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Textos, poemas reflexões e boa conversa.

Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

Relações repetidas

Mesmo em meio ao medo do novo, do desconhecido e da neurose, vale a pena tentarmos escrever outra história. A vida é uma só, e não somos apenas o sofrimento que carregamos. Somos mais que tudo isso.


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Freud observou, em seus pacientes e nele mesmo, que temos uma tendência inconsciente à repetição. São comportamentos, pensamentos e escolhas que insistimos em repetir, mesmo gerando muito sofrimento e atrapalhando nossa nada mole vida.

Basta você olhar um pouco para dentro das famílias, dos relacionamentos amorosos e de amizade. Trocamos de parceiro ou parceira com os mesmos problemas e neuroses da(o) anterior.

As pessoas que estão do lado de fora da relação não entendem. “Fulano sofreu tanto e não aprendeu nada, arrumou outro(a) igualzinho o ex!”, ou “você tem dedo podre para relacionamento”, ou ainda “tem gente que gosta de dar murros em ponta de faca”.

Sempre repetimos? Não. Mas a probabilidade é grande de fazer as velhas escolhas. Como foi afirmado acima, essa repetição é um mecanismo inconsciente.

Ninguém acorda de manhã com o objetivo consciente de se dar mal a todo custo. Nossa mente é um emaranhado feito de genética, ambiente familiar, contingência e contexto histórico.

Como psicólogo que também faz análise pessoal posso dizer: a terapia sendo feita por um profissional sério, ajuda muito na maioria dos casos a não repetir as neuroses que tanto nos fazem sofrer.

Através da fala sendo interpretada e com a ajuda de pensarmos sobre o que falamos, numa tarefa conjunta, (não sem sofrimento), começamos a entender o por quê de fazermos o que fazemos. A escolha continua sendo nossa, mas algumas coisas dentro da gente, que não sabíamos, foram “clareadas”.

Todos temos medo do desconhecido. No relacionamento não é diferente. Por mais que a última experiência tenha sido ruim, é como se pensássemos (inconscientemente) que mesmo ruim, conhecemos o caminho, o percurso, sabemos lidar. Em meio à falta de reflexão e análise, fazemos tudo do mesmo jeito que sempre fizemos.

Você já percebeu alguns comportamentos e pensamentos dos seus pais que você considera errado e não gosta, mas quando percebe já fez exatamente igual a eles? É como se todas as peças de um quebra cabeça se encaixassem dentro da gente! Mas porque encaixou não quer dizer que está sendo agradável ou sem sofrimento.

Existem pessoas que, mesmo vivendo em um relacionamento saudável (diferente do relacionamento anterior, com crises e turbulências sem fim), resolvem terminar com o(a) parceiro(a).

Estas pessoas fazem isso porque não suportaram esse desconhecido, pois aprenderam a viver sempre se dando mal, se entristecendo e com graves problemas.

Lembro-me de uma colega que só conseguia se relacionar com homens muito mais velhos que ela e nunca dava chance para alguém da sua idade. Depois ela me contou que seu pai morreu muito cedo.

Percebi que ela procurava, sem saber, os braços do pai nos braços de outros homens. É claro que essa interpretação fez sentido para essa amiga e não fará para todo mundo. Mas o que quero dizer, é que se não tornarmos algumas coisas conscientes, repetiremos eternamente.

Outro problema que percebo é que algumas pessoas, ao terminar um relacionamento, logo entram em outro ou, já estava se relacionando com esse “terceiro elemento” enquanto namoravam ou eram casados. Não estou fazendo julgamento ou dizendo como você deve se relacionar.

Mas acho que seria bom termos um tempo de reflexão após um término, um tempo de elaboração interna, de “luto” da pessoa com quem se teve uma história conjunta, para não correr o risco de misturar os amores, repetir o mesmo jeito de se relacionar, mas com pessoa diferente.

Temos muitas neuroses e talvez vamos lutar a vida inteira para amenizá-las ou “apagá-las”. Nossos pais também têm as deles como também nossos avós. O mais importante disso tudo é tentarmos nos analisar para não repetirmos o que já fizemos em nossa história de vida, que nos fez mal e trouxe dores desnecessárias.

Se for com a ajuda de um profissional, melhor. Algumas pessoas entram em nossa vida e nos ajudam a sermos diferentes e a melhor versão de nós mesmos. São essas que valem a pena conviver e se relacionar.

Tenho histórias para contar de pessoas, (pacientes ou não) que conseguiram quebrar esse ciclo doente da repetição que gera tanto sofrimento e declínio. Elas estão bem. Ainda têm problemas e dificuldades como todo mundo, mas agora encontraram pessoas que as ajudam a passar por esses problemas juntos, através da sua cumplicidade, amor, tolerância e respeito.

Mesmo em meio ao medo do novo, do desconhecido e da neurose, vale a pena tentarmos escrever outra história. A vida é uma só, e não somos apenas o sofrimento que carregamos. Somos mais que tudo isso.


Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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