decifrando

Bem-vinda, literatura

Francine S. C. Camargo

Escritora desde os primórdios, médica há 11 anos, começou a experimentar a exposição de seu abecedário há cerca de um ano, com a obra "Mãos Livres" e, mais recentemente, do conto em eBook "Vim perguntar o que faço de mim. É autora do blog Papo de Fran.

Cidade humana

Uma homenagem a São Paulo, a cidade das palavras soltas e dos versos vagos.


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"Se a avenida exilou seus casarões,

quem reconstruiria nossas ilusões?

Me lembrei de contar pra você nessa canção

que o amor conseguiu..."

(Paulista - Eduardo Gudin)

Gosto de andar pelas ruas dessa cidade, pois aqui descubro meu próprio universo. Gosto de olhar pelas vitrines e fixar-me em minha imagem refletida sem desfiguração. Gosto de defrontar-me com olhos preocupados e curiosos, que passeiam pelo metrô com um rumo traçado, mas um destino incerto.

São Paulo é um gigante que abre os longos braços para acolher seus grãos. Cada grão é um personagem que dá forma à cidade, assumindo diariamente seu papel, ora real, ora ilusório, às vezes prudente, mas quase sempre fiel.

Voz e opinião. Tumulto e compromisso. Aceitação. Contestação. A cidade das palavras soltas, dos versos soltos, dos cumprimentos vagos, dos homens vagos. Ou livres? Não tão livres. A cidade é sinônimo de dependência, coerção e, ainda assim, em meio ao barulho das buzinas, é idolatrada pelos seus eternos amantes, enquanto seus inimigos não conseguem abandoná-la.

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O chão em que pisamos tem a nossa marca, os pés são a base da cidade. Os corpos em que esbarramos quando caminhamos desatentos são a sua estrutura. O que vemos, supomos, acreditamos e sentimos são o registro, a mentalidade, a crença e o coração da própria cidade. São Paulo é, para mim, a transfiguração mais precisa de nossas atitudes, ao mesmo tempo em que somos a justificativa para as suas.

E, apesar dos prédios e viadutos delimitarem arbitrariamente a sua paisagem, é aqui que quero estar, é aqui que me enxergo e me escondo. Porque poucos me vêem.


Francine S. C. Camargo

Escritora desde os primórdios, médica há 11 anos, começou a experimentar a exposição de seu abecedário há cerca de um ano, com a obra "Mãos Livres" e, mais recentemente, do conto em eBook "Vim perguntar o que faço de mim. É autora do blog Papo de Fran..
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