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Textos, poemas reflexões e boa conversa.

Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

Quando se abandona para não ser abandonado

Para a pessoa que passou por algum tipo de abandono infantil e pode desenvolver um medo exagerado de amar demais, de sofrer demais ou, pior, de ser abandonada por essa pessoa que está começando a nutrir um afeto repetindo, assim, a sua triste história novamente.


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Bowby, psicanalista britânico, explicou que a vivência de uma relação calorosa, íntima e contínua do bebê com a mãe ( substituta ou não) mostra-se essencial à saúde mental do bebê. (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2004000300006).

O Bebê que recebeu o cuidado na medida certa (sem exageros ou muitas faltas) poderá ter maiores chances de ser um adulto com um grau menor de carência e com maior capacidade de amar.

Por outro lado, quando falamos em abandono infantil seja ele físico ou emocional, logo vem um sentimento de fracasso junto ao pensamento de que alguma coisa na humanidade e no mundo deu muito errado. Essa criança que foi privada de cuidado parcial ou quase total, quando adulta, parafraseando Cazuza, poderá vir a ser um maior abandonado.

Esse adulto tenderá a uma profunda dificuldade em manter vínculos afetivos ou até, indo para o lado oposto, de se desvincular afetivamente de alguém, mesmo que esse relacionamento seja extremamente tóxico para ele, e ninguém entende o motivo desse adulto "aceitar" tantas humilhações.

Por isso que observamos no cotidiano pessoas que se submetem e suportam graves humilhações de verdadeiros(as) carrascos(as) que as aprisionam emocionalmente, ou, no segundo caso, indivíduos que desfazem repentinamente relações de amizade, familiares ou amorosas no instante em que tudo caminhava bem e harmoniosamente. Essa prática aparentemente “estranha” pode ser uma defesa inconsciente que o sujeito encontrou para não se frustrar ou para não ser abandonado primeiro. Para não sentir o trauma de ser rejeitado de novo, ele abandona quando o vínculo começa a se estreitar.

É muito difícil viver e conviver com pessoas com essas características, pois muitas vezes vemos potencial e qualidade nas mesmas se elas conseguissem se entregar e confiar um pouco mais na relação aprendendo à lidar minimamente com a vulnerabilidade inerente à vida.

O sentimento de vulnerabilidade nunca foi uma questão fácil para nós, seres humanos. Adoecer, ser assaltado ou até mesmo viajar de avião são situações que nos fazem sentir uma grande impotência, sem autonomia da própria vida.

A pessoa que sofreu abandono infantil pode desenvolver um medo exagerado de amar demais, de sofrer demais ou pior, ser abandonada por quem se ama/pelo objeto amado, repetindo assim, a sua triste história novamente.

Não levanto aqui a bandeira do vitimismo e nem defendo nenhum tipo de comportamento imutável, pois todos conhecemos indivíduos que tinham “tudo para não dar certo” e suas histórias mostraram o oposto. Mas também nunca podemos deixar de analisar a história de vida das pessoas para entender o porquê são como são. Acredito que dessa forma podemos ser mais tolerantes e menos implacáveis para com o outro e com a gente mesmo.

Nossa história é sempre muito importante, afinal, quando morremos o que sobra da gente nesse mundo são as lembranças que deixamos no coração de quem ficou e as histórias que contarão da nossa trajetória. Pelo menos é o que eu espero.


Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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