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Textos, poemas reflexões e boa conversa.

Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

Sensibilidade manipulada

Contraditoriamente, divulgamos e, em certo ponto, até nos preocupamos mais com os ricos (esses que usufruem de maior acesso às diversas formas de serviços de cuidado), do que com os pobres (mais necessitados dos mesmos serviços). É como se alguém fosse levado para a área de emergência do hospital por ter sido baleado, e o médico o mandasse esperar na fila para priorizar um paciente com dor de garganta.


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Conversando com meu amigo Leandro Rodrigues sobre algumas notícias recém divulgadas pela grande mídia, ele me disse uma frase que muitas vezes não refletimos: “A grande mídia escolhe com o que ou quem devemos nos sensibilizar”. Concordo com ele.

Me parece que o Ebola não preocupou muita gente enquanto estava (e ainda está), devastando muita gente na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Quando descobriram que uma passageira com suspeita de Ebola embarcaria nos EUA, (inclusive ela estava cuidando dos pacientes em Serra Leoa), Boom! Todo o mundo ficou sabendo! O mundo inteiro se sensibilizou! Ficaram desesperados!

Sabemos da importância econômica e social de São Paulo para o nosso país e, que na terra da garoa existe pobreza também, mas fiquei impressionado como o país todo se mobilizou para protestar contra a falta de água em São Paulo. Essa mesma força não consigo ver em relação a falta de água do nordeste. E essa história não é de agora. São anos de sofrimento do povo nordestino que me parece, não preocupa muita gente do “lado de cá”.

Leandro Karnal escreveu que “as mortes por ataques fora da Europa/EUA são pouco consideradas pela imprensa. Somos seletivos no nosso luto e na importância das vítimas. Por exemplo, o grupo Boko Haram fez atentados em Maidugari, Nigéria. Nem chegou a ser noticiado. Houve mais de 150 mortos em poucos dias. Desde 2009, o grupo fundamentalista na Nigéria já provocou a morte de prováveis 17 mil pessoas”.

Todo mundo sabe, que a maioria dos candidatos que ocupam as vagas mais concorridas nas melhores universidades públicas não vieram das escolas públicas. Eles se preparam nas melhores e mais caras escolas particulares e, provavelmente, esses terão um emprego muito bom. Os mais pobres “desfrutam” do pior estudo da rede pública, e se eles conseguirem cursar uma faculdade, (e se não entrarem pela cota), possivelmente estudarão em uma universidade inferior, muitas vezes particular e ainda terão que pagar.

Contraditoriamente, divulgamos e, em certo ponto, até nos preocupamos mais com os ricos (esses que usufruem de maior acesso às diversas formas de serviços de cuidado), do que com os pobres (mais necessitados dos mesmos serviços). É como se alguém fosse levado para a área de emergência do hospital por ter sido baleado, e o médico o mandasse esperar na fila para priorizar um paciente com dor de garganta.

Por isso mesmo que vejo a grande importância de, na medida do possível, algumas coisas serem vivenciadas e vistas com nossos próprios olhos. Muitas vezes ficamos cegos e anestesiados para algumas realidades em favor de nosso conforto e comodismo. E piora ainda mais quando veículos midiáticos sem seriedade tentam nos enfiar goela abaixo sobre com que tipo de gente temos que nos compadecer e nos preocupar. Faz-se necessário não acreditarmos em tudo que ouvimos sem apurar os fatos e notícias. Temos que aprender a desconfiar de dados e pesquisas de gente que se coloca no lugar de uma verdade absoluta. E, por fim, entendermos que todo mundo precisa de ajuda, afeto e cuidado. Não só alguns e sim toda a humanidade. Somos carentes por natureza.

Gosto de uma parte da letra que a compositora Dulce Quental escreveu e a banda Barão Vermelho eternizou: “Todo mundo é parecido quando sente dor”. Então todo mundo deve ter o mesmo direito. Se tiver que existir disputa, que seja com todos saindo do mesmo ponto da largada. Depois é com você.

Sei, parece que estou sonhando, mas que essa possa ser uma das nossas muitas lutas. Não se pode viver sem utopia.


Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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