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Textos, poemas reflexões e boa conversa.

Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

A arte de dizer a verdade

Mentimos por medo de como o outro reagirá a nossa verdade verbalizada. Mentimos sobre nossa idade, peso, salário e como anda nosso relacionamento. É uma medida que de certa forma serve para manter a “ordem social” e a máscara de sermos uma boa companhia pois ninguém quer andar com “fracassados”. Em terra de mentirosos, quem diz a verdade é marginal.


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A palavra verdade vem do latim veritas -atis, e significa sinceridade, realidade. O conceito sobre o que é a verdade sempre inquietou os filósofos. Ela é relativa? É absoluta? É absoluta, mas enxergamos de forma relativa? Em nosso cotidiano, mesmo sem perceber, estamos a todo tempo nos fazendo essa pergunta: É verdade? O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, preocupado com essa questão, chegou a escrever uma frase sobre o que ele considerava uma pessoa de mente elevada: “A verdadeira questão é: Quantas verdades você consegue suportar?” Algumas verdades são difíceis de aceitarmos.

A psicanálise nos ensina que algumas verdades são tão difíceis e insuportáveis de acreditar que nossa mente cria uma espécie de escudo (defesa psíquica), para não aceitarmos que essas verdades existam, com o objetivo de pouparmos nosso sofrimento psíquico. Ao invés de dizermos e aceitarmos que o amor acabou, falamos que o relacionamento só chegou ao fim porque éramos diferentes um do outro por pura defesa psíquica. Se não se aceita e entende-se que ele acabou, inventamos outra verdade, mesmo que seja uma que só nós acreditamos. Penso que uma das maiores demonstrações de amor é ter a coragem de dizer que ele acabou.

Mas será que é melhor mesmo se deixar enganar? Creio que não, pois nosso corpo não sabe levar desaforo para casa. De alguma forma o corpo percebe e se manifesta através de neuroses, somatizações, angústias, etc.

Se formos sinceros, podemos contar nos dedos as pessoas que conhecemos que aguentam ouvir aquelas verdades nuas e cruas, sejam elas sobre a vida ou sobre elas mesmas. Somos frágeis e carentes, o que muda de uma pessoa para a outra é apenas o grau dessa fragilidade e carência.

Mentimos por medo de como o outro reagirá a nossa verdade verbalizada. Mentimos sobre nossa idade, peso, salário e como anda nosso relacionamento. É uma medida que de certa forma serve para manter a “ordem social” e a máscara de sermos uma boa companhia pois ninguém quer andar com “fracassados”. Em terra de mentirosos, quem diz a verdade é marginal.

Por outro lado, dizer a verdade (a que acreditamos), pode ser redentor também. Pois temos a oportunidade de perceber quem gosta de verdade de estar perto da gente e, esses mesmos que desejaram ficar perto, começam a ser honestos com a gente também. A relação fica mais leve e real.

Temos o defeito de menosprezar o outro pensando que o mesmo não suportará determinadas verdades. Mas não somos nós quem decidimos isso.

Por último, dizer a verdade que liberta é uma arte das mais finas. É preciso muita sensibilidade para entender o momento e o ambiente certo para dizer, pois as pessoas são diferentes e sentem de forma diferente. Para cada pessoa um jeito de falar. Por isso é necessário uma mínima percepção do ser humano.

Para a maioria, se você gritar não será ouvido. A verdade dita no lugar errado e da forma errada faz quase tão mal quanto a mentira. Até a mais bela verdade pode ser estragada. Verdade sem amor é vazia e amor sem verdade é ilusão. Ou melhor, como canta Renato Russo: “é só o amor, é só o amor, que conhece o que é verdade”.


Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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