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Textos, poemas reflexões e boa conversa.

Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

Inveja e gratidão

É claro que todos temos inveja. Mas em graus diferentes e forma diferentes de lidar com ela. Quanto mais trabalhada e reconhecida essa inveja dentro de nós, temos a chance de diminuí-la (se essa for nossa intenção). Outra característica comum dos invejosos é olhar apenas para as conquistas do ser invejado e não para o esforço e luta que o levou a conseguir alcançar seus objetivos. Percebemos no dia a dia quem são essas pessoas. Alguns são mais silenciosos (que acredito serem os mais perigosos), sempre soltando aquelas frases que nos entristecem como forma de nos desestabilizar, porque consciente ou inconscientemente, querem ter a nossa vida.


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Em seu famoso texto Inveja e Gratidão, Melanie Klein escreve que “A inveja é um fator muito poderoso no solapamento das raízes dos sentimentos de amor e gratidão, pois ela afeta a relação mais antiga de todas, a relação com a mãe”. A mãe que consegue ser suficientemente boa para seu filho ( nem muito ansiosa, nem muito faltosa nos cuidados físicos e emocionais com o seu bebê), ajudará o mesmo a ser mais grato ou mais invejoso em suas relações no decorrer da vida. O bebê “invejoso” é aquele que sente, inconscientemente, que sua mãe o privou dos cuidados essenciais que deveriam ser destinados a ele, (o seio materno, carinho, amor) para uso próprio da mãe. Por outro lado, o bebê grato é aquele que conseguiu desenvolver sua capacidade de amar, pois sua relação inicial com a mãe foi satisfatória. Não é muito simples de explicar e muito menos de se determinar se o pequeno terá uma tendência para a gratidão ou para a inveja, pois cada relação mãe -bebê é única tendo histórias e momentos diferentes de cada um nessa relação.

Melanie Klein expõe que “A inveja é o sentimento raivoso de que outra pessoa possui e desfruta algo desejável - sendo o impulso invejoso o de tirar este algo ou de estragá-lo(...), e o ser invejoso sofre ao ver o outro possuir o que ela quer para si. Sente-se à vontade apenas com o infortúnio dos outros e assim, todos os esforços para satisfazer um invejoso são infrutíferos”. Portanto, se você sofre na pele com pessoas invejosas ao seu lado, de acordo com a autora, não adiantará você dar tudo o que tem para o invejoso, pois ele é insaciável, sua inveja brota de dentro. Ele achará outro “objeto” para ser invejado. As pessoas que se sentem gratas conseguem enxergar para além delas, e mesmo vendo as coisas dos outros, conseguem olhar as suas próprias e contemplar o que conquistaram. Geralmente, o invejoso não gosta muito do que tem, por isso que a gratidão passa longe da sua casa.

É claro que todos temos inveja. Mas em graus diferentes e forma diferentes de lidar com ela. Quanto mais trabalhada e reconhecida essa inveja dentro de nós, temos a chance de diminuí-la (se essa for nossa intenção). Outra característica comum dos invejosos é olhar apenas para as conquistas do ser invejado e não para o esforço e luta que o levou a conseguir alcançar seus objetivos. Percebemos dia a dia quem são essas pessoas. Alguns são mais silenciosos( que acredito serem os mais perigosos), sempre soltando aquelas frases que nos entristecem como forma de nos desestabilizar porque, consciente ou inconscientemente, querem ter a nossa vida. Interessante é que geralmente, não achamos que somos “lá grande coisa” para alguém querer ser a gente, mas mesmo de uma certa forma, o indivíduo grato consegue se sentir agradecido pelo pouco que tem. Essa gratidão perturba o invejoso. Não aguenta ver o outro sorrir. Ou tenta te mostrar que você não tem motivo para sorrir. Há os que armam contra sua alegria no melhor estilo (ou será pior?) novela brasileira. Encontramos o maior depósito de inveja entre os membros das famílias. A literatura mundial está recheada desses dramas familiares. Arrisco dizer, que um dos vários motivos da diminuição das famosas reuniões familiares é a inveja entre os membros. A companhia se tornou desagradável, a falsidade aumentou e perdeu-se a vontade de estar juntos.

O capitalismo e a desigualdade que gera a competição em nossa sociedade contribuem muito para o sacramento da inveja. Aliás, a sociedade (que somos todos nós), não dá conta das neuroses que ela mesmo cria. Para alimentar as redes sociais, nada pode deixar de ser postado ou registrado, pois se não tem o registro, nada existiu e não tem como causar inveja ao outro. Antigamente, com a falta de tecnologia, se usava mais a mente para registrar s os momentos vividos. Se quiser ajudar uma pessoa invejosa aqui vai uma dica: ajude sem olhar para trás e sem esperar gratidão ou agradecimento vinda por parte dela. Pois o invejoso não desenvolveu gratidão dentro dele e, como aprendemos com Melanie Klein, ele “entende” inconscientemente que você só devolveu o que já é ou era para ser dele. É como emprestar para seu vizinho uma ferramenta da sua caixa e ser muito grato por ele ter devolvido a você. Já era sua! Era obrigação do vizinho lhe devolver! No evangelho de Lucas, é relatado a história de dez leprosos que Jesus curou. Dos dez, apenas um voltou para agradecer. Os nove queriam a cura e não o relacionamento com quem os curou. O invejoso não quer aprender com a gente, ele quer ser a gente. Algumas pessoas confundem sermos gratos com sermos conformados. São duas coisas diferentes. Todos temos o desejo de mudança, de melhorar a vida que levamos. Também conseguimos na maioria das vezes perceber injustiças e problemas sociais ao nosso redor. O que muda é que a pessoa grata, dentre as coisas ruins que tem internamente e ao seu redor, consegue também ver as dádivas da vida e o potencial interno que está conseguindo desenvolver. Minha intenção com esse texto foi mostrar que a pessoa invejosa não se torna invejosa por “safadeza”. É uma neurose estrutural que surgiu em sua infância e foi sendo alimentada por ela, pela família e pela sociedade em sua história. Não estou tirando sua culpa ou responsabilidade, mas muitas vezes temos raiva desse tipo de gente ignorando-as, afastando-nos delas e piorando sua situação. Tolerância e amor se faz necessário aos invejosos. Se você consegue olhar para o próximo, tolerar e até amá-lo, talvez seja porque sua mãe foi suficientemente boa para você e é sua “obrigação” tentar repassar esse legado por um mundo melhor, por uma família melhor e por uma sociedade mais grata pela vida.


Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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