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Textos, poemas reflexões e boa conversa.

Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

História de remador

O rio que a multidão navega geralmente é um lugar pouco confiável. Tem muita gente indo com um sorriso no rosto para o mesmo lugar, sendo este lugar nenhum. Por isso temos poucos amigos e poucos amores.


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Você está remando contra a maré. Está subindo o rio, enquanto a maioria desce. Consegue ver alguns poucos “loucos” subindo como você, o mesmo caminho, com as mesmas dificuldades. Mas a maioria desce. Descer é tentador e os que descem não fazem quase esforço nenhum, vão na “marola”, descem sorrindo, sentem o vento refrescar suas costas. Sentem-se aparentemente bem e acolhidos pois olham ao redor e percebem que quase todo mundo está seguindo o mesmo caminho que eles. É um instinto de manada, de autopreservação.

Quem está subindo segue solitário, faz um esforço enorme para remar. Quando cansa, retrocede alguns metros, pensa em desistir, sente que escolheu a profissão ou fez a escolha errada sobre o rumo da sua vida. E não é apenas um esforço físico, é mental também. Você se questiona se realmente vale a pena subir, e porquê quer tanto fazer o trabalho que quase ninguém sente o desejo de fazer. Mas sua consciência bate feito martelo de Thor em sua cabeça dizendo: “Sobe! É necessário! “Você nasceu pra fazer isso”. Então, com muito esforço, você pega fôlego e sobe de novo.

O rio que a multidão navega geralmente é um lugar pouco confiável. Tem muita gente indo com um sorriso no rosto para o mesmo lugar sendo este, lugar nenhum. Por isso temos poucos amigos e poucos amores. Você já parou para pensar, com quantas pessoas pode contar em um momento de dificuldade?

Quem rema contra a maré pode sentir dor nos braços mas também com o tempo, fortalece-os. É como a linda e instigante história dos peixes na “piracema”. Os mesmos lutam contra a correnteza para realizar a desova no período de reprodução. Esse grande esforço gera vida.

Agora, quem sempre segue o fluxo do rio, atrofia os braços por sedentarismo e, quando vier a primeira tempestade, seu barco tomba, seu sorriso desaparece e sua vida corre perigo. Daí você entende porque aqueles poucos loucos de quem você ria, sempre estavam remando na direção contrária a sua. A pergunta que se deve fazer é essa: Você veio para esse mundo somente a passeio?

(Texto em homenagem a todos profissionais brasileiros que de alguma forma tentam remar contra a maré buscando melhorar a si mesmos e ao nosso país).


Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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