em passagem de tempo e não em passagem de ano. E você? Acredita na escola? Acredita que temos a escola que temos? Acredita em aula? Colocaria seus filhos na jaula? De tudo de ruim que podemos legar às próximas gerações, poderíamos ao menos livrá-las da escola.

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